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Coreia do Sul retira embaixador da Ucrânia após divulgação sobre prisioneiros norte-coreanos

A Coreia do Sul retirou o seu embaixador em Kiev, Park Ki-chang, em protesto pela divulgação pública feita pelo Presidente Volodymyr Zelensky, na Assembleia Geral da ONU, da transferência de dois soldados norte-coreanos capturados para Seul. Seul afirma que existia um acordo de confidencialidade que Zelensky terá violado; Kiev nega essa versão. O embaixador regressou a Seul no sábado, dois dias após o anúncio da retirada.

Pontos principais

  • A Coreia do Sul retirou o embaixador em Kiev, Park Ki-chang, num gesto raro de protesto diplomático.
  • A retirada foi anunciada a 8 de outubro, na sequência da divulgação por Zelensky, na Assembleia Geral da ONU em setembro, da transferência de dois soldados norte-coreanos capturados.
  • Seul afirma que existia um acordo de confidencialidade com Kiev; responsáveis ucranianos negam essa versão.
  • A Coreia do Sul convocou o embaixador ucraniano e o Presidente Lee Jae-myung exigiu um pedido formal de desculpas.
  • Os dois soldados norte-coreanos foram capturados na região russa de Kursk em janeiro de 2025 — os primeiros capturados desde a entrada da Coreia do Norte na guerra em 2024.
  • Park Ki-chang regressou a Seul no sábado de manhã; Seul não indicou quando o embaixador poderá voltar a Kiev.
  • É a primeira vez que a Coreia do Sul retira um embaixador como forma de protesto desde 2008, quando o fez em relação ao Japão devido à disputa pelas ilhas Dokdo/Takeshima.

Porque é importante

A retirada do embaixador é um gesto diplomático extremamente raro por parte da Coreia do Sul — a primeira vez que recorre a esta forma de protesto desde 2008 — o que assinala uma rutura significativa nas relações bilaterais. O diferendo gira em torno de uma troca politicamente sensível de prisioneiros de guerra norte-coreanos, os primeiros soldados desse país capturados desde que a Coreia do Norte entrou na guerra ao lado da Rússia em 2024. Seul e Kiev apresentam versões contraditórias sobre a existência de um acordo de confidencialidade, e analistas citados na comunicação social ligam a deterioração a mudanças mais amplas na orientação da política externa sul-coreana e a pressões políticas internas sobre o Presidente Lee Jae-myung.

O que aconteceu

A Coreia do Sul retirou o seu embaixador em Kiev, Park Ki-chang, em resposta à divulgação pública feita pelo Presidente Volodymyr Zelensky, na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque em setembro, de que a Ucrânia tinha transferido dois soldados norte-coreanos capturados para Seul. O Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-coreano anunciou a retirada na quinta-feira, 8 de outubro, e Park Ki-chang regressou a Seul no sábado de manhã, dois dias depois. Seul afirma que tinha sido celebrado um acordo de confidencialidade com Kiev para proteger os soldados e as suas famílias ainda na Coreia do Norte e acusa Zelensky de o ter violado com a divulgação pública; responsáveis ucranianos negam a existência de qualquer acordo desse tipo. A Coreia do Sul convocou também o embaixador ucraniano e ameaçou medidas adicionais não especificadas, enquanto o Presidente Lee Jae-myung exigiu um pedido formal de desculpas. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Heorhiy Tykhyi, afirmou na quinta-feira que a diplomacia deve prevalecer sobre a emoção e manifestou disponibilidade para um diálogo construtivo com Seul. Não foi anunciada qualquer data para o regresso do embaixador a Kiev.

Como o descrevem as fontes ucranianas

A comunicação social ucraniana, incluindo a NV e a Ukrinform, destaca sobretudo a análise de especialistas, em particular do coreanista Mykola Polishchuk, que enquadram a rutura como decorrente de fatores políticos internos na Coreia do Sul e de uma alegada reorientação da política externa de Seul para Pequim, com a Ucrânia como participante incidental. Estas fontes colocam o diferendo no contexto mais amplo das relações comerciais entre a Coreia do Sul e a Rússia — incluindo os cerca de 176.000 toneladas de produtos, sobretudo gasóleo, que, segundo o The Guardian, terão sido enviados para a Rússia em julho e agosto — e apresentam Kiev como o lado que apela ao diálogo enquanto Seul escala a disputa. Algumas reportagens associam o comportamento do Presidente Lee Jae-myung a escândalos políticos de longa data, sugerindo que a confrontação é em parte produto das suas vulnerabilidades políticas pessoais.

Como o descrevem as fontes internacionais

A cobertura internacional disponível, centrada na Al Jazeera Arabic, foca-se de forma mais estreita na retirada do embaixador enquanto crise bilateral desencadeada pela divulgação de Zelensky na ONU sobre a transferência dos prisioneiros norte-coreanos, atribuindo comparativamente menos relevo ao contexto geopolítico mais amplo ou às dinâmicas de política interna sul-coreana que os analistas ucranianos sublinham.

Onde as versões divergem

As duas partes divergem frontalmente sobre a existência de um acordo de confidencialidade relativo à transferência: a Coreia do Sul afirma que este existiu e que Zelensky o violou ao revelar publicamente o caso na ONU; responsáveis ucranianos negam essa versão. Uma fonte refere ainda que a Ucrânia apresentou um pedido formal de desculpas pela divulgação de dados secretos, mas que as palavras não satisfizeram o governo sul-coreano nem o Presidente Lee Jae-myung pessoalmente — versão que contrasta com a posição pública ucraniana, que se limita a apelar ao diálogo. Noutro plano, as fontes ucranianas enquadram a crise como resultado de fatores políticos internos sul-coreanos e de uma reorientação da política externa de Seul para Pequim, com a Ucrânia como participante acidental; a fonte internacional apresenta o diferendo de forma mais circunscrita, como uma crise bilateral em torno da transferência dos prisioneiros norte-coreanos.

Contexto

Os dois soldados norte-coreanos foram capturados pela Ucrânia na região russa de Kursk em janeiro de 2025, após combaterem ao lado das forças russas destacadas por Pyongyang, e foram os primeiros militares norte-coreanos capturados desde que a Coreia do Norte entrou na guerra em 2024. Ao abrigo da Constituição sul-coreana, todos os coreanos, incluindo os residentes do Norte, são considerados cidadãos da Coreia do Sul. Zelensky revelou a transferência durante o seu discurso na Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, em setembro. Paralelamente, o jornal britânico The Guardian noticiou que 176.000 toneladas de produtos, sobretudo gasóleo, foram enviadas da Coreia do Sul para a Rússia em julho e agosto, um ponto de fricção adicional entre Kiev e Seul. A última vez que a Coreia do Sul tinha recorrido à retirada de um embaixador como forma de protesto foi em 2008, quando chamou o seu enviado de Tóquio devido à disputa pelas ilhas Dokdo/Takeshima.