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EUA indiciam cinco pessoas ligadas a serviços secretos russos por planos de assassinato e sabotagem na Europa

O Departamento de Justiça dos EUA revelou uma acusação formal contra cinco pessoas alegadamente ligadas aos serviços secretos russos, acusadas de conspiração para financiar terrorismo e, no caso de três dos arguidos, conspiração para assassinato a mando. A rede, designada RIS, operava pelo menos desde 2024 e recrutou pessoas nos EUA e noutros países para vigiar e matar dissidentes russos em Washington e na Lituânia, tendo também alegadamente coordenado sabotagens na Europa contra infraestruturas de países que apoiam a Ucrânia. Todos os arguidos estão em liberdade, e o Kremlin rejeitou as alegações.

Pontos principais

  • Acusação divulgada a 15 de setembro pelo Departamento de Justiça dos EUA contra cinco pessoas ligadas a serviços secretos russos.
  • Rede designada RIS, alegadamente ativa desde pelo menos 2024, recrutava indivíduos nos EUA para vigiar e matar dissidentes russos.
  • Oferecidos 40.000 dólares a um residente nos EUA para «eliminar» a Vítima-1, um dissidente russo em Washington cujo nome não foi divulgado.
  • Em 2025, a mesma rede terá tentado recrutar outro cidadão norte-americano para matar uma Vítima-2 na Lituânia, oferecendo 25.000 dólares.
  • Acusados: Yuri Khrameyev (63, ex-coronel de serviços secretos russos), Kirill Khrameyev (27, oficial do FSB), Oemis Romagosa Durruthy (35, cubano), Yaidel Delgado Suárez («Viking», 35, cubano) e Angel Eduardo Castro (22, venezuelano).
  • Incidentes alegadamente ligados à rede: incêndio em autocarros em Praga em junho de 2024 (colombiano condenado a oito anos) e tentativa de incêndio em setembro de 2024 nas instalações da TVC Solutions em Šiauliai, Lituânia, que fabrica equipamento para a Ucrânia.
  • Todos os cinco arguidos permanecem em liberdade; porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que Moscovo só comentaria após ver «provas credíveis» ou «factos concretos».

Porque é importante

A acusação formal dos EUA expõe uma alegada campanha russa de assassinatos por encomenda e sabotagem dirigida a dissidentes russos no Ocidente e a infraestruturas de países que apoiam a Ucrânia. Cinco pessoas ligadas aos serviços secretos russos foram indiciadas por conspiração para financiar terrorismo e, em três casos, por conspiração para assassinato a mando — incluindo a alegada tentativa de recrutar residentes nos EUA para matar um dissidente em Washington, descrita como a primeira tentativa documentada de Moscovo matar alguém em território norte-americano. A acusação liga ainda a mesma rede a ataques na Europa (Praga e Lituânia) contra alvos ligados à Ucrânia, mostrando um alcance transfronteiriço dos supostos planos do Kremlin. Como todos os arguidos estão em liberdade e o Kremlin rejeitou as acusaç ões, as consequências diplomáticas e de aplicação da lei continuam por resolver.

O que aconteceu

O Departamento de Justiça dos EUA revelou, a 15 de setembro, uma acusação formal contra cinco pessoas alegadamente ligadas aos serviços secretos russos: Yuri Khrameyev (63), ex-coronel dos serviços secretos russos; o filho Kirill Khrameyev (27), oficial do FSB; o cubano Oemis Romagosa Durruthy (35), residente na Rússia, descrito como coordenador de ataques; o cubano Yaidel Delgado Suárez (35), também conhecido por «Viking», prolifico recrutador; e o venezuelano Angel Eduardo Castro. Todos foram acusados de conspiração para financiar terrorismo, punível com até 20 anos de prisão; Khrameyev pai, Suárez e Castro enfrentam também conspiração para assassinato a mando, com pena até 10 anos.

A rede, designada RIS e alegadamente ativa desde 2024, terá recrutado pessoas nos EUA para vigiar e matar dissidentes russos. No verão de 2026, Suárez e Castro ofereceram a um residente nos EUA 40.000 dólares para «eliminar» ou fazer «desaparecer» a Vítima-1, um dissidente russo em Washington cujo nome não foi divulgado. Suárez enviou ao recrutado dois endereços ligados à vítima e instruções detalhadas de vigilância, oferecendo 1.000 a 1.500 dólares por essa tarefa. O recrutado acabou por recusar executar o assassinato.

