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Emissários dos EUA Witkoff e Kushner reúnem-se com Putin em Moscovo e viajam para Kiev

Os enviados especiais do Presidente dos EUA Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, chegaram a Moscovo no sábado, dia 5 de setembro de 2026, e reuniram-se com Vladimir Putin no Kremlin durante cerca de três horas, apresentando uma proposta norte-americana para terminar a guerra na Ucrânia. Antes do encontro, Witkoff e Kushner tiveram um almoço de trabalho de 3,5 horas com o enviado especial russo Kirill Dmitriev. Em paralelo, o Presidente Volodymyr Zelensky falou por telefone com os enviados e anunciou que a Ucrânia está pronta para se abster de ataques aéreos contra Moscovo durante três dias, esperando reciprocidade russa. O Kremlin, através do porta-voz Dmitry Peskov, afirmou que Putin ordenou a suspensão de ataques a Kiev durante três dias. A viagem a Kiev, a primeira dos enviados durante a presidência de Trump, estava prevista para domingo, dia 6 de setembro.

Pontos principais

  • Witkoff e Kushner chegaram a Moscovo em 5 de setembro e reuniram-se com Putin no Kremlin numa conversa de cerca de três horas
  • Kiev aprovou um programa diplomático para domingo, 6 de setembro, descrevendo a visita como a primeira dos enviados à capital ucraniana durante a presidência de Trump
  • Zelensky declarou após um telefonema com os enviados que a Ucrânia está pronta para não atacar Moscovo durante três dias e espera que a Rússia não ataque Kiev
  • O Kremlin afirmou, via Peskov, que Putin ordenou uma pausa de três dias nos ataques a Kiev em ligação com a preparação das conversações em Kiev
  • A Rússia manteve ataques contra outras regiões da Ucrânia em 5 de setembro, incluindo um ataque noturno à sede do SBU em Kiev e bombardeamentos em Boryspil
  • O Kremlin insiste em exigências maximalistas (controlo total do Donbas, renúncia da Ucrânia à NATO e à UE, redução das Forças Armadas) que a Ucrânia rejeita
  • A delegação norte-americana incluiu um responsável do Tesouro ligado às sanções, sinalizando que o tema das sanções esteve em discussão

Porque é importante

Esta visita marca a primeira deslocação dos enviados de Trump a Kiev durante o seu atual mandato, abrindo um canal direto de comunicação dos EUA com a Ucrânia. Foi anunciada uma pausa recíproca de três dias nos ataques sobre as duas capitais, mas os ataques russos a outras regiões da Ucrânia continuaram no dia 5 de setembro. O encontro no Kremlin não produziu avanços, com a Rússia a manter exigências maximalistas — controlo total do Donbas, renúncia da Ucrânia à NATO e à UE, redução das Forças Armadas ucinianas — que Kiev rejeita. A delegação norte-americana incluiu um responsável do Tesouro ligado às sanções, ligando as conversações à política de sanções. Zelensky condicionou publicamente a contenção ucraniana à reciprocidade russa, procurando enquadrar o episódio como mútuo e não unilateral.

O que aconteceu

Os enviados especiais do Presidente dos EUA Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, chegaram a Moscovo no sábado, dia 5 de setembro de 2026, com uma proposta norte-americana para terminar a guerra na Ucrânia. Antes da reunião com Putin, mantiveram um almoço de trabalho de 3,5 horas com o enviado especial russo para investimentos e cooperação económica, Kirill Dmitriev, que os recebeu no aeroporto de Vnukovo. À noite, o seu cortejo entrou no Kremlin e iniciou conversações com o Presidente Vladimir Putin que duraram cerca de três horas (o assessor presidencial Yuri Ushakov indicou 3 horas e 10 minutos). Do lado russo participaram também o conselheiro de Putin Yuri Ushakov e Kirill Dmitriev; pela parte norte-americana, além dos enviados, estiveram presentes responsáveis do Conselho de Segurança Nacional, do Departamento de Estado e do Tesouro. No início do encontro, Putin descreveu a situação como «não simples», agradeceu os esforços do Presidente Trump e transmitiu-lhe votos e palavras de agradecimento. Putin afirmou que a Rússia não atacou Kiev desde a meia-noite de 5 de setembro, alegando que o pedido de pausa chegou através de canais oficiais. Witkoff agradeceu a Putin a pausa de três dias nos ataques contra Kiev e Moscovo. Putin, contudo, afirmou que a Rússia «nunca concordou com a Ucrânia num cessar-fogo mais amplo» e sublinhou a necessidade de eliminar as «causas profundas» do conflito. Ushakov descreveu as conversações como «substantivas, construtivas e extremamente francas», indicando que Witkoff e Kushner prometeram ter em conta as avaliações de Putin nas negociações em Kiev. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, anunciou uma ordem de Putin para suspender ataques a Kiev durante três dias a partir da meia-noite, no contexto da preparação das conversações em Kiev. O mesmo dia 5 de setembro foi marcado por ataques russos a outras regiões da Ucrânia, incluindo um ataque com drones à sede do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) em Kiev e bombardeamentos contra os aeroportos de Kiev e Boryspil, que Zelensky classificou como «demonstrativos» e como reação aos preparativos para a chegada da delegação dos EUA. Zelensky falou por telefone com Witkoff e Kushner durante a tarde e declarou que a Ucrânia está pronta para se abster de ataques contra Moscovo desde esse momento até ao final de sábado, domingo e segunda-feira, esperando que a Rússia não ataque Kiev no mesmo período. Zelensky aprovou também o programa diplomático da delegação norte-americana em Kiev no domingo, 6 de setembro — a primeira visita dos enviados à capital ucraniana desde o início da invasão em grande escala e durante a presidência de Trump. Após o encontro, o cortejo norte-americano abandonou o território do Kremlin, e Witkoff e Kushner viajaram depois para leste, com partida de Moscovo já depois da meia-noite.

