Serviço de inteligência dinamarquês alerta para sabotagem russa planeada contra indústria de defesa
A PET, serviço de segurança e inteligência da Dinamarca, revelou publicamente que os serviços de inteligência russos estão a planear operações de sabotagem contra empresas da indústria de defesa dinamarquesa, sobretudo as ligadas ao apoio militar à Ucrânia. O aviso foi feito por Emil Græsholm, chefe da divisão de contra-inteligência da PET, e surge numa altura em que se multiplicam na Europa suspeitas de atos de sabotagem russa contra infraestruturas ligadas ao apoio a Kiev.
Pontos principais
- A PET afirmou que os serviços de inteligência russos estão a concretizar planos de sabotagem contra empresas da indústria de defesa dinamarquesa.
- Os alvos prioritários são empresas ligadas ao fornecimento de equipamento militar à Ucrânia.
- Segundo Emil Græsholm, o objetivo da Rússia é travar entregas específicas de defesa à Ucrânia e intimidar a Dinamarca para que reduza o apoio a Kiev e à sua própria expansão militar.
- A PET identificou o recrutamento de cidadãos dinamarqueses comuns através de redes sociais e plataformas online e de jogos para tarefas como fotografar ou filmar empresas e infraestruturas.
- O aviso público, invulgar para um serviço normalmente discreto, indica que a ameaça é considerada concreta e iminente.
- O alerta dinamarquês surge após a Alemanha ter acusado a Rússia, em 1 de setembro, de uma ataque híbrido no aeroporto de Leipzig/Halle com um drone com explosivos junto a um An-124 ucraniano.
Porque é importante
O aviso público da PET é raro para um serviço normalmente discreto e indica que a ameaça russa é avaliada como concreta e iminente. Os alvos prioritários são empresas ligadas ao fornecimento de armas à Ucrânia, o que liga diretamente a campanha de sabotagem ao esforço de interromper a ajuda militar ocidental. O recurso ao recrutamento online de cidadãos comuns, que podem não saber que trabalham para Moscovo, sinaliza um alargamento das táticas híbridas russas e insere-se num padrão mais amplo de suspeitas de sabotagem em vários países europeus.
Como o descrevem as fontes ucranianas
Os meios de comunicação ucranianos, todos em língua ucraniana, apresentam o aviso dinamarquês centrando-o no impacto sobre a cadeia de abastecimento militar à Ucrânia. Enquadram o recrutamento de cidadãos dinamarqueses como parte de um esforço russo mais vasto para travar as entregas de defesa a Kiev e dissuadir o Ocidente de continuar a apoiar a Ucrânia. A cobertura liga explicitamente o alerta a outros recentes incidentes de presumível sabotagem russa na Europa — em Leipzig/Halle, na Polónia, na Suécia e na Eslováquia — descrevendo uma campanha híbrida russa coordenada contra o apoio militar a Kiev.
Contexto
A Dinamarca fornece armas à Ucrânia e expandiu a sua própria indústria de defesa para apoiar Kiev desde 2022, tendo entregue cerca de 76,8 mil milhões de coroas (mais de 10 mil milhões de euros) em ajuda militar e anunciado, em junho de 2026, o 30.º pacote de ajuda, de aproximadamente 4,4 mil milhões de coroas (590 milhões de euros). O chefe da contra-inteligência da PET, Emil Græsholm, indicou que cenários de sabotagem incluem incêndios criminosos e apelou ao reforço das medidas de segurança por parte das empresas de defesa dinamarquesas. Em 1 de setembro, a Alemanha acusou publicamente a Rússia por uma ataque híbrido no aeroporto de Leipzig/Halle, que envolveu um drone com explosivos junto a um avião de carga An-124 ucraniano, tendo anunciado contramedidas como o encerramento do consulado-geral russo em Bona e da «Russisches Haus» em Berlim. Na sequência, a Suécia convocou o seu Conselho de Segurança Nacional, o primeiro-ministro polaco Donald Tusk afirmou que um incêndio numa fábrica polaca de drones foi sabotagem, e a polícia eslovaca indicou ter impedido uma tentativa de incêndio numa fábrica de drones.