Chefe do MI5 classifica Rússia como "agressor número um" e alerta para ameaças híbridas e iranianas
O diretor-geral do MI5, Ken McCallum, utilizou o seu discurso anual sobre ameaças, em 13 de outubro, para classificar a Rússia como o "agressor número um" para o Reino Unido, descrever a intensificação da guerra híbrida russa contra países que apoiam a Ucrânia e assinalar uma mudança das ambições do Irão para alvos mais difíceis, como instalações militares. Ligou o recente suspeito de ataque à base aérea de RAF Fairford a um padrão mais vasto de atividades estatais e alertou para o uso de inteligência artificial por extremistas.
Pontos principais
- Ken McCallum, chefe do MI5, proferiu o seu discurso anual sobre ameaças em 13 de outubro de 2026.
- McCallum classificou a Rússia como "agressor número um" para o Reino Unido.
- Disse que o avanço da Rússia na guerra contra a Ucrânia permanece "mínimo e terrivelmente custoso".
- Indicou que a Rússia intensifica a guerra híbrida — sabotagem, ciberataques, ameaças de bomba — contra países que apoiam a Ucrânia.
- Citou como exemplos a tentativa de ataque com drone a um cargueiro num aeroporto alemão e um ciberataque a infraestruturas energéticas polacas.
- Afirmou que o Irão está a deslocar as suas ambições para alvos mais difíceis, incluindo instalações militares, e que operações relacionadas com o Irão no Reino Unido resultaram em mais de 50 detenções no último ano.
- McCallum alertou que extremistas já tentam utilizar IA para reconhecimento e planeamento de ataques com drones e manifestou preocupação com um eventual uso de IA para desenvolver armas biológicas.
Porque é importante
O discurso anual do chefe do MI5 constitui a avaliação pública mais elevada das ameaças enfrentadas pelo Reino Unido. Ao classificar a Rússia como "agressor número um" e ao ligar as tentativas de desestabilização de outros países europeus aos custos e ao sucesso limitado de Moscovo na Ucrânia, a inteligência britânica associa explicitamente a guerra híbrida ao conflito no terreno. O discurso enquadra também o recente caso de RAF Fairford num padrão mais vasto de atividade iraniana em solo britânico e introduz a inteligência artificial como nova frente de preocupação, incluindo o eventual uso por extremistas para desenvolver armas biológicas.
O que aconteceu
O diretor-geral do MI5, Ken McCallum, proferiu em 13 de outubro o seu discurso anual sobre ameaças. Afirmou que as ameaças estatais quadruplicaram na última década e que o serviço dedica agora mais recursos ao combate a essas ameaças do que durante a Guerra Fria. Descreveu a Rússia como o "agressor número um" para o Reino Unido, sublinhou que o avanço russo na guerra contra a Ucrânia permanece "mínimo e terrivelmente custoso" e disse que Moscovo intensifica operações híbridas — sabotagem, ciberataques, ameaças de bomba — contra países que apoiam a Ucrânia. Como exemplos, citou a tentativa de ataque com drone a um cargueiro num aeroporto alemão e um ciberataque a infraestruturas energéticas polacas, e endossou avaliações de outros serviços europeus de que a Rússia utiliza táticas que "mal não chegam a tornar-se um conflito convencional". Quanto ao Irão, McCallum afirmou que Teerã tem deslocado as suas ambições para alvos mais difíceis, incluindo instalações militares, e que operações relacionadas com o Irão no Reino Unido resultaram em mais de 50 detenções no último ano. Disse ainda que o incidente em RAF Fairford não é único, tendo ocorrido casos semelhantes não só no Reino Unido mas em todo o mundo, e alertou que extremistas já tentam utilizar inteligência artificial para reconhecimento e planeamento de ataques com drones, com a maior preocupação a residir num eventual uso de IA para desenvolver armas biológicas.
Como o descrevem as fontes ucranianas
As três fontes disponibilizadas são publicações ucranianas em língua ucraniana e enquadram o discurso de McCallum como uma confirmação, por parte da inteligência britânica, da ameaça russa ao Ocidente. Destacam a classificação da Rússia como "agressor número um" e a intensificação da guerra híbrida contra os aliados europeus da Ucrânia, e salientam a observação de McCallum de que as tentativas russas para desestabilizar outros países europeus coincidem com avanços mínimos e perdas elevadas na Ucrânia, ligando a avaliação britânica ao desenrolar da guerra. O caso de RAF Fairford é apresentado como parte de um padrão mais amplo iraniano e russo, e não como um caso criminal isolado.
Contexto
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou em 12 de outubro que a presumível conspiração contra RAF Fairford foi, muito provavelmente, coordenada a partir do Irão e quase de certeza dirigida pelo IRGC, tendo tanto a polícia como o primeiro-ministro apontado para um possível envolvimento de um Estado estrangeiro. Cinco homens detidos no âmbito do caso foram libertados sob caução policial, sem acusação e sob condições estritas, e dois outros detidos — entre os quais um cidadão com dupla nacionalidade britânico-iraniana — também foram libertados; os investigadores encontraram gasolina nas carrinhas apreendidas, mas não encontraram engenhos explosivos utilizáveis. McCallum citou a tentativa de ataque com drone a um cargueiro num aeroporto alemão e um ciberataque a infraestruturas energéticas polacas como exemplos de tácticas híbridas russas, e disse que o incidente em RAF Fairford não é único. Operações relacionadas com o Irão no Reino Unido resultaram em mais de 50 detenções no último ano, e o MI5 indica que o Irão tem visado comunidades judaicas no país.