Presidente da Coreia do Sul ameaça "novas medidas" se a Ucrânia não se retratar por revelar transferência de prisioneiros norte-coreanos
O Presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, ameaçou tomar "novas medidas" não especificadas caso a Ucrânia não se desculpe publicamente por ter revelado que dois soldados norte-coreanos capturados foram enviados para Seul. A divulgação foi feita pelo Presidente Volodymyr Zelensky na Assembleia Geral da ONU. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, classificou o diferendo como um "mal-entendido diplomático" e afirmou que Kiev está a trabalhar para resolvê-lo. Os dois governos divergem sobre a existência de um acordo de confidencialidade em torno da transferência.
Pontos principais
- O Presidente sul-coreano Lee Jae Myung ameaçou "novas medidas" não especificadas se a Ucrânia não se retratar publicamente.
- Lee acusou Kiev de estar a "tentar provocar uma guerra na Península Coreana".
- O Presidente Volodymyr Zelensky revelou a transferência dos dois prisioneiros de guerra norte-coreanos na Assembleia Geral da ONU na semana anterior.
- O ministro dos Negócios Estrangeiros Andrii Sybiha classificou a situação como um "mal-entendido diplomático" e disse que a Ucrânia está a trabalhar para a resolver.
- O gabinete de Lee afirma que foi a Ucrânia que pediu sigilo sobre a transferência; o escritório de Zelensky nega a existência de qualquer acordo de confidencialidade.
- Lee enfrenta críticas internas na Coreia do Sul, com a oposição a acusá-lo de encobrir a transferência para apaziguar Pyongyang.
Porque é importante
O diferendo cria uma rutura pública entre a Coreia do Sul, um parceiro simpático à causa ucraniana, e Kiev, num momento sensível da guerra. Envolve o tratamento de combatentes norte-coreanos capturados na Ucrânia, ligando diretamente o conflito russo-ucraniano à segurança da Península Coreana. A Coreia do Sul mantém uma política de longa data de não fornecer armas letais a países em guerra ativa, pelo que a disputa pode condicionar o alcance da futura cooperação Seul-Kiev. Cada lado acusa o outro de deturpar os factos, o que complica a desescalada diplomática.
O que aconteceu
A 2 de outubro de 2026, o Presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, publicou na plataforma X uma ameaça de "novas medidas" não especificadas caso a Ucrânia não se desculpe publicamente por ter revelado a transferência de dois soldados norte-coreanos capturados. Lee acusou Kiev de estar a "tentar provocar uma guerra na Península Coreana" e de o apresentar como mentiroso ao negar a existência de um acordo de confidencialidade, afirmando que a questão diz respeito à "dignidade do povo coreano e da nação". A revelação original partiu do Presidente Volodymyr Zelensky durante o seu discurso na Assembleia Geral da ONU a 23 de setembro. No dia seguinte, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, qualificou a situação como um "mal-entendido diplomático" e garantiu que Kiev está a trabalhar para a resolver, sublinhando a importância da Coreia do Sul como parceiro. Os dois soldados tinham sido capturados enquanto combatiam ao lado das forças russas e tinham declarado à imprensa local que desejavam ser enviados para a Coreia do Sul.
Como o descrevem as fontes ucranianas
Os meios ucranianos centram a cobertura na caracterização de Sybiha do episódio como um "mal-entendido diplomático" e na sua garantia de que Kiev está a trabalhar para o resolver, a par da negação pelo escritório de Zelensky de qualquer acordo de confidencialidade. Várias peças ucranianas fornecem contexto adicional — o desejo expresso pelos soldados de irem para a Coreia do Sul, o enquadramento dos norte-coreanos destacados com as tropas russas e a política de Seul de não fornecer armas letais —, apresentando o diferendo como um contratempo diplomático lamentável, mas contornável. A cobertura sublinha a divulgação de Zelensky na ONU e os interesses ucranianos em matéria de troca de prisioneiros de guerra.
Como o descrevem as fontes internacionais
Os meios não ucranianos (do Reino Unido, Qatar, Azerbaijão e Hong Kong) dão destaque à ameaça de "novas medidas" de Lee Jae Myung, à sua acusação de que Kiev está a "tentar provocar uma guerra na Península Coreana" e ao seu enquadramento da questão como tocando na "dignidade do povo coreano e da nação". A imprensa internacional dedica espaço significativo à disputa sobre a existência de um acordo de confidencialidade, citando extensamente a versão de Seul (a Ucrânia pediu sigilo, em parte para proteger as famílias dos soldados e para evitar críticas internas por uma oportunidade perdida de troca de prisioneiros). As peças internacionais salientam ainda a pressão política doméstica sobre Lee por parte da oposição sul-coreana, que o acusa de encobrir a transferência para apaziguar Pyongyang, e notam que as "novas medidas" ameaçadas permanecem por especificar.
Onde as versões divergem
A Coreia do Sul afirma que existiu um acordo de confidencialidade sobre a transferência dos dois prisioneiros de guerra norte-coreanos e que a própria Ucrânia pediu sigilo, em parte para proteger as famílias dos soldados e para evitar críticas internas sobre uma oportunidade perdida de os trocar por prisioneiros de guerra ucranianos. A Ucrânia nega que tal acordo tenha existido: o escritório do Presidente Zelensky e o conselheiro Dmytro Lytvyn rejeitam a existência de qualquer compromisso de confidencialidade, e o ministro dos Negócios Estrangeiros Andrii Sybiha qualificou o diferendo como um "mal-entendido diplomático". A administração de Lee sustenta ainda que Kiev revelou a informação sem explicação ou consulta prévias, ao passo que a Ucrânia contesta essa leitura. A Coreia do Sul afirma que a negação ucraniana "mina seriamente" a confiança mútua.
Contexto
Os dois soldados norte-coreanos transferidos combatiam ao lado da Rússia contra a Ucrânia e tinham dito a órgãos de comunicação social locais que desejavam ir para a Coreia do Sul. A Coreia do Sul tem sido solidária com a Ucrânia desde a invasão russa em grande escala, mas mantém uma política de longa data de não fornecer armas letais a qualquer país em guerra ativa. Zelensky fez a sua divulgação no discurso à Assembleia Geral da ONU a 23 de setembro; Lee começou a criticar publicamente a revelação no dia seguinte.