Publicado: · Atualizado:

Centro de dados Parkovy de Kiev encerra totalmente após ataques russos repetidos

O centro de dados Parkovy, instalado no Centro de Convenções e Exposições Parkovy, no centro de Kiev, cessou totalmente a sua atividade a 1 de outubro, depois de ter sofrido danos críticos em ataques russos sucessivos em finais de setembro. O operador declarou impossível restaurar os serviços no local e transferiu os dados dos clientes para centros de reserva em países da União Europeia.

Pontos principais

  • O centro de dados Parkovy, em Kiev, anunciou a 1 de outubro a paragem total e definitiva das operações.
  • O operador considerou impossível a restauração dos serviços no local devido aos danos críticos.
  • Os dados dos clientes foram migrados para centros de reserva em países da União Europeia.
  • Entre 23 e 28 de setembro, ataques russos danificaram pelo menos seis centros de dados em Kiev, incluindo MiroHost, Parkovy, Data Group, UTELS e Pavutyna.
  • Foram também atingidas infraestruturas da Kyivstar e da Ukrtelecom.
  • Nenhum trabalhador do Parkovy ficou ferido nos ataques.
  • O governo ucraniano atribuiu 518,3 milhões de hryvnia do fundo de reserva ao reforço dos sistemas de informação de reserva dos organismos estatais.

Porque é importante

A destruição do Parkovy elimina uma peça significativa da infraestrutura de alojamento de dados no centro de Kiev e ilustra uma tendência de ataques russos repetidos a infraestruturas civis de telecomunicações. A migração dos dados para a UE preservou a informação dos clientes, mas a perda física do local afeta serviços e empresas que nele dependiam. O caso insere-se numa vaga mais ampla que, numa única semana, danificou pelo menos seis centros de dados em Kiev e infraestruturas de grandes operadores, justificando a resposta do governo com financiamento de emergência e medidas reforçadas de proteção.

O que aconteceu

A 1 de outubro de 2026, o centro de dados Parkovy, situado no Centro de Convenções e Exposições Parkovy, no centro de Kiev, anunciou publicamente a cessação total das operações. A operadora declarou que os danos críticos sofridos no local tornavam impossível a restauração dos serviços e informou que os dados dos clientes tinham sido transferidos para centros de reserva em países da União Europeia, acrescentando que nenhum trabalhador tinha ficado ferido.

O Parkovy tinha suspendido a atividade cerca de seis dias antes, após um ataque de drones russos em 23 de setembro que atingiu em dupla onda o edifício do centro de convenções, provocando danos significativos e levando à relocalização dos eventos previstos. Um novo ataque em 29 de setembro causou destruição adicional. A operadora tinha já vindo a avaliar, na semana anterior, a possibilidade de migrar parcialmente ou totalmente os sistemas de TI para a nuvem na UE e de guardar cópias de segurança em sítios europeus, mantendo o ambiente de produção na Ucrânia.

A vaga de ataques de finais de setembro atingiu também as infraestruturas da Kyivstar e da Ukrtelecom e danificou pelo menos seis centros de dados em Kiev, entre os quais MiroHost, Data Group, UTELS, Pavutyna e Cosmonova, além do prestador de internet Kolo.TB. Vários canais de televisão ucranianos — Novyny.Live, Pryamyi, Armiya TV, Suspilne, Kyiv24 e o Canal 5 — relataram problemas técnicos ou suspenderam emissões. Estima-se que cerca de 100 mil famílias em Kiev e na região tenham ficado temporariamente sem internet ou comunicações.

Onde as versões divergem

As fontes divergem em três pontos principais. Sobre a data do anúncio de encerramento do Parkovy, a maioria das fontes aponta para 1 de outubro, enquanto um registo interno indica 1 de outubro de 2026, sem alterar a cronologia mas salientando ambiguidade de metadados. Quanto ao número de infraestruturas atingidas, várias fontes falam em pelo menos seis centros de dados identificados em Kiev, enquanto uma estimativa presente nos factos fornecidos eleva a contagem para redes e centros de dados de pelo menos dez empresas. Por fim, diverge também a amplitude do impacto: algumas fontes referem cerca de 100 mil famílias em Kiev e região com problemas de internet, enquanto uma estimativa mais lata aponta para cerca de 100 mil famílias temporariamente privadas de comunicações em geral.

Contexto

O centro de dados Parkovy funcionava no interior do Centro de Convenções e Exposições Parkovy, um espaço no centro de Kiev também utilizado para eventos pela partido Servo do Povo. Nos dias que antecederam o anúncio de 1 de outubro, o Parkovy tinha já suspendido a sua atividade e estava a rever opções de migração e cópia de segurança de sistemas de TI para a nuvem e sítios na UE, mantendo o ambiente de produção na Ucrânia. A vaga de ataques de finais de setembro atingiu um conjunto alargado de operadores — MiroHost, Data Group, UTELS, Pavutyna, Cosmonova e o prestador de internet Kolo.TB — além de instalações da Kyivstar e da Ukrtelecom. Vários canais de televisão relataram problemas técnicos ou suspenderam emissões, e o Ministério da Defesa russo confirmou publicamente os ataques, descrevendo-os como um «detox digital».