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Ultradireita vence na Meclemburgo-Pomerânia e esquerda lidera em Berlim nas regionais alemãs

A Alemanha realizou a 20 de setembro eleições regionais em Berlim e na Meclemburgo-Pomerânia. A AfD, de extrema-direita, ficou em primeiro lugar na Meclemburgo-Pomerânia com cerca de 37,3% dos votos, enquanto a CDU do chanceler Friedrich Merz sofreu uma derrota histórica, com apenas cerca de 5%. Em Berlim, a Die Linke liderou com cerca de 24,9%. Apesar da vitória da AfD, todos os outros partidos já excluíram a formação de coligações com o partido, pelo que a AfD dificilmente assumirá o governo estadual.

Pontos principais

  • 20 de setembro: eleições regionais na Meclemburgo-Pomerânia e em Berlim
  • AfD venceu na Meclemburgo-Pomerânia com 37,3% dos votos, segundo a sondagem à boca das urnas da ARD
  • SPD obteve 35,6% e perde a liderança na região pela primeira vez em 28 anos
  • CDU de Friedrich Merz ficou-se por cerca de 5%, valor que Merz classificou como uma "catastrófe"
  • Die Linke lidera em Berlim com 24,9%, podendo entrar pela primeira vez no parlamento regional
  • Todos os restantes partidos na Meclemburgo-Pomerânia excluem coligação com a AfD
  • Tanto a AfD como a Die Linke se opõem à ajuda militar à Ucrânia e defendem uma reaproximação com Moscovo

Porque é importante

A vitória da AfD representa a segunda vitória da extrema-direita num estado do leste alemão em poucas semanas, depois de Sacsenia-Anhalt. Simultaneamente, a CDU do chanceler Merz sofreu um colapso histórico na região, com resultados próximos do limiar de 5%, questionando o apoio ao governo federal. Tanto a AfD como a Die Linke têm posições críticas relativamente ao apoio militar à Ucrânia e favoráveis a uma reaproximação com a Rússia, o que torna estes resultados relevantes para a posição alemã sobre a guerra. Contudo, como nenhum partido quer coligar com a AfD, é provável que a chanceler regional Manuela Schwesig continue a liderar o executivo, deixando a vitória eleitoral sem tradução governamental.

O que aconteceu

A 20 de setembro, a Alemanha realizou eleições regionais em Berlim e na Meclemburgo-Pomerânia. Na Meclemburgo-Pomerânia, a AfD venceu com 37,3% dos votos, deixando a SPD, atual partido no poder, em segundo lugar com 35,6% e a CDU de Merz com apenas cerca de 5% — um valor tão reduzido que, segundo uma das versões, o partido não conseguiu sequer entrar no parlamento regional pela primeira vez. Foi também a primeira vez em 28 anos que a SPD perdeu a liderança neste estado. O chanceler Merz classificou o resultado da CDU como uma "catastrófe", embora não tenha indicado intenção de se demitir. Em Berlim, a Die Linke liderou com 24,9%, seguida da CDU com 20% e da AfD com cerca de 16%, podendo a Die Linke entrar pela primeira vez no parlamento berlinense. Os resultados citados são preliminares, baseados em sondagens à boca das urnas da ARD.

Como o descrevem as fontes ucranianas

A comunicação social ucraniana enquadrou a vitória da AfD sobretudo pela ótica das posições do partido sobre a Rússia e a Ucrânia, sublinhando a sua oposição à ajuda militar a Kiev e os apelos à reaproximação com Moscovo e ao levantamento das sanções. As fontes ucranianas destacaram igualmente o colapso da CDU de Merz e o que isso pode significar para a continuidade do apoio alemão à Ucrânia. Algumas peças salientaram ainda a tendência do leste alemão, recordando a vitória da AfD na Sacsenia-Anhalt em setembro. Apesar de a AfD ter vencido, as fontes sublinham que os restantes partidos excluem qualquer coligação com a extrema-direita, descrevendo o resultado mais como um choque político do que como uma mudança governamental efetiva — e notam que tanto a AfD como a Die Linke têm posições pró-russos e opostas à entrega de armas à Ucrânia.

Como o descrevem as fontes internacionais

A imprensa internacional destacou sobretudo o resultado bruto — AfD em primeiro na Meclemburgo-Pomerânia e Die Linke em primeiro em Berlim — e o colapso histórico da CDU no leste, incluindo a declaração de "catastrófe" de Merz. A corrida em Berlim foi relatada nos seus próprios termos, com destaque para a liderança da Die Linke e a perspetiva de entrada inédita no parlamento regional. Várias peças notaram a subida paralela da AfD a nível nacional (cerca de 30%) e a queda da CDU para mínimos históricos, mas apresentando o resultado de Berlim como uma história à parte, de viragem à esquerda, e não como um simples avanço da extrema-direita. As peças salientam ainda que todos os outros partidos excluem coligação com a AfD, pelo que o executivo da Meclemburgo-Pomerânia deverá permanecer fora do controlo da extrema-direita, com uma eventual coligação SPD-Die Linke-Verdes.

Onde as versões divergem

As fontes divergem em vários números das sondagens à boca das urnas: a AfD na Meclemburgo-Pomerânia aparece entre 37,3% e 38,2% consoante a projeção; a SPD situa-se entre 35,5% e 35,7%; a Die Linke em Berlim surge entre 24,5% e 24,9%. Relativamente à CDU na Meclemburgo-Pomerânia, há versões que indicam cerca de 5,3% ou "um pouco mais de 5%", enquanto outra afirma que o partido obteve 4,9% e não conseguiu entrar no parlamento regional pela primeira vez. Por fim, as fontes divergem sobre a data da vitória da AfD na Sacsenia-Anhalt, apontando 6 ou 7 de setembro.

Contexto

Berlim e a Meclemburgo-Pomerânia são dois dos 16 estados federais alemães; os governos regionais têm poderes significativos, incluindo na educação e em algumas matérias de segurança. A Meclemburgo-Pomerânia tem cerca de 1,5 milhões de habitantes e é descrito como um dos estados com maior taxa de desemprego e menor população da Alemanha. Manuela Schwesig (SPD) é ministra-presidente desde 2017 e integrou o terceiro governo de Angela Merkel como ministra da Família. Investigações da imprensa alemã em 2022 indicaram que Schwesig esteve envolvida numa fundação apoiada pela Gazprom ligada ao Nord Stream 2 antes da invasão russa da Ucrânia. Em Berlim, o presidente da câmara cessante, Kai Wegner (CDU), não se recandidatou; a CDU apresentou o ministro regional das Finanças, Stefan Evers, e a AfD teve como cabeça-de-lista Kristin Brinker. A AfD venceu as eleições regionais na Sacsenia-Anhalt em 6/7 de setembro com cerca de 44% dos votos, estabelecendo o precedente regional da tendência no leste.