Ucrânia esgota mísseis de defesa aérea e procura alternativas europeias mais baratas
As reservas ucranianas de mísseis de defesa aérea para sistemas Patriot e para caças F-16 estão praticamente esgotadas, enquanto a Rússia intensifica os ataques com drones a jato e mísseis balísticos. A Ucrânia procura alternativas europeias mais baratas, incluindo baterias SAMP/T com mísseis Aster e o projeto conjunto europeu-ucraniano Freyja, baseado no míssil balístico FP-7. O custo assimétrico entre o PAC-3 — cerca de 7 milhões de dólares por unidade — e o Aster evidencia a transição para interceptores mais acessíveis.
Pontos principais
- Reservas ucranianas de mísseis PAC-3 para Patriot e de AIM-120/AIM-9 para F-16 estão praticamente esgotadas.
- Drones russos Geran-4 e Geran-5, a jato, voam a até 600 km/h e são produzidos a cerca de 3.000 unidades por mês, com motores turbojato maioritariamente de origem chinesa.
- A Rússia aumentou a produção de mísseis balísticos para cerca de 100 unidades por mês: aproximadamente 60 Iskander-M e 40 RM-48U.
- A Ucrânia espera receber várias baterias SAMP/T Franco-Italianas com mísseis Aster até ao final de 2026 e oito novos complexos SAMP/T NG no próximo ano.
- O projeto conjunto europeu-ucraniano Freyja visa criar uma alternativa ao PAC-3 mais barata e produzida em massa, baseada no míssil balístico FP-7, interoperável com radares e sistemas de dados da NATO.
- Sensores, guiamento e sistemas de controlo para o interceptor Freyja serão fornecidos por 12 empresas europeias, incluindo Thales, Leonardo, Diehl e Saab.
- O míssel Aster custa menos de metade do preço da versão mais recente de exportação do PAC-3, estimada em cerca de 7 milhões de dólares.
- A fonte principal destas informações é The Economist.
Porque é importante
A combinação entre o esgotamento dos mísseis PAC-3 e AIM-120/AIM-9 e a aceleração da produção russa de drones e mísseis balísticos cria um fosso de capacidades imediato para a Ucrânia. A resposta passa por alternativas europeias mais baratas — mísseis Aster em baterias SAMP/T e o projeto Freyja — mas a produção em escala e a transferência de tecnologia levarão meses, deixando a Ucrânia vulnerável durante o inverno. O custo de um PAC-3 ronda os 7 milhões de dólares por unidade, um valor insustentável perante ataques maciços com drones de baixo custo, o que torna a transição para interceptores mais acessíveis uma questão de sobrevivência do sistema de defesa aérea.
O que aconteceu
A Ucrânia atravessa uma crise de reservas de defesa aérea. Os mísseis PAC-3 para sistemas Patriot estão quase esgotados, assim como os AIM-120 e AIM-9 utilizados pelos caças F-16. Este esgotamento coincide com uma escalada significativa dos ataques russos: drones a jato Geran-4 e Geran-5, com velocidades até 600 km/h e produzidos a cerca de 3.000 unidades por mês, com motores turbojato maioritariamente chineses, são lançados diariamente. A Rússia também aumentou a produção de mísseis balísticos para cerca de 100 unidades por mês, divididas entre Iskander-M e RM-48U. Em resposta, a Ucrânia procura alternativas europeias: espera receber várias baterias SAMP/T com mísseis Aster até ao final de 2026, seguidas de oito novos complexos SAMP/T NG no próximo ano. Paralelamente, desenvolve o projeto conjunto Freyja com 12 empresas europeias de defesa — incluindo Thales, Leonardo, Diehl e Saab — baseado no míssil balístico FP-7, com o objetivo de criar um interceptor significativamente mais barato e produzido em massa, interoperável com radares e sistemas de dados da NATO.
Onde as versões divergem
As fontes francesas de defesa afirmam que o míssil Aster supera o Patriot em alguns aspetos, enquanto outros dados apresentam o PAC-3 como referência atual, com a versão de exportação a custar cerca de 7 milhões de dólares por unidade. Trata-se de avaliações nacionais distintas sobre o desempenho relativo de cada sistema, mais do que números em conflito direto.
Contexto
Os drones russos Geran-4 e Geran-5 são propulsionados por motores turbojato maioritariamente de origem chinesa, embora alguns componentes sejam produzidos na Rússia com recurso a impressoras 3D ocidentais contrabandeadas. A Rússia também opera o drone maior 'Banderole', que se aproxima cada vez mais de um míssil de cruzeiro de baixo custo. O míssil Aster utiliza uma ogiva explosiva que detona perto do alvo, enquanto o PAC-3 realiza uma interceção cinética por impacto direto; fontes militares francesas alegam que o Aster supera o Patriot em alguns parâmetros. A Alemanha planeia produzir sob licença até 200 mísseis PAC-2 por ano, menos potentes, com possível transferência futura para a Ucrânia mediante consentimento dos países da NATO.