EUA sancionam rede financeira russa A7 e incluem Irão na operação «Economic Outcast»
O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a 1 de outubro de 2026 novas sanções contra a rede financeira russa A7, designada como organização criminosa transnacional. A A7, descrita como uma infraestrutura usada pela Rússia e pelo Irão para contornar sanções, movimentou um volume equivalente a cerca de 13% do comércio externo russo em 2025. As medidas congelam ativos da rede nos EUA e ampliam o bloqueio aos seus intermediários.
Pontos principais
- Tesouro dos EUA designou a rede A7 como organização criminosa transnacional no quadro da operação «Economic Outcast»
- Volume total de operações via A7 excedeu 7,5 biliões de rublos, cerca de 91,5 mil milhões de dólares — aproximadamente 13% do comércio externo russo de 2025
- Só as empresas intermediárias da A7 processaram mais de 17 mil milhões de dólares entre janeiro de 2025 e junho de 2026
- Rede é descrita como pertença do oligarca moldavo Ilan Shor e do banco russo Promsvyazbank, já sob sanções dos EUA, Reino Unido e UE
- A7 utilizou mais de 70 empresas-fantasma, criptomoedas e uma aplicação com IA para criar registos fictícios de operações comerciais
- Todas os ativos da A7 nos EUA ficam bloqueados; transações de pessoas americanas com empresas detidas a 50% ou mais por pessoas sancionadas são proibidas
- Reino Unido já tinha sancionado a A7 em maio de 2026; FinCEN propôs cortar o acesso dos intermediários da A7 ao sistema financeiro norte-americano
Porque é importante
As sanções visam um canal de evasão que, segundo as autoridades norte-americanas, equivale a cerca de 13% do comércio externo russo de 2025. A A7 é descrita como tendo permitido a empresas russas sancionadas — entre as quais clientes do Promsvyazbank, banco ligado ao setor da defesa — comprar componentes para a produção de armas e drones, ligando diretamente o esquema ao esforço de guerra da Rússia. As medidas incluem uma proposta da FinCEN e um alerta aos bancos para cortar o acesso dos intermediários da A7 ao sistema financeiro dos EUA, indo além do congelamento de ativos. A ação foi enquadrada na operação «Economic Outcast», aproximando as frentes de sanções contra a Rússia e o Irão, e surge após o Reino Unido ter sancionado a mesma rede em maio de 2026.
O que aconteceu
O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a 1 de outubro de 2026 um novo pacote de sanções contra a rede financeira russa A7, designando-a como organização criminosa transnacional. A A7 e a sua infraestrutura foram detidas, e o escritório de controlo de ativos estrangeiros (OFAC) determinou o bloqueio de todos os ativos e interesses patrimoniais da rede nos EUA ou sob controlo de pessoas norte-americanas. Ficam proibidas as transações de pessoas dos EUA com empresas que atuem em nome da A7 ou que sejam detidas, individual ou coletivamente, em 50% ou mais por pessoas sancionadas. O Tesouro salientou que a A7 utilizou mais de 70 empresas-fantasma em vários países, criptomoedas e uma aplicação com inteligência artificial para criar registos falsos de operações comerciais, permitindo a empresas russas sob sanções transferir fundos e adquirir componentes, incluindo para a produção de armas e drones. A rede é apontada como tendo sido usada também pelo Irão, nomeadamente pela Guarda Revolucionária, e pelos seus subagentes, que terão prestado serviços a cibercriminosos e facilitado a venda de petróleo iraniano. Em termos de dimensão, a A7 processava, em janeiro de 2026, mais de 2.000 transações por dia, com um volume acumulado superior a 7,5 biliões de rublos (cerca de 91,5 mil milhões de dólares), ao qual se somam mais de 17 mil milhões de dólares movidos apenas pelos seus intermediários entre janeiro de 2025 e junho de 2026, segundo a FinCEN.
Como o descrevem as fontes ucranianas
As seis fontes que serviram de base à síntese são todas ucranianas e enquadram a ação dos EUA sobretudo como o bloqueio de um canal russo de evasão de sanções, e não como uma medida centrada no Irão. As manchetes destacam os valores movimentados — 6,9 mil milhões de dólares através do sistema bancário internacional e mais de 90 mil milhões no total — e sublinham que a A7 ajudou empresas russas sancionadas, com referência explícita à compra de componentes para armas e drones. As fontes sublinham igualmente a participação do Promsvyazbank, ligado ao complexo militar-industrial russo, e a propriedade conjunta com o oligarca moldavo Ilan Shor, e notam que o Reino Unido já tinha sancionado a mesma rede em maio de 2026.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobretudo na forma de apresentar a escala financeira da A7. Uma das fontes, citando o Financial Times, atribui 6,9 mil milhões de dólares a transferências feitas pela A7 através do sistema bancário internacional por métodos tradicionais de branqueamento, enquanto os restantes números — 91,5 mil milhões de dólares de volume total e mais de 17 mil milhões apenas pelos intermediários entre janeiro de 2025 e junho de 2026 — medem grandezas distintas, e a síntese apresenta a primeira como um subconjunto das outras.
Contexto
A A7 tinha já sido sancionada pelo OFAC em agosto de 2025, em conjunto com as suas estruturas A71 e A7 Agent e com a empresa Old Vector. A rede é descrita como sendo controlada pelo oligarca moldavo Ilan Shor, sob sanções dos EUA, e pelo banco Promsvyazbank, que serve o setor da defesa russo e está sob sanções dos EUA, do Reino Unido e da UE. Em fevereiro de 2025, a A7 lançou no Quirguistão o token A7A5, uma stablecoin indexada ao rublo e respaldada por depósitos no Promsvyazbank, com operações processadas através da bolsa de criptomoedas Grinex, também aí sediada; em quatro meses terão sido transferidos cerca de 9,3 mil milhões de dólares pelo A7A5. Até agora, segundo os dados disponíveis, os EUA tinham atuado sobre alguns bancos regionais e companhias aéreas iranianas, mas não tinham sancionado qualquer grande instituição financeira internacional, nem a China, que compra 90% do petróleo iraniano.