Publicado: · Atualizado:

Administração Trump exclui Reino Unido, França e países Bálticos de reunião da NATO na Polónia

Os Estados Unidos não convidaram vários aliados-chave da NATO, incluindo o Reino Unido, França e os estados Bálticos, para uma reunião de um grupo de trabalho sobre o futuro da Aliança agendada para o próximo mês na Polónia. O encontro foi convocado pelo Subsecretário de Defesa dos EUA para a Política, Elbridge Colby, no seguimento de duas reuniões anteriores no chamado formato Bergen Group.

Pontos principais

  • Os Estados Unidos não convidaram vários aliados-chave da NATO, entre os quais Reino Unido, França e os estados Bálticos, para uma reunião prevista para novembro na Polónia.
  • A reunião foi iniciada pelo Subsecretário de Defesa dos EUA para a Política, Elbridge Colby, e funciona como um grupo de trabalho sobre o futuro da NATO.
  • Seis diplomatas disseram à Politico que o encontro na Polónia é efetivamente um grupo de trabalho focado no futuro da Aliança.
  • Colby realizou duas reuniões anteriores com Noruega, Suécia, Finlândia, Polónia, Alemanha e Países Baixos, no chamado formato Bergen Group, cuja primeira reunião decorreu em Bergen, Noruega, em junho.
  • O Secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, apoiou o conceito de aliados 'modelo' e alertou para consequências para países que não apoiem os interesses norte-americanos.
  • Vários dos aliados excluídos já atingiram ou ultrapassaram as metas de despesas de defesa exigidas pela administração Trump.
  • Os Estados Unidos podem convidar a Dinamarca para o grupo, na sequência de um acordo bilateral sobre a expansão da presença militar norte-americana na Gronelândia.

Porque é importante

A exclusão de aliados europeus importantes de um grupo de trabalho da NATO conduzido pelos EUA levanta questões sobre a coesão da Aliança num momento de pressão russa sobre a Europa. A lógica de separar aliados entre 'obedientes' e 'desobedientes' pode moldar debates futuros sobre a distribuição de responsabilidades dentro da NATO, sobretudo quando vários dos países excluídos já cumprem as metas de defesa exigidas por Washington.

O que aconteceu

Os Estados Unidos convocaram uma reunião de um grupo de trabalho sobre o futuro da NATO para o próximo mês na Polónia, mas não convidaram vários aliados europeus de peso. Entre os excluídos estão o Reino Unido, França e os estados Bálticos, segundo seis diplomatas ouvidos pela Politico. O encontro foi iniciado pelo Subsecretário de Defesa dos EUA para a Política, Elbridge Colby, e dá continuidade a duas reuniões anteriores realizadas no chamado formato Bergen Group, que envolveu Noruega, Suécia, Finlândia, Polónia, Alemanha e Países Baixos — a primeira das quais teve lugar em Bergen, Noruega, em junho. Os aliados convidados no formato Bergen Group afirmam que o objetivo é desenvolver ideias a apresentar à Aliança para análise, e não dividir a NATO. Colby enquadrou publicamente o objetivo como o de unificar a NATO, tornando-a 'melhor, mais forte e mais resiliente', e de dotar a Europa de maior capacidade militar. Vários dos aliados não convidados já atingiram ou ultrapassaram as metas de despesas de defesa exigidas pela administração norte-americana, o que complica a justificação para a sua exclusão.

Como o descrevem as fontes internacionais

A cobertura internacional apresenta a iniciativa como uma controvérsia interna na NATO em torno da forma como Washington está a reordenar o seu relacionamento com aliados europeus. Os meios ucranianos que republicaram a notícia da Politico destacam sobretudo quais aliados tradicionais europeus foram excluídos — Reino Unido, França, estados Bálticos, parceiros da UE — e o caráter de grupo de trabalho do encontro, sublinhando dinâmicas institucionais dentro da NATO mais do que implicações diretas para a Ucrânia.

Contexto

A reunião na Polónia surge no seguimento de dois encontros anteriores organizados por Elbridge Colby com Noruega, Suécia, Finlândia, Polónia, Alemanha e Países Baixos, no chamado formato Bergen Group, cuja primeira reunião decorreu em Bergen, Noruega, em junho. Os Estados Unidos ponderam convidar a Dinamarca para o grupo, após um acordo bilateral sobre a expansão da presença militar norte-americana na Gronelândia. Em abril, a Casa Branca terá elaborado uma lista de aliados 'obedientes e desobedientes', procurando formas de punir países que não seguissem os desígnios do Presidente Trump, e o Secretário da Defesa Pete Hegseth apoiou o conceito de aliados 'modelo'. No mês passado, Trump reduziu abruptamente os exercícios militares conjuntos planeados com a Coreia do Sul, citando a recusa de Seul em aderir a uma guerra contra o Irão. Trump e os seus associados mais próximos têm criticado a NATO pela recusa de alguns membros em apoiar uma guerra contra o Irão e por certos países não afetarem 5% do PIB à defesa. O Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, afirmou a 29 de setembro que a Aliança está a considerar várias opções, incluindo opções não públicas, para responder aos ataques híbridos russos.