Ataque russo com mísseis balísticos destrói data center da Datagroup em Kiev
Na noite de 19 de outubro, a Rússia atingiu Kiev com mísseis balísticos, destruindo por completo o data center da operadora Datagroup, que a empresa afirma ser impossível de reconstruir. O mesmo ataque danificou o centro de diagnóstico de um hospital, o centro comercial Cosmo Multimall, um edifício do Tribunal de Contas e infraestruturas metropolitanas e residenciais em três distritos da cidade.
Pontos principais
- Na noite de 19 de outubro, a Rússia atacou Kiev com mísseis balísticos.
- A Datagroup informou que o seu data center em Kiev ficou totalmente inutilizado e que a sua reconstrução é impossível.
- Nenhum funcionário da Datagroup ficou ferido; a empresa continua a servir clientes a partir de sites de reserva.
- Segundo o Serviço Estatal de Emergências (ДСНС), pelo menos 10 pessoas ficaram feridas e uma morreu nos ataques.
- Danos foram registados em três distritos: Desnianskyi, Dniprovskyi e Solomianskyi.
- Em Solomianskyi, a onda de choque destruiu mais de 200 janelas e danificou portas, tetos e equipamento médico do Centro Consultivo e de Diagnóstico do Hospital Municipal n.º 6.
- O Centro Cosmo Multimall, o restaurante McDonald's e uma loja Roshen nas proximidades ficaram danificados.
Porque é importante
A destruição de um data center importante e considerado irrecuperável afeta a infraestrutura digital para clientes empresariais e insere-se numa escalada russa contra as instalações de TI de Kiev iniciada em finais de setembro, com várias operadoras já fora de serviço. O ataque provocou também vítimas civis e danos num hospital, num centro comercial, num edifício do Tribunal de Contas e em infraestruturas metropolitanas e residenciais. Autoridades ucranianas afirmam que o objetivo dos ataques a data centers é perturbar os sistemas de alerta aéreo; responsáveis ucranianos acusaram ainda os parceiros ocidentais de não terem avisado antecipadamente sobre o lançamento de mísseis balísticos. A dimensão do impacto é agravada pelo facto de a Datagroup fazer parte do grupo de telecomunicações DVL (Datagroup-Volia-lifecell), detido pela holding francesa NJJ Holding.
O que aconteceu
Na noite de 19 de outubro de 2026, a Rússia lançou um ataque com mísseis balísticos contra Kiev, no âmbito de uma operação combinada que também incluiu mísseis de cruzeiro Iskander-K e 269 drones, segundo a Força Aérea ucraniana (que报告ou a interceção de quatro Iskander-K e 243 drones). O impacto destruiu por completo o equipamento e a infraestrutura do data center da operadora de telecomunicações Datagroup, que a empresa anunciou, na sua página de Facebook, ser impossível de reconstruir. Nenhum funcionário da Datagroup ficou ferido, e a empresa continuou a servir os seus clientes a partir de locais de reserva. O ataque danificou ainda infraestruturas em três distritos de Kiev: em Desnianskyi, um edifício não residencial incendiou-se; em Dniprovskyi, foram atingidos um edifício não residencial, uma instituição de ensino e infraestruturas do metro; em Solomianskyi, ficou danificado um edifício residencial de 25 andares, bem como o Centro Consultivo e de Diagnóstico do Hospital Municipal n.º 6 de Kiev, onde a onda de choque partiu mais de 200 janelas e danificou portas, tetos e equipamento médico. O centro hospitalar suspendeu operações nesse endereço e transferiu o pessoal para outra filial. Na mesma zona, o centro comercial e de entretenimento Cosmo Multimall ficou com a fachada de vidro destruída e a passagem entre os blocos A e B danificada, tendo também sido atingidos um restaurante McDonald's e uma loja Roshen nas proximidades. O Serviço Estatal de Emergências (ДСНС) indicou que pelo menos 10 pessoas ficaram feridas e uma morreu na sequência do ataque; o Presidente Volodymyr Zelenskyy referiu que foram disparados 16 mísseis balísticos em várias vagas contra Kiev e a região. A Datagroup tinha já sofrido um ataque anterior ao seu data center em 25 de setembro, sem vítimas e com dados de clientes preservados.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A comunicação social ucraniana centra a cobertura na destruição do data center da Datagroup, descrevendo-o como a principal vítima e inserindo o caso numa vaga mais ampla de ataques à infraestrutura digital de Kiev entre finais de setembro e outubro. Várias peças citam o ministro dos Negócios Estrangeiros Andrii Sybiha a afirmar que a Rússia visa os data centers para perturbar os sistemas de alerta aéreo, sublinhando a dimensão civil e institucional do ataque: o Centro de Diagnóstico do Hospital n.º 6, o centro comercial Cosmo Multimall, o edifício do Tribunal de Contas (Рахункова палата) — onde um guarda ficou ferido sem necessidade de hospitalização —, infraestruturas do metro e blocos residenciais. Vários órgãos de informação realçam igualmente as críticas do Presidente Zelenskyy e do porta-voz da Força Aérea, Yurii Ihnat, à alegada falta de aviso prévio dos parceiros ocidentais sobre o uso de mísseis balísticos. Os artigos fornecem ainda contexto empresarial, recordando que a Datagroup integra, desde setembro de 2024, o grupo DVL (Datagroup-Volia-lifecell), controlado pela holding francesa NJJ Holding.
Onde as versões divergem
As fontes ucranianas divergem no número de vítimas do ataque de 19 de outubro: a maioria dos órgãos cita o Serviço Estatal de Emergências (ДСНС), indicando um morto e pelo menos 10 feridos, enquanto outra publicação regista um morto e oito feridos. Há também divergência sobre a data do ataque anterior que primeiro danificou o data center da Datagroup: a maioria dos relatos aponta para 25 de setembro, mas uma fonte indica 25 de setembro de 2026.
Contexto
Uma vaga de ataques russos à infraestrutura digital de Kiev começou em 23 de setembro, deixando cerca de 100 000 famílias sem internet e danificando pelo menos seis data centers, incluindo MiroHost, Parkovy, UTELS e Pavutyna. O Parkovy cessou operações em 1 de outubro e a Omega Telecom em 6 de outubro; o centro Cosmonova e o fornecedor Kolo.TB foram atingidos novamente em 26 de setembro, tirando brevemente do ar a Novyny.Live, a Pryamyi, a Armiya TV e partes do site da Suspilne. A infraestrutura da própria Datagroup já tinha sido danificada num ataque em 25 de setembro, sem vítimas e com dados de clientes preservados. A Datagroup foi criada em 2003 a partir da fusão da Datasat e da Datakom; em 2015, o seu data center era o terceiro maior da Ucrânia; em 2021, adquiriu a Volia-Kabel; e desde setembro de 2024 integra o grupo DVL (Datagroup-Volia-lifecell), associado à holding francesa NJJ Holding. O ataque de 19 de outubro fez parte de uma operação russa combinada que atingiu também instalações energéticas, provocando cortes de eletricidade em dez oblasts, segundo a Ukrenergo. Em outubro, a Ucrânia contra-atacou, afirmando ter atingido três data centers russos da Yandex e destruído dois deles.