Publicado: · Atualizado:

Chefe militar da NATO: Aliança está preparada para responder a eventual escalada da Rússia na fronteira leste

O presidente do Comité Militar da NATO, almirante Giuseppe Cavo Dragone, afirmou em 19 de setembro, em encontro dos 32 chefes militares da Aliança em Genebra, que a NATO está pronta para responder a uma possível escalada da Rússia na sua fronteira leste. Dragone sublinhou que o dispositivo militar, as forças e o equipamento estão prontos e que existem cerca de 4.000 páginas de planos de defesa para cenários que vão da crise mínima a uma intervenção em território da Aliança. A declaração surge num momento em que Polónia, França, Países Baixos, Lituânia e Letónia alertam para o risco de uma provocação russa iminente contra um país da NATO.

Pontos principais

  • O almirante Giuseppe Cavo Dragone afirmou em 19 de setembro, em encontro dos 32 chefes militares da NATO em Genebra, que a Aliança está pronta para responder a uma escalada russa na fronteira leste
  • Dragone indicou que a NATO conta com cerca de 4.000 páginas de planos militares para a defesa da fronteira leste, cobrindo cenários que vão da crise mínima à intervenção em território aliado
  • A NATO continuou em 2023, após a invasão russa da Ucrânia, a acordar três planos operacionais de defesa regional e prossegue o reforço das suas forças em número e equipamento
  • O primeiro-ministro polaco Donald Tusk avisou que Moscovo pode, nos próximos meses, realizar um ataque com drones ou mísseis contra um país da NATO sob a forma de provocação encenada para testar a Aliança
  • Representantes de França e dos Países Baixos também alertaram para o risco de uma provocação russa contra Estados da NATO
  • O presidente da Letónia, Edgars Rinkēvičs, afirmou que a maioria dos países da NATO não conseguiria atualmente repelir um ataque de mísseis russo em caso de alargamento do conflito
  • A 15 de setembro, o assessor presidencial russo Nikolai Patrushev afirmou que, em caso de ação militar contra a Rússia, Varsóvia desapareceria «em dois ou três dias»

Porque é importante

A declaração parte do mais alto responsável militar da Aliança, num momento em que várias capitais europeias têm alertado para o risco de uma provocação russa iminente contra um país da NATO. Dragone procura assegurar que a NATO está preparada — com planos já elaborados e forças em reforço —, mas surge em paralelo com avaliações muito mais cautelosas vindas da Polónia, da Lituânia, da Letónia, de França e dos Países Baixos sobre a real capacidade de defesa europeia face a um ataque russo. A mensagem procura também responder à preocupação de que Moscovo procura explorar divisões internas, insistindo que essas tentativas, afinal, reforçam a coesão da NATO.

O que aconteceu

Em 19 de setembro, em Genebra, na reunião dos 32 chefes militares da NATO, o presidente do Comité Militar, almirante Giuseppe Cavo Dragone, afirmou que a Aliança está pronta para responder a uma eventual escalada russa na sua fronteira leste. Dragone sublinhou que o dispositivo, os soldados e o armamento estão preparados e que a NATO continua a aumentar as suas forças em número e em capacidade técnica. Revelou ainda que existem cerca de 4.000 páginas de planos militares de defesa da fronteira leste, cobrindo cenários desde uma crise mínima até a uma intervenção em território aliado — um trabalho enquadrado pelos três planos operacionais de defesa regional acordados em 2023, após a invasão russa da Ucrânia. Dragone também descreveu como «irresponsável» a conduta da Rússia nas últimas semanas e meses, acusando Moscovo de procurar minar a confiança e a unidade aliadas, e garantiu que essas ações, em vez de dividir a Aliança, a tornam mais coesa e resoluta. A reunião não abordou especificamente os recentes avisos aliados sobre uma eventual provocação russa.

Como o descrevem as fontes ucranianas

As fontes ucranianas centram a atenção na declaração de Dragone, mas dão grande relevo aos avisos vindos da Polónia, França, Países Baixos, Lituânia e Letónia sobre ameaças híbridas ou diretas iminentes da Rússia contra a fronteira leste da NATO. Destacam incidentes concretos recentes — a interceção de drones ao largo da Roménia, um drone armado encontrado no aeroporto de Leipzig, um drone entrado na Lituânia a partir da Bielorrússia, uma alegada incêndio organizado pela Rússia numa fábrica de drones na Estónia — como evidência de uma campanha russa em escalada. Confrontam a mensagem de prontidão de Dragone com a avaliação, atribuída ao presidente letão Edgars Rinkēvičs (embora uma fonte a atribua a Zelensky), de que a maioria dos países da NATO não conseguiria repelir um ataque de mísseis russo. Incluem ainda a observação do Centro de Comunicações Estratégicas da Ucrânia de que Moscovo também calculou conquistar Kiev rapidamente, contextualizando a afirmação de Patrushev sobre Varsóvaria, e referem as declarações na conferência YES de Radosław Sikorski de que a Polónia e os aliados poderiam derrotar rapidamente a Rússia em caso de ataque.

Como o descrevem as fontes internacionais

As fontes consultadas não oferecem uma moldura internacional distinta da ucraniana neste caso.

Onde as versões divergem

As fontes divergem quanto à data do aviso do primeiro-ministro Donald Tusk sobre uma possível provocação russa: algumas indicam apenas «quinta-feira», enquanto outras apontam 17 ou 18 de setembro. Discrepam também quanto à autoria das afirmações de que a maioria dos países da NATO não repeliria um ataque de mísseis russo e que a Europa não acompanha a evolução da guerra com drones — algumas fontes atribuem-nas ao presidente da Letónia, Edgars Rinkēvičs, enquanto uma as atribui ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

Contexto

Em 2023, após a invasão russa da Ucrânia, os aliados da NATO aprovaram três planos operacionais de defesa regional. Em agosto, relatórios da inteligência norte-americana incluíam um alerta de que Moscovo estaria a planear um ataque limitado contra um país da NATO nos próximos anos. Nas últimas semanas, a Europa registou um número crescente de violações de espaço aéreo e de tentativas de sabotagem. A 15 de setembro, o assessor presidencial russo Nikolai Patrushev afirmou que, em caso de ações militares contra Moscovo, a cidade de Varsóvia desapareceria «em dois ou três dias». Na conferência YES na Ucrânia, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Radosław Sikorski, afirmou que a Polónia e os aliados poderiam derrotar rapidamente a Rússia em caso de ataque, destacando uma «vantagem esmagadora» em aviação e armas modernas de longo alcance.