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El Mundo: CIA alertou governos europeus sobre alegada operação russa com drones contra Espanha, França ou Itália

O jornal espanhol El Mundo publicou que a CIA avisou vários governos europeus sobre uma alegada operação russa com drones que poderia atingir Espanha, França ou Itália, com lançamentos a partir de navios mercantes em águas internacionais. O Presidente francês Emmanuel Macron e o Ministro da Defesa italiano Guido Crosetto rejeitaram publicamente essas informações, criando uma disputa visível sobre a credibilidade do alerta. O caso surge num momento em que vários aliados europeus relatam intensificação de ações híbridas atribuídas à Rússia.

Pontos principais

  • El Mundo reportou que a CIA alertou vários governos europeus sobre uma alegada operação russa com drones visando países mediterrânicos
  • Os eventuais alvos seriam Espanha, França ou Itália, segundo o relatório citado pelo jornal espanhol
  • Os drones seriam lançados de contentores escondidos em navios mercantes em águas internacionais, aponta o El Mundo
  • O tipo de drone mencionado no relatório é o «Gerbera», com cerca de 2 m de comprimento, envergadura de 2,5 m, até 18 kg, velocidade de cerca de 160 km/h e autonomia declarada de 600 km
  • O Presidente francês Emmanuel Macron negou publicamente que a CIA tenha informado serviços franceses sobre tal ataque
  • O Ministro da Defesa italiano Guido Crosetto classificou a publicação do El Mundo como infundada e sem base factual
  • O alerta chegou após a visita do Diretor da CIA John Ratcliffe a Moscovo em 25 de agosto

Porque é importante

A alegação descreve um plano concreto de guerra híbrida russa contra Estados membros da NATO e da UE no Mediterrâneo, identificando um vetor específico (drones lançados a partir de contentores em navios comerciais) que combina com incidentes recentes na Alemanha e na Polónia. O facto de altos responsáveis europeus desmentirem ou rejeitarem o alerta transforma-o numa disputa de credibilidade com implicações políticas internas — particularmente em França, Itália e Espanha, que têm eleições em 2027. O caso também insere a suposta operação russa numa narrativa de réplica à operação «Teia de Aranha» («Pavutyna») da Ucrânia, traçando uma linha direta entre a guerra na Ucrânia e a segurança europeia.

O que aconteceu

O jornal espanhol El Mundo publicou que a CIA dos EUA transmitiu a vários governos europeus um relatório detalhado sobre uma alegada operação russa com drones visando o Mediterrâneo. Segundo o jornal, que cita uma fonte próxima do Ministério da Defesa da Lituânia, os eventuais alvos seriam Espanha, França ou Itália, e os lançamentos seriam feitos a partir de contentores escondidos em navios mercantes em águas internacionais. O relatório descreve a possibilidade de uso de drones russos «Gerbera» — aparelhos com cerca de 2 metros de comprimento, envergadura de 2,5 metros, peso até 18 kg, velocidade próxima dos 160 km/h e autonomia declarada de 600 km — e procura enquadrar a operação como uma réplica à operação «Teia de Aranha» conduzida pela Ucrânia contra a aviação estratégica russa. De acordo com o El Mundo, a informação foi partilhada depois da visita do Diretor da CIA John Ratcliffe a Moscovo, em 25 de agosto, feita a bordo de uma aeronave militar norte-americana que fez escala em Riga, e que o Wall Street Journal e a Politico descreveram como uma advertência a Moscovo contra ataques ou provocações à NATO. O El Mundo acrescentou que o governo francês levou o relatório a sério: Macron teria convocado o Conselho de Defesa em 16 de setembro e, dois dias depois, reunido no Palácio do Eliseu os líderes de todos os partidos e os candidatos presidenciais para 2027. Após essa reunião, dirigentes da extrema-direita do «Rassemblement National» afirmaram que não contribuiriam para os objetivos da Rússia na guerra contra a Ucrânia. O Presidente francês Emmanuel Macron, no entanto, negou publicamente que a CIA tenha informado os serviços franceses sobre um eventual ataque com drones. Também o Ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, rejeitou a publicação do El Mundo, classificando-a como infundada e prejudicial e sublinhando que não há qualquer confirmação factual de ataques russos contra Itália, Espanha ou França. O tema surge num quadro mais amplo: o Comandante Supremo Aliado da NATO na Europa, Alexus Grynkewich, indicou que os aliados intensificaram a partilha de informação em resposta a uma onda de sabotagens e outros incidentes provavelmente ligados à Rússia; o Primeiro-Ministro polaco Donald Tusk falou em «planos de golpes híbridos» russos contra países que apoiam a Ucrânia; o chefe da diplomacia alemã, Johann Wadephul, alertou para a escalada da agressão russa contra a Europa; e os serviços de informação militar dinamarqueses previram uma intensificação da guerra híbrida de Moscovo nos próximos meses.