Como o descrevem as fontes ucranianas

A perspetiva ucraniana centra-se na posição do Presidente Zelensky e nas preocupações com a continuidade dos ataques russos. Zelensky falou por telefone com Witkoff e Kushner na tarde de 5 de setembro e, após a conversa, declarou que a Ucrânia está pronta para se abster de ataques aéreos contra Moscovo durante três dias e que espera reciprocidade russa quanto a Kiev. Zelensky sublinhou que os ataques russos noturnos aos aeroportos de Kiev e Boryspil foram «demonstrativos» e relacionados com a possível chegada da delegação norte-americana por via aérea, e revelou que drones russos atingiram a sede do SBU em Kiev, tendo ordenado ao chefe do SBU, Oleksandr Poklad, a preparação de um ataque de retaliação. A Ucrânia tinha previamente proposto um cessar-fogo de 96 horas entre 5 e 8 de setembro, que o Kremlin aparentemente ignorou antes de Putin aceitar uma trégua limitada às duas capitais. O Estado-Maior General sublinhou que as operações de combate na frente continuam porque um cessar-fogo não pode ser unilateral, e a Ucrânia insiste que a contenção está condicionada à reciprocidade. Zelensky tinha também criticado publicamente as visitas anteriores dos enviados a Moscovo sem paragem em Kiev, classificando-as de desrespeito, pelo que esta primeira visita a Kiev é apresentada como tardia. A participação de um responsável do Tesouro norte-americano e relatos de pressão dos EUA sobre Kiev para suspender ataques com drones durante a visita são vistos como exigências assimétricas.

Como o descrevem as fontes internacionais

A leitura internacional, dominante em órgãos como BBC, Le Monde, Bloomberg e Axios, sublinha a coreografia diplomática: Witkoff e Kushner em Moscovo, depois em Kiev, com a administração Trump a apresentar a deslocação como estando a transportar uma proposta de paz. A pausa de três dias nos ataques sobre as duas capitais é destacada como uma concessão do Kremlin, mas enquadrada com a linguagem cautelosa de Dmitriev («importante missão de paz») e com a caracterização de Putin da situação como «não simples». O Kremlin insiste em exigências maximalistas — controlo total do Donbas, neutralidade face à NATO e à UE e redução das Forças Armadas ucinianas — que a Ucrânia rejeita. Fontes próximas do Kremlin citadas pela Bloomberg consideram as expectativas quanto ao resultado da visita «extremamente baixas» e descrevem Putin como disposto a terminar a guerra apenas nos termos russos; a CNN avalia ser improvável que estas rondas de conversações produzam um verdadeiro avanço diplomático. Em paralelo, é notado que o diretor da CIA John Ratcliffe tinha visitado Moscovo pouco mais de uma semana antes, encontro que Trump classificou como «semirrotineiro», e que a Alemanha formalizou acusações à Rússia por uma tentativa de ataque com drones explosivos ao aeroporto de Leipzig no dia anterior à visita.

Onde as versões divergem

Existem divergências entre fontes sobre o momento exato do início da pausa de três dias nos ataques a Kiev: algumas indicam a meia-noite de 5 de setembro, outras a meia-noite entre 5 e 6 de setembro, e a janela é por vezes descrita como 5–8 de setembro e outras vezes como começando a 6 de setembro. Reportagens ucranianas e o Estado-Maior General enquadraram o «regime de silêncio» na linha de contacto entre 5 e 8 de setembro como uma iniciativa unilateral da Ucrânia, mas o Gabinete do Presidente posteriormente contestou a existência dessa ordem junto da Suspilne. Os números de vítimas do bombardeamento noturno de 4–5 de setembro também variam: um conjunto de fontes refere quatro mortos e cinco feridos na região de Dnipro, enquanto outro indica dois mortos no distrito de Bucha com 28 infraestruturas danificadas em cinco distritos e três mortos em Chuhuiv, na região de Kharkiv.

Contexto

O espaço aéreo da Ucrânia está encerrado desde a invasão russa em grande escala iniciada em fevereiro de 2022. Witkoff e Kushner tinham visitado Moscovo várias vezes sem se deslocarem a Kiev, o que Zelensky tinha criticado publicamente como desrespeito. O diretor da CIA, John Ratcliffe, tinha estado em Moscovo pouco mais de uma semana antes, numa reunião que Trump descreveu como «semirrotineira». A Ucrânia tinha proposto um cessar-fogo de 96 horas entre 5 e 8 de setembro, que o Kremlin inicialmente pareceu ignorar antes de Putin concordar com uma trégua limitada às duas capitais.