NATO prepara "Teoria da Vitória" para deter Rússia no flanco leste com drones e IA
O Comandante Supremo Aliado da NATO na Europa, General Alexus Grinkevich, está a desenvolver um documento estratégico intitulado "Teoria da Vitória", que descreve como a Aliança responderia rapidamente a uma eventual invasão russa no flanco leste. A estratégia combina forças terrestres com drones, sistemas com tripulação mínima e tecnologias de inteligência artificial, e será apresentada na Polónia a 12 de outubro.
Pontos principais
- O documento chama-se "Teoria da Vitória" e está a ser preparado pelo Comandante Supremo Aliado da NATO na Europa, General Alexus Grinkevich.
- Será apresentado na Polónia a 12 de outubro de 2026.
- A Bloomberg obteve informação a partir de uma versão não classificada do documento.
- Em caso de ataque, a NATO planeia bloquear a invasão no quadro da "Iniciativa de Dissuasão do Flanco Leste", recorrendo a drones de baixo custo, sistemas com tripulação mínima e targeting com IA.
- O documento sublinha o carácter estritamente defensivo da Aliança e a necessidade de evitar provocações involuntárias.
- Após obter liberdade de manobra, a NATO procuraria destruir o sistema de comando e controlo do adversário para derrotar rapidamente as forças russas.
- O documento apela a maior investimento na defesa e à integração de capacidades tradicionais com tecnologias surgidas após a invasão russa da Ucrânia em 2022.
Porque é importante
O documento define como a NATO pretende defender o flanco leste contra uma eventual agressão russa, integrando tecnologias de guerra — drones e IA — moldadas pelo conflito na Ucrânia. Destina-se a persuadir os aliados a aumentar o investimento em defesa e a justificar onde esse dinheiro é gasto, equilibrando armamento tradicional com capacidades novas. Ao apresentar uma postura rápida, decisiva e baseada em tecnologia, a NATO procura dissuadir a Rússia, sinalizando que uma vitória seria impossível.
O que aconteceu
O Comandante Supremo Aliado da NATO na Europa, General Alexus Grinkevich, está a desenvolver um documento estratégico intitulado "Teoria da Vitória", que descreve como a Aliança responderia a uma eventual invasão do seu território. A Bloomberg obteve uma versão não classificada do documento, que será formalmente apresentado por Grinkevich na Polónia a 12 de outubro de 2026. A estratégia combina forças terrestres com outras capacidades ao abrigo da "Iniciativa de Dissuasão do Flanco Leste da NATO", um conceito baseado em drones de baixo custo, sistemas com tripulação mínima e targeting baseado em inteligência artificial. O documento sublinha o carácter puramente defensivo da Aliança, a necessidade de evitar provocações não intencionais e a importância de contrariar coletivamente as ameaças híbridas como parte da dissuasão. Após obter liberdade de manobra, a NATO procuraria destruir o sistema de comando e controlo do adversário para derrotar de forma rápida e decisiva as forças russas. O porta-voz de Grinkevich, Coronel Martin O'Donnell, recusou comentar detalhes do plano e limitou-se a reiterar que a Aliança é "puramente defensiva".
Como o descrevem as fontes ucranianas
As fontes fornecidas são todas ucranianas e convergem na mesma linha: a NATO está a preparar a "Teoria da Vitória" contra a Rússia, com ênfase na urgência de dissuadir um ataque russo ao flanco leste. Os títulos em ucraniano destacam sistematicamente a componente de drones e IA, apresentando a iniciativa como uma modernização da NATO em resposta às lições da guerra na Ucrânia. A narrativa coloca a NATO — e em particular Grinkevich — como ator central do plano, com a Rússia no papel de potencial agressor, sem aprofundar os debates intra-aliados sobre divisão de encargos ou a redução das tropas norte-americanas na Europa.
Onde as versões divergem
As fontes divergem na forma como descrevem a divulgação do documento: algumas dizem que a Bloomberg obteve uma versão não classificada, outras referem que será apresentado por Grinkevich na Polónia a 12 de outubro, e outras ainda tratam-no apenas como um documento que está a ser preparado, sem especificar o modo de divulgação.
Contexto
A invasão russa da Ucrânia em 2022 levou os membros da NATO a aumentar significativamente as despesas de defesa e a repensar a integração de novas tecnologias — drones, IA, sistemas com tripulação mínima — com o armamento tradicional. Vários aliados do flanco leste, como Estónia, Lituânia e Suécia, têm tomado medidas preparatórias: redesdobrar brigadas para mais perto da fronteira russa, elaborar planos de evacuação civil e adotar novos conceitos para as forças aéreas. O Serviço Federal de Inteligência alemão (BND) avisou publicamente que a confrontação com a Rússia adquiriu "uma qualidade nova e perigosa" e vê um risco real de conflito armado. A Rússia emitiu avisos sobre o uso de armamento nuclear em resposta a atividades da NATO, incluindo cenários envolvendo Kalinigrado, enquanto o Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, afirmou que as respostas da Aliança a ataques híbridos russos nem sempre são públicas e seguem uma lógica de "tit-for-tat". Os Estados Unidos enviaram um questionário aos aliados para avaliar despesas de defesa e forças adicionais disponíveis para os planos de Grinkevich, num contexto de planeada redução dos recursos militares norte-americanos empenhados na defesa da Europa.