Como o descrevem as fontes internacionais

A cobertura internacional organiza-se em torno de três eixos principais. Em primeiro lugar, coloca-se a disputa de credibilidade entre a reportagem do El Mundo e os desmentidos públicos de Macron e Crosetto, que dominam o enquadramento, mais do que a análise da intenção russa. Em segundo lugar, vários responsáveis europeus — Tusk, Wadephul, o SACEUR Grynkewich e os serviços dinamarqueses — enquadram a questão como uma ameaça híbrida à segurança da NATO, sublinhando a intensificação do intercâmbio de informações e a necessidade de calma. Em terceiro lugar, a imprensa francesa dá relevo à advertência de Macron de que um ataque semelhante ao de Leipzig pode acontecer em França e de que uma mobilização russa de 300 mil pessoas é um cenário plausível; a italiana destaca a rejeição total do relatório por Crosetto; e várias publicações notam a linha defendida pelo candidato Jean-Luc Mélenchon, que atribui a escalada russa na Europa às «ataques distantes» da Ucrânia em território russo, evidenciando divisões políticas internas sobre a guerra.

Onde as versões divergem

As fontes divergem em três planos. Primeiro, sobre a própria existência do alerta da CIA: o El Mundo e analistas de defesa não identificados descrevem um relatório detalhado distribuído por ministérios dos Negócios Estrangeiros europeus, enquanto o Presidente francês Macron afirmou que «a CIA não informou os serviços franceses sobre um tal ataque». Segundo, sobre a base factual do alerta para Itália, Espanha ou França: Crosetto classificou a publicação como infundada e prejudicial; o El Mundo e vários analistas mantêm que o relatório é credível. Terceiro, sobre o enquadramento como réplica à operação «Teia de Aranha» («Pavutyna») da Ucrânia: a reportagem do El Mundo apresenta-o como motivação russa, mas as respostas oficiais de Paris e Roma não adotam essa leitura.

Contexto

O alerta citado pelo El Mundo tem como origem uma fonte próxima do Ministério da Defesa da Lituânia e surge num quadro em que vários incidentes recentes foram atribuídos a Moscovo: a Alemanha responsabiliza os serviços de inteligência russos por um incidente com drones armados no aeroporto de Leipzig; cerca de um ano antes, 19 drones sem carga explosiva tinham entrado no espaço aéreo polonês. A 25 de agosto, o Diretor da CIA John Ratcliffe viajou para Moscovo a bordo de uma aeronave militar norte-americana com escala em Riga, numa visita que o Wall Street Journal e a Politico descreveram como um aviso à Rússia contra ataques ou provocações à NATO. Espanha, França e Itália têm eleições marcadas para 2027. Após a reunião de Macron no Eliseu, dirigentes do Rassemblement National declararam que não contribuiriam para os objetivos russos na guerra. O Comandante Supremo Aliado da NATO, Alexus Grynkewich, salientou a intensificação do intercâmbio de informação entre aliados, e Donald Tusk e os serviços militares dinamarqueses apontaram, em paralelo, para um planeamento russo de ações híbridas contra Estados que apoiam a Ucrânia.