Diretor da agência sueca alerta que campanhas de desinformação russas ameaçam eleições europeias
Magnus Hjort, diretor da Agência Sueca de Defesa Psicológica, afirmou numa entrevista à Politico que as redes de bots e as campanhas de desinformação da Rússia constituem uma ameaça para as próximas eleições em vários países europeus, em particular as eleições regionais em estados alemães e a eleição presidencial em França. Segundo Hjort, o objetivo principal do Kremlin é levar os eleitores europeus a duvidar do apoio político a Kiev, através da difusão de notícias falsas sobre corrupção e outros abusos na Ucrânia.
Pontos principais
- Magnus Hjort, diretor da Agência Sueca de Defesa Psicológica, alertou numa entrevista à Politico para a ameaça das redes de bots e campanhas de desinformação russas às próximas eleições.
- Hjort indicou que o principal objetivo do Kremlin é levar os eleitores europeus a duvidar do apoio político dos seus governos à Ucrânia.
- As campanhas russas visam sobretudo as eleições regionais em estados alemães e a eleição presidencial em França, segundo Hjort.
- A 6 de setembro, a AfD, partido de extrema-direita pró-russo, venceu com mais de 43% dos votos as eleições para o parlamento regional da Saxónia-Anhalt.
- Marine Le Pen lidera as sondagens para as eleições presidenciais francesas agendadas para abril de 2027.
- Hjort apelou às plataformas Meta, TikTok e X para removerem mais contas automatizadas que difundem desinformação.
Porque é importante
O aviso oficial de um responsável europeu de topo atribui explicitamente a operações coordenadas de desinformação russas a ameaça a eleições concretas em vários países da UE. Ao identificar como alvo o apoio político europeu à Ucrânia, estas operações ligam-se diretamente à sustentabilidade do auxílio a Kiev. A combinação entre a vitória da AfD na Saxónia-Anhalt e a liderança de Marine Le Pen nas sondagens em França indica que partidos mais próximos de Moscovo podem capitalizar esse trabalho de influência.
O que aconteceu
Magnus Hjort, diretor da Agência Sueca de Defesa Psicológica, concedeu uma entrevista à Politico em que descreveu a ameaça que as campanhas de desinformação russas representam para o ciclo eleitoral europeu. Segundo Hjort, o Kremlin procura essencialmente semear dúvidas nos eleitores sobre a continuação do apoio político à Ucrânia, recorrendo a notícias falsas sobre corrupção e outros abusos no país. O diretor identificou como alvos prioritários as eleições regionais em estados alemães e a eleição presidencial em França. Hjort sublinhou que a Suécia, onde a sociedade em geral apoia a ajuda a Kiev, não é vista como um alvo prioritário e que, no momento, a agência não deteta uma campanha coordenada contra o país. Pediu ainda que as plataformas Meta, TikTok e X intensifiquem a remoção de contas automatizadas, descrevendo um método russo de "matrioshka", em que são enviados alertas a verificadores de factos e jornalistas sobre supostos conteúdos russos para os desviar. Um ator estatal não identificado foi responsabilizado por uma rede de 1 200 contas na X, que publicou cerca de 50 000 posts e comentários em 2025 e 2026 com posições deliberadamente polarizadoras.
Contexto
A 6 de setembro, o partido de extrema-direita pró-russo AfD venceu com mais de 43% dos votos as eleições para o parlamento da Saxónia-Anhalt, no leste da Alemanha. Em França, Marine Le Pen, líder da Reunião Nacional, lidera as sondagens para as eleições presidenciais agendadas para abril de 2027. Na Suécia, as eleições gerais estão marcadas para domingo, 13 de setembro, com os Sociais-Democratas, liderados pela antiga primeira-ministra Magdalena Andersson, na frente das sondagens. O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, tinha já manifestado preocupação com a possibilidade de interferência russa nas eleições parlamentares italianas previstas para 2027.