EUA e Rússia discutem atrair investidor americano para reactivar gasodutos Nord Stream
Oficiais norte-americanos e russos, entre os quais o enviado presidencial Jared Kushner e o conselheiro do Kremlin Kirill Dmitriev, mantiveram conversas nas últimas semanas em Moscovo e Nova Iorque sobre a possibilidade de envolver um investidor dos EUA na reactivação dos gasodutos Nord Stream. A Casa Branca nega que tenham havido recentemente discussões específicas sobre o Nord Stream e condiciona qualquer acordo com a Rússia à coordenação com a DFC e o Departamento do Tesouro. A Alemanha e outros países europeus opõem-se firmemente ao regresso do gás russo, e os gasodutos continuam sob sanções dos EUA e da UE, o que torna ilegal qualquer retoma de fornecimentos.
Pontos principais
- Conversas entre enviados dos EUA e da Rússia em Moscovo e Nova Iorque discutiram a participação de um investidor norte-americano na reactivação do Nord Stream.
- Participaram Jared Kushner (enviado especial dos EUA) e Kirill Dmitriev (conselheiro de Vladimir Putin), com o objectivo de preparar o terreno para fornecimentos à Europa após o fim da guerra.
- A Casa Branca afirmou que qualquer acordo com a Rússia tem de passar pela DFC e pelo Departamento do Tesouro e beneficiar contribuintes e empresas americanas, e negou discussões recentes específicas sobre o Nord Stream.
- Os gasodutos estão sob sanções dos EUA e da UE, o que torna ilegal qualquer reactivação enquanto essas medidas vigorarem.
- A Alemanha informou que a retoma exigiria aprovação do governo federal, que não está disponível, sublinhando que encontrou fontes alternativas de gás.
- Trump poderia levantar ou atenuar as sanções americanas, mas isso tornar-se-ia mais difícil se os Democrats ganhassem o controlo do Congresso nas eleições intercalares de novembro.
- Em setembro de 2022 os gasodutos foram danificados por uma série de explosões subaquáticas, tendo sido desactivados depois de Moscovo restringir o gás à Europa.
Porque é importante
Se avançassem, estes contactos reverteriam um pilar central da dissociação energética da Europa em relação à Rússia depois da invasão de 2022, ligando potenciais negócios norte-americanos a uma reaproximação entre Washington e Moscovo. A oposição alemã e europeia, combinada com o regime de sanções em vigor, indica que mesmo um levantamento das sanções americanas não bastaria por si só para reabrir a rota. A eventual associação de alívio de sanções a uma compra, por um consórcio internacional, de activos europeus da petrolífera russa Lukoil torna o tema ainda mais sensível.
O que aconteceu
Contactos entre enviados norte-americanos e russos nas últimas semanas, em Moscovo e Nova Iorque, exploraram a hipótese de envolver um investidor dos EUA na reactivação dos gasodutos Nord Stream, danificados em setembro de 2022 por explosões subaquáticas e desactivados depois de Moscovo restringir o gás à Europa. Do lado norte-americano participou Jared Kushner, enviado especial e genro do Presidente Donald Trump; do lado russo participou Kirill Dmitriev, conselheiro próximo de Vladimir Putin. Os dois já se tinham encontrado em Nova Iorque a 24 de setembro, com Steve Witkoff, também enviado especial dos EUA. A Casa Branca condicionou qualquer entendimento à coordenação com a DFC e o Departamento do Tesouro, e garantiu que os contribuintes e as empresas americanas têm de beneficiar do eventual acordo. O mesmo porta-voz afirmou que não houve recentemente discussões específicas sobre o Nord Stream. Os gasodutos permanecem sob sanções dos EUA e da UE, e Berlim já indicou que qualquer reactivação careceria de aprovação federal — aprovação que o executivo alemão não tenciona conceder, tendo encontrando fontes alternativas.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A imprensa ucraniana destaca a história como um possível volte-face na política energética ocidental face à Rússia e sublinha a oposição europeia. As notícias apontam Dmitriev como um interlocutor com ligações directas ao Kremlin e ligam as conversações a um esquema mais amplo de reaproximação EUA-Rússia que poderia incluir alívio de sanções sobre activos russos na Europa, como os da Lukoil.
Onde as versões divergem
A Casa Branca negou que tenham havido recentemente conversas específicas sobre o Nord Stream, enquanto fontes citadas pela Reuters descreveram contactos em curso em que o tema continuou na agenda. Há também divergência quanto à profundidade com que Kushner e Dmitriev discutiram o Nord Stream nos encontros de Moscovo e Nova Iorque: algumas fontes apresentam o dossier como activamente em negociação, outras indicam que não está esclarecido se — e em que termos — foi abordado em cada reunião.
Contexto
Antes da invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, a Alemanha comprava mais de metade do seu gás à Rússia através dos dois gasodutos Nord Stream, que foram desactivados depois de Moscovo restringir os fornecimentos à Europa. Em setembro de 2022, os gasodutos foram danificados por uma série de explosões subaquáticas. O operador do Nord Stream tem a Gazprom como accionista maioritária (51%); 31% estão distribuídos por duas empresas alemãs e o restante pertence a accionistas francês e neerlandês, sendo que os parceiros alemães pretendem manter as suas participações se a Gazprom vender. Dmitriev encontrou-se no mês passado com representantes do Departamento de Energia e do Departamento do Tesouro dos EUA para discutir potenciais iniciativas energéticas bilaterais.