Sistema eletrónico ucraniano 'Lima' desvia dois mísseis balísticos russos que seguiam para um edifício governamental em Kiev
Dois mísseis balísticos russos em direção a um edifício governamental em Kiev foram desviados em 2026 pelo sistema de guerra eletrónica 'Lima', operado pelo grupo 'Nichtna Varta', acabando por cair no rio Dnipro. O caso foi divulgado pelo The Wall Street Journal com base em fontes militares ucranianas, que descrevem a técnica de spoofing utilizada e o efeito colateral nas aplicações de navegação dos habitantes de Kiev.
Pontos principais
- Os dois mísseis seguiam para um edifício governamental em Kiev a velocidade hipersónica.
- O sistema 'Lima' (guerra eletrónica) do grupo 'Nichtna Varta' injetou sinais falsos de navegação — método chamado spoofing — e desorientou os míssil.
- Após a interferência, os míssil caíram no rio Dnipro.
- Por volta da mesma hora, várias aplicações de navegação em Kiev mostravam os utilizadores supostamente em Peru.
- O major 'Alkhimik' do grupo disse que o 'Lima' atua a cerca de 193 km (cerca de 120 milhas).
- Em novembro de 2025, o 'Nichtna Varta' afirmou ter intercetado um míssil hipersónico russo 'Kinzhal' com o mesmo sistema.
- A guerra eletrónica não substitui por completo os intercetores Patriot, segundo o WSJ e os especialistas ouvidos.
Porque é importante
O caso mostra uma capacidade eletrónica de fabrico ucraniano capaz de perturbar míssil balísticos hipersónicos, que são dos alvos mais difíceis para a defesa antiaérea tradicional. Oferece uma alternativa mais barata aos intercetores Patriot, relevante para os limitados arsenais de míssil intercetores da Ucrânia. ilustra ainda a corrida tecnológica entre as contramedidas russas (antenas CRPA chinesas) e as atualizações ucranianas, como o 'Lima Quant'.
O que aconteceu
Segundo o The Wall Street Journal, que cita fontes militares ucranianas, dois míssil balísticos russos em direção a um edifício governamental em Kiev foram desviados pelo sistema de guerra eletrónica 'Lima'. Os engenhos deslocavam-se a velocidade hipersónica quando foram atingidos por sinais falsos de navegação — uma técnica de spoofing — que substituíram os dados reais de posição e direção transmitidos aos míssil. Após a desorientação, caíram no rio Dnipro.
O sistema é operado pelo grupo de guerra eletrónica 'Nichtna Varta' (Vigília Noturna). Um oficial com o indicativo 'Alkhimik' explicou ao WSJ que o 'Lima' consegue interferir com drones, míssil e bombas aéreas guiadas a cerca de 193 km (cerca de 120 milhas). Cerca da mesma hora, várias aplicações de navegação de habitantes de Kiev mostravam os utilizadores supostamente em Peru — efeito que o jornal descreveu como uma espécie de 'cartão de visita eletrónico' do trabalho do grupo.
Vários especialistas ucranianos e ocidentais em defesa antiaérea confirmaram ao WSJ que sistemas como o 'Lima' são capazes de perturbar ataques com míssil balísticos, embora não substituam por completo os intercetores Patriot. O WSJ recorda que os míssil balísticos russos já atravessaram mais do que uma vez a defesa antiaérea de Kiev este ano.
Como o descrevem as fontes ucranianas
Toda a imprensa fornecida consiste em órgãos de comunicação ucranianos que reproduzem a notícia do WSJ e a enquadram como um sucesso nacional, sublinhando que um sistema de guerra eletrónica fabricado na Ucrânia protegeu um edifício governamental em Kiev. As manchetes destacam resultados práticos — dois míssil desviados, a queda no Dnipro — e a vantagem de custo face aos intercetores Patriot. A cobertura também amplia o contexto mais amplo da guerra eletrónica: a alegada intercetação do 'Kinzhal' em novembro de 2025, o desenvolvimento do 'Lima Quant', a escalada russa das antenas CRPA e números elevados de interceção de drones apresentados pela Phantom Defense e pelo 3.º Corpo de Exército.
Onde as versões divergem
Dois pontos dividem as fontes. Primeiro, o alcance indicado para o sistema 'Lima': o major 'Alkhimik' refere cerca de 193 km (120 milhas), enquanto a cobertura mais ampla do WSJ e outros resumos mencionam até 200 km.
Segundo, a história da alegada intercetação do míssil 'Kinzhal' em novembro de 2025: algumas fontes atribuem-na exclusivamente ao WSJ, outras lembram também uma reportagem do The Telegraph segundo a qual o 'Lima' redirecionou o míssil com comandos de navegação e uma canção.
Contexto
Os míssil balísticos são alvos difíceis para a defesa antiaérea devido à sua elevada velocidade e trajetória de voo. Em novembro de 2025, o mesmo grupo afirmou ter intercetado um míssil hipersónico russo 'Kinzhal' por spoofing com o 'Lima'. No final de 2024, a Ucrânia descobriu que a Rússia começara a instalar antenas chinesas do tipo CRPA nos míssil e drones, capazes de detetar a fonte de interferência e de a contornar; Moscovo tem vindo a aumentar o número destas antenas (de 4 para 8, 16 e, agora, 32).
Em resposta, os programadores do 'Lima' trabalharam com o fabricante Cascade para criar em cerca de três meses o 'Lima Quant', que utiliza novos algoritmos matemáticos para vencer a proteção das antenas CRPA. Um oficial das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia afirmou que o 'Lima' suprime entre 70% e 95% dos drones radiocomandados no setor da sua equipa, embora por vezes também interfira com drones ucranianos. O artigo do WSJ sobre o incidente foi publicado a 6 de outubro (contexto: 2026).