Publicado: · Atualizado:

Primeiro-ministro da Ucrânia afirma que o país está melhor preparado para o inverno do que no ano passado

O primeiro-ministro da Ucrânia, Serhiy Koretsky, afirmou num entrevista ao telenoticiário nacional «Yedyni Novyny», no domingo 27 de setembro, que a Ucrânia está a enfrentar este inverno mais preparada do que no ano passado, apesar de a Rússia ter melhorado as suas capacidades de ataque. Koretsky enumerou o aumento da capacidade de geração instalada, mais infraestruturas críticas com energia de reserva, reservas de equipamento e mais equipas de reparação, e alertou que o inverno será difícil.

Pontos principais

  • Koretsky disse no dia 27 de setembro que a Ucrânia construiu mais capacidade de geração, equipou mais infraestruturas críticas com energia de reserva e aumentou as reservas de equipamento e as equipas de reparação em relação ao inverno passado.
  • Koretsky alertou que a Rússia melhorou os seus meios de ataque, incluindo drones 'Shahed' reativos e a acumulação de mísseis balísticos e de cruzeiro para ataques no inverno.
  • Koretsky afirmou: «Легко точно не буде, але в нас немає іншого варіанту, ніж вистояти» — «Não será de certeza fácil, mas não temos outra opção senão aguentar».
  • A Ucrânia pediu aos parceiros europeus que disponibilizem os seus serviços de emergência — equipas de resgate com equipamento e pessoal — em caso de necessidade.
  • Koretsky disse que a Ucrânia está a aumentar a produção interna de drones de interceção para fazer face aos drones reativos, com o executivo a simplificar condições para os fabricantes e a reforçar o apoio financeiro através de crédito.
  • Numa segunda entrevista no mesmo dia, Koretsky afirmou que as ameaças russas às infraestruturas digitais e de comunicações vão persistir até ao fim da guerra e que a proteção deve assentar no pior cenário possível, combinando localização subterrânea, na nuvem e no estrangeiro.

Porque é importante

A intervenção de Koretsky define a posição oficial do governo sobre se a Ucrânia pode aguentar uma nova campanha russa de ataques às infraestruturas energéticas e de comunicações durante o inverno. Quantifica medidas concretas — geração adicional, energia de reserva, reservas, equipas de reparação, drones de interceção — que determinam a gravidade de eventuais apagões e falhas de comunicações. Sublinha a dependência diplomática de parceiros europeus para assistência de emergência e o planeamento para o pior cenário no que toca à conectividade à internet, e enquadra o alerta mais amplo de que as ameaças às infraestruturas digitais vão persistir enquanto a guerra durar.

O que aconteceu

No domingo, 27 de setembro, o primeiro-ministro Serhiy Koretsky afirmou numa entrevista ao telenoticiário nacional «Yedyni Novyny» que a Ucrânia está a entrar neste inverno mais preparada do que no anterior. Segundo Koretsky, foi construída mais capacidade de geração ao longo do ano, mais infraestruturas críticas receberam fontes de energia de reserva adicionais, e foi aumentado o grau de proteção dos elementos críticos da rede. Há também reservas de equipamento e peças sobressalentes maiores e mais equipas de reparação do que no inverno passado. Koretsky descreveu os «Planos de Sustentabilidade» aprovados como demasiado ambiciosos, o que, na sua avaliação, permitiu reforçar a rede mesmo sem a sua implementação integral.

Koretsky alertou, contudo, que a Rússia também melhorou, com a utilização de drones 'Shahed' reativos e a acumulação de mísseis balísticos e de cruzeiro para ataques durante o inverno. Citou a frase «Легко точно не буде, але в нас немає іншого варіанту, ніж вистояти» — «Não será de certeza fácil, mas não temos outra opção senão aguentar». Acrescentou que a Ucrânia já pediu a parceiros europeus que disponibilizem os seus serviços de emergência, com equipas de resgate, equipamento e pessoal, em caso de necessidade, e que está a ser aumentada a produção interna de drones de interceção para fazer face aos drones reativos, com o executivo a simplificar as condições para os fabricantes e a reforçar o apoio financeiro através de crédito.

Numa segunda entrevista no mesmo dia, Koretsky afirmou que as ameaças russas às infraestruturas digitais e de comunicações vão persistir até ao fim da guerra, e que a proteção dos sistemas digitais mais importantes deve ser planeada com base no pior cenário, combinando localização subterrânea, na nuvem e no estrangeiro.

Num enquadramento paralelo, a 24 de setembro o ministro da Energia, Denys Shmyhal, afirmou que a Ucrânia recebeu dois documentos com os planos russos para ataques ao setor energético no inverno, com listas de alvos, quantidades e tipos de armas, incluindo planos separados para grandes cidades como Kyiv, Kharkiv e Odesa. A 23 de setembro, um ataque russo danificou os centros de dados dos operadores de internet de Kyiv UTELS e Pavutyna e também o do operador nacional Datagroup, provocando falhas de internet em Kyiv. A 25 de setembro, após uma série de ataques a centros de dados, o presidente Volodymyr Zelensky anunciou, no seguimento de uma reunião do Estado-Maior, decisões para proteger e garantir o funcionamento contínuo das infraestruturas críticas de comunicações.

Contexto

A 24 de setembro, o ministro da Energia Denys Shmyhal afirmou que a Ucrânia recebeu dois documentos com os planos russos detalhados para ataques ao setor energético durante o inverno, incluindo ataques complexos a sistemas de aquecimento, água, saneamento, geração e interligações, com planos separados para grandes cidades, entre as quais Kyiv, Kharkiv e Odesa. O administrador do PNUD, Alexander De Croo, afirmou que a Ucrânia enfrenta o «inverno mais difícil» desde o início da invasão russa em grande escala e alertou para o risco de catástrofe humanitária caso continuem os ataques massivos a infraestruturas energéticas. A 22 de setembro, à margem da Assembleia Geral da ONU, o presidente Zelensky disse ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump que esperava que a guerra pudesse terminar antes do inverno. A 23 de setembro, Zelensky acrescentou que a Rússia enfrentará um inverno difícil se atacar o sistema energético ucraniano.