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Em agosto, exportações ucranianas de cereais por via ferroviária caíram quase 60% devido aos ataques russos aos portos

Em agosto de 2026, os tráfegos ferroviários de cereais para os portos do mar Negro caíram drasticamente — apenas cerca de 317 300 toneladas chegaram aos portos marítimos, face a 1,44 milhões de toneladas em julho — e as exportações ferroviárias de cereais e produtos de moagem recuaram 58,5% em termos mensais. O principal fluxo de carga deslocou-se dos portos da Grande Odessa para o Danúbio e para as passagens terrestres na fronteira oeste, enquanto o Ministério da Política Agrária e Alimentação indica que a Ucrânia exportou 981 000 toneladas de cereais em agosto, 2,5 vezes menos do que no mesmo mês de 2025. As estimativas da Forbes Ukraine apontam para perdas pot superiores a 5 mil milhões de dólares em receitas de exportação se as restrições ao Mar Negro se mantiverem até ao final da campanha de comercialização 2026/27.

Pontos principais

  • Em agosto, foram entregues cerca de 317 300 toneladas de cereais por caminho de ferro aos portos marítimos, contra 1,44 milhões de toneladas em julho.
  • As exportações ferroviárias de cereais e produtos de moagem em agosto totalizaram 672 200 toneladas, menos 58,5% do que em julho.
  • O volume de cereais transportados por ferrovia caiu 34,7% face a julho e o carregamento médio diário diminuiu 55% em termos homólogos.
  • O tráfego de cereais pelas passagens terrestres de fronteira em agosto multiplicou-se por 2,4 em relação a julho; a média diária de vagões passou de 71,3 para 192,8.
  • A Ucrânia exportou 981 000 toneladas de cereais em agosto, 2,5 vezes menos do que no mesmo mês de 2025, segundo o Ministério da Política Agrária e Alimentação.
  • O fluxo principal deslocou-se dos portos da Grande Odessa para o Danúbio, segundo os corretores.
  • Estimativas da Forbes Ukraine apontam para perdas potenciais superiores a 5 mil milhões de dólares em receitas de exportação se as restrições ao Mar Negro se mantiverem até ao fim da campanha 2026/27.

Porque é importante

As quedas acentuadas no transporte ferroviário e nas exportações marítimas de cereais em agosto revelam a vulnerabilidade da logística ucraniana aos ataques russos contra a infraestrutura portuária. Estimativas independentes apontam para perdas superiores a 5 mil milhões de dólares em receitas de exportação e cerca de 24 milhões de toneladas de cereais que poderão não conseguir sair do país caso as restrições ao Mar Negro se prolonguem até ao final da campanha de 2026/27.

O que aconteceu

Em agosto de 2026, o sistema ferroviário ucraniano transportou 1,297 milhões de toneladas de carga cerealífera, menos 34,7% do que em julho e menos 53,9% do que em agosto de 2025. O carregamento médio diário de cereais caiu para 39 200 toneladas, 22,5% abaixo de julho e 55% abaixo de agosto de 2025. Apenas cerca de 317 300 toneladas chegaram por caminho de ferro aos portos marítimos (incluindo o tráfego interno para Izmail), face a 1,44 milhões de toneladas em julho — uma quebra que os corretores atribuem ao desvio do fluxo principal da Grande Odessa para o Danúbio. As exportações ferroviárias de cereais e produtos de moagem totalizaram 672 200 toneladas, uma queda homóloga estimada em cerca de 74% e uma queda mensal de 58,5%.

Em sentido contrário, o tráfego de cereais pelas passagens terrestres de fronteira quase multiplicou-se por 2,4, passando de 208 800 toneladas em julho para 501 800 toneladas em agosto; a transferência diária média de vagões de cereais nas principais passagens ocidentais subiu de 71,3 para 192,8, com a Polónia a registar a média mais elevada (56,6 vagões/dia). Segundo o Ministério da Política Agrária e Alimentação, a Ucrânia exportou 981 000 toneladas de cereais em agosto — 605 000 toneladas de trigo, 306 000 toneladas de milho, 69 000 toneladas de cevada e 11 500 toneladas de farinha —, 2,5 vezes menos do que no mesmo mês de 2025. Nos primeiros dois meses da campanha de 2026/27 (iniciada em julho), foram exportadas 3,726 milhões de toneladas de cereais e leguminosas, menos 7,2% do que no período homólogo anterior, com as exportações de trigo a cair 34,3% (para 1,6 milhões de toneladas) e as de cevada 34,5% (para 368 000 toneladas), enquanto as de milho quase duplicaram, para 1,62 milhões de toneladas.

Como o descrevem as fontes ucranianas

As fontes ucranianas — o Ministério da Política Agrária e Alimentação, a equipa analítica da Forbes Ukraine e os corretores da Spike Brokers — sublinham as mudanças estruturais na logística e quantificam as perdas potenciais associadas à restrição do Mar Negro pelos ataques russos. O Ministério da Política Agrária e Alimentação indica que apenas 33% do volume necessário de produtos agrícolas pôde ser exportado em agosto, e a Forbes Ukraine estima que o país poderá perder mais de 5 mil milhões de dólares em receitas de exportação e deixar de conseguir escoar cerca de 24 milhões de toneladas de cereais se as restrições se mantiverem até ao final da campanha de 2026/27.

Contexto

Na segunda metade de julho de 2026, a Rússia intensificou os ataques contra a infraestrutura portuária e os navios civis, provocando uma quebra acentuada nas exportações cerealíferas ucranianas por via marítima. Nos primeiros dois meses da campanha de comercialização 2026/27 (que começou em julho), as exportações de cereais e leguminosas foram 7,2% inferiores às do período homólogo anterior: o trigo recuou 34,3% e a cevada 34,5%, enquanto o milho quase duplicou.