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Negociações EUA-Rússia incluem negócio de milhares de milhões com ativos da Lukoil

As conversações entre os Estados Unidos e a Rússia para pôr fim à guerra na Ucrânia foram alargadas para incluir um acordo de milhares de milhões de dólares relativo aos ativos internacionais da petrolífera russa Lukoil, incluindo campos petrolíferos, refinarias e postos de gasolina. O negócio exige a aprovação tanto do Governo dos EUA como do Kremlin, e o desfecho depende em última análise das decisões de Donald Trump e Vladimir Putin.

Pontos principais

  • Negociações EUA-Rússia incluem acordo multibilionário com ativos internacionais da Lukoil.
  • Portfólio inclui campos na Câmara, refinarias na Europa e postos de gasolina no New Jersey.
  • Putin levantou a questão do negócio em reunião com Steve Witkoff e Jared Kushner no Kremlin a 5 de setembro.
  • Putin propôs o negócio como forma de mostrar aos russos que podem fazer negócios com os EUA.
  • Lidera o grupo de compradores o investidor americano Todd Boehly, que doou 2 milhões de dólares a projetos políticos de Trump.
  • Participam ainda dois grupos do Médio Oriente ligados a Kushner ou à família de Witkoff e a unidade estatal norte-americana DFC.
  • Aprovação dos EUA levantaria sanções sobre os ativos, aumentando instantaneamente o seu valor.

Porque é importante

Um negócio energético de milhares de milhões de dólares foi integrado no quadro das negociações EUA-Rússia sobre a guerra na Ucrânia, esbatendo a linha entre diplomacia de paz e negócios comerciais. A aprovação norte-americana levantaria as sanções sobre os ativos, aumentando instantaneamente o seu valor e redesenhando a política de sanções contra uma das maiores petrolíferas russas. O desfecho depende pessoalmente de Putin e Trump, com agências do Governo dos EUA, intermediários ligados a Trump e investidores do Médio Oriente diretamente envolvidos. A administração Trump tem sinalizado disponibilidade para fechar grandes acordos económicos com a Rússia antes mesmo do fim da guerra, indicando uma estratégia de engagement económico como instrumento de pressão.

O que aconteceu

As conversações entre os Estados Unidos e a Rússia para pôr termo à guerra na Ucrânia foram alargadas para incluir um negócio de milhares de milhões de dólares relativo à carteira internacional de ativos da Lukoil — campos petrolíferos, refinarias e postos de gasolina em todo o mundo, incluindo ativos na Câmara, na Europa e no New Jersey. Vladimir Putin levantou o assunto numa reunião com os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner no Kremlin em 5 de setembro, propondo o negócio como forma de mostrar aos russos que podem fazer negócios com os Estados Unidos. A parte norte-americana respondeu que trabalharia no negócio, encarando-o como uma via para construir boas relações com o Kremlin e baixar os preços globais da energia. Embora a Lukoil seja formalmente uma empresa privada, a decisão cabe em última análise a Putin e a Trump, e o acordo ainda precisa da aprovação do Departamento do Tesouro dos EUA, que tutela as sanções contra a Lukoil. O grupo de potenciais compradores é liderado pelo investidor americano Todd Boehly, que doou 2 milhões de dólares a projetos políticos de Trump, e integra também dois grupos do Médio Oriente com ligações comerciais a Kushner ou à família de Witkoff, bem como a International Development Finance Corporation (DFC), uma unidade do Governo dos EUA. O New York Times, que revelou a história a partir de oito fontes familiarizadas com as negociações, não encontrou indícios de que Kushner ou Witkoff venham a lucrar pessoalmente com o negócio. Um porta-voz de Witkoff afirmou que ele não tem conflito de interesses nem participação financeira no acordo. As negociações decorrem há vários meses e a licença de sanções dos EUA relativa aos ativos estrangeiros da Lukoil expira a 29 de outubro.

Como o descrevem as fontes ucranianas

As seis fontes que cobriram a história são todas media ucranianos em língua ucraniana, e todas reproduzem a investigação do The New York Times. Os títulos ucranianos enquadram o negócio petrolífero como parte das negociações sobre a guerra na Ucrânia, sublinhando a ligação entre o acordo da Lukoil e as conversações de paz, mais do que os detalhes comerciais. A cobertura ucraniana coloca o negócio no âmbito do envolvimento mais amplo entre EUA e Rússia, com títulos que associam explicitamente o acordo multibilionário à guerra na Ucrânia.

Onde as versões divergem

As fontes divergem na ortografia e identificação do principal investidor norte-americano: a maioria escreve «Todd Boehly», enquanto outras escrevem «Todd Boelie». Os investidores catari são designados de formas diferentes — «Mutaz Alhayat e Ramez Alhayat» nuns casos e «Mutaz e Ramez Al-Hayati» noutros. A data do negócio Lukoil-Carlyle é indicada como «finais de janeiro de 2026» em alguns artigos e de forma ambígua como «finais de janeiro de 2025/2026» noutro.

Contexto

Em outubro de 2025, os EUA impuseram pela primeira vez no segundo mandato de Trump novas sanções contra a Rússia, atingindo as duas maiores petrolíferas russas, a Rosneft e a Lukoil. Após essas sanções, a Lukoil anunciou a intenção de vender os seus ativos estrangeiros. A Lukoil chegou a aceitar uma proposta do trader internacional de matérias-primas Gunvor e concordou nos termos principais, mas o negócio não avançou por falta de aprovação do Tesouro norte-americano. No final de janeiro de 2026, a Lukoil assinou um acordo com a empresa de investimento norte-americana Carlyle para vender a LIG, que continua a aguardar aprovação do OFAC. A administração Trump tem vindo a prorrogar repetidamente o prazo para a venda dos ativos da Lukoil, cuja licença atual de sanções expira a 29 de outubro de 2026. No início do ano, a Lukoil estimou os seus ativos internacionais em cerca de 20 mil milhões de dólares; o preço final do negócio ainda não é conhecido. Trump promove a ideia de negócios com a Rússia desde o início de 2025, descrevendo o país como uma «enorme oportunidade». Kushner e Witkoff visitaram a Rússia por diversas vezes para reuniões com Putin e argumentaram que a perspetiva de restabelecer laços económicos com o Ocidente poderia convencer Putin a comprometer-se na Ucrânia.