Montenegro detém fundador da rede de propaganda russa «Rybar» e quatro associados
A polícia montenegrina, em cooperação com a Agência de Segurança Nacional (ANB), deteve em Risan, a 9 de outubro, Mikhail Zvinchuk, fundador da rede propagandística russa «Rybar», juntamente com a mulher, Valeriya Zvinchuk, e mais três pessoas. As autoridades abriram uma investigação criminal e apreenderam drones e equipamento digital. Zvinchuk está sob sanções da UE, do Reino Unido e dos EUA, onde o programa «Rewards for Justice» oferece até 10 milhões de dólares por informações sobre associados da rede.
Pontos principais
- Detenção ocorreu em Risan, Montenegro, na sexta-feira, 9 de outubro de 2026.
- Foram detidas cinco pessoas: Mikhail Zvinchuk, a mulher e colaboradora Valeriya Zvinchuk, e mais três associados.
- Operação foi conduzida pela polícia montenegrina em coordenação com a Agência de Segurança Nacional (ANB).
- Objetivo declarado da operação: combater atividades híbridas da rede «Rybar» em Montenegro.
- Zvinchuk trabalhou no serviço de imprensa do Ministério da Defesa russo até 2019.
- A rede «Rybar» está sob sanções da UE desde 2023 e do Reino Unido; o programa norte-americano «Rewards for Justice» oferece até 10 milhões de dólares por informações sobre associados.
- A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, confirmou a detenção e disse que o ministério está a apurar as circunstâncias.
Porque é importante
A detenção atinge o fundador de uma das maiores redes de propaganda pró-Kremlin em língua russa, que opera no Telegram e em vários idiomas. Zvinchuk está sob sanções da UE, do Reino Unido e dos EUA, existindo inclusive uma recompensa norte-americana de até 10 milhões de dólares por informações sobre associados. A apreensão de drones e equipamento digital aponta para atividade operacional que ia além da simples publicação de conteúdos. Autoridades dos EUA e do Reino Unido ligam a «Rybar» à administração presidencial russa, aos serviços especiais e ao financiamento da corporação estatal sancionada Rostec.
O que aconteceu
A 9 de outubro de 2026, a polícia montenegrina, em cooperação com a Agência de Segurança Nacional (ANB), deteve em Risan, na zona da Baía de Kotor, Mikhail Zvinchuk, fundador da rede de propaganda russa «Rybar». Com ele foram detidos a mulher e colaboradora Valeriya Zvinchuk e mais três pessoas, num total de cinco detidos. As autoridades montenegrinas afirmaram que a operação visava suprimir as atividades híbridas da rede «Rybar» no país e anunciaram a abertura de uma investigação criminal, em que se apura o possível alcance das atividades da rede e os seus métodos de financiamento. Durante a detenção foram apreendidos drones, equipamento digital, dispositivos eletrónicos e telemóveis. Segundo relatos, Zvinchuk e a mulher foram transportados para Podgorica para interrogatório. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, confirmou a detenção e afirmou que o ministério está a apurar as circunstâncias. O antigo chefe do Centro de Combate à Desinformação do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia, Andrii Kovalenko, comentou o caso, sublinhando o papel de Zvinchuk na atividade híbrida russa. O primeiro-ministro montenegrino, Milojko Spajić, também confirmou a detenção. O canal «Rybar» no Telegram afirmou que todos os cidadãos russos detidos estavam legalmente no país e que planeavam filmar o mosteiro de Cetinje.
Onde as versões divergem
As fontes divergem quanto ao objetivo da visita de Zvinchuk a Montenegro: serviços de segurança montenegrinos afirmam que o grupo detido planeava filmar conteúdo documental manipulador sobre o alinhamento da política de vistos do país com as normas da UE, enquanto o canal «Rybar» no Telegram sustenta que os cidadãos russos estavam no país legalmente e tencionavam filmar o Mosteiro de Cetinje. Há também divergências sobre o estatuto de Zvinchuk junto dos serviços de inteligência russos: a publicação montenegrina Pobjeda descreve-o como coronel do GRU responsável por operações híbridas, enquanto outros relatórios o identificam apenas como ex-funcionário do serviço de imprensa do Ministério da Defesa russo.
Contexto
A «Rybar» foi fundada em 2018 como plataforma de análise militar e cobertura de conflitos e mais tarde transformou-se numa estrutura ligada, segundo instituições ocidentais, à difusão de narrativas pró-russas e a operações de influência. O Institute for the Study of War indicou, em 2024, que a rede abrange mais de 250 canais em 28 idiomas e que o canal principal no Telegram tem mais de um milhão de subscritores. De acordo com o Conselho da UE, Zvinchuk foi considerado membro de um grupo de trabalho criado por Vladimir Putin para coordenar atividades relacionadas com a guerra contra a Ucrânia. Zvinchuk trabalhou no serviço de imprensa do Ministério da Defesa russo até 2019. Em julho de 2026, a UE e o Reino Unido anunciaram sanções contra 10 representantes da «Rybar» por difundirem narrativas falsas sobre a Ucrânia e interferirem em eleições na Moldova e na Arménia. As autoridades norte-americanas incluíram Zvinchuk na lista de pessoas envolvidas em operações maliciosas de influência contra o processo eleitoral dos EUA.