Em 2025, a mesma rede tentara recrutar outro cidadão norte-americano para matar a Vítima-2, um opositor russo na Lituânia. Kirill Khrameyev pagou 200 dólares por fotografias do endereço e apresentou o recruta ao pai, que ofereceu 25.000 dólares pelo assassinato. Quando o recruta recusou, Yuri Khrameyev propôs «trabalho mais simples»: incendiar um armazém ou atacar uma subestação elétrica para atingir «todos os países que estão a ajudar a Ucrânia».

A acusação liga ainda a rede a um incêndio em autocarros em Praga em junho de 2024 — um colombiano foi detido e condenado a oito anos — e a uma tentativa de incêndio em setembro de 2024 nas instalações da TVC Solutions em Šiauliai, Lituânia, que fabrica equipamento eletrónico de inteligência para as Forças Armadas da Ucrânia, avaliado em cerca de 1,5 milhões de euros. Ambas as tentativas na Lituânia falharam.

Todos os cinco arguidos permanecem em liberdade. O caso é prosecuted pelo gabinete do promotor federal do Distrito Sul de Nova Iorque.

Como o descrevem as fontes ucranianas

A cobertura em língua ucraniana enquadra a acusação como mais uma prova das ações dos serviços secretos russos contra pessoas e países que apoiam a Ucrânia. Os meios ucranianos destacam o objetivo da rede de atingir «todos os aliados da Ucrânia», as ligações ao FSB de dois dos arguidos e as sabotagens europeias, particularmente o ataque falhado em Šiauliai contra um fornecedor de equipamento militar para Kiev. Este enquadramento insere a acusação no contexto mais amplo da guerra russo-ucraniana e da alegada campanha russa de ataques contra alvos ligados ao esforço de defesa da Ucrânia.

Como o descrevem as fontes internacionais

A principal fonte anglófona (um meio britânico) conduz a partir do enquadramento do Departamento de Justiça — a Rússia acusada de tentar matar aliados da Ucrânia nos EUA e na Europa — privilegiando os aspetos judiciais e processuais: as acusaç ões, o estatuto de procurado dos arguidos, a desarticulação dos planos pelo FBI e a rejeição das alegações pelo Kremlin. A narrativa sublinha o alcance transatlântico da alegada conspiração e as implicações para a aplicação da lei norte-americana, sem tematizar explicitamente o conflito na Ucrânia.

Onde as versões divergem

As principais divergências entre fontes dizem respeito à ortografia e transliteração dos nomes dos arguidos (Khrameyev, Khramyev ou Khrameev; Romagosa Durruti, Durruthy ou Durutti) e a pequenas variações na sua descrição (por exemplo, Suárez aparecer descrito como cubano nalgumas fontes e ligado a recrutamento de venezuelanos noutras, ou Khrameyev pai ser genericamente apresentado como ex-coronel dos serviços secretos russos, com uma fonte a especificar o GRU). Há também divergência sobre a data do anúncio da acusação: a maioria indica 15 de setembro, mas o anúncio público do procurador-geral Todd Blanche é referido como 16 de setembro.

Contexto

A acusação foi divulgada pelo gabinete do promotor federal do Distrito Sul de Nova Iorque e envolve cinco arguidos. Yuri Khrameyev, de 63 anos, ex-coronel dos serviços secretos russos (alcunha «Colonel Yuri»), o filho de 27, Kirill Khrameyev, oficial do FSB, o cubano Oemis Romagosa Durruthy (35), que coordenava ataques, o cubano Yaidel Delgado Suárez (35, «Viking»), descrito como recrutador prolífico, e o venezuelano de 22 anos Angel Eduardo Castro.

A rede, designada «RIS» na acusação, alegadamente operava pelo menos desde 2024, pagando ou tentando pagar pessoas nos EUA e noutros países para realizar vigilância prévia e assassinatos seletivos, e dando instruções a cúmplices para sabotar infraestruturas civis e militares em países europeus que apoiam a Ucrânia.

Para além das conspiraç ões envolvendo as Vítimas-1 (EUA) e Vítima-2 (Lituânia), a acusação associa a rede a um incêndio em autocarros em Praga em junho de 2024, praticado por um colombiano condenado a oito anos, e a uma tentativa de incêndio em setembro de 2024 em Šiauliai, Lituânia, nas instalações da TVC Solutions, fabricante de equipamento para as forças armadas ucranianas.