Bulgária recusa participar em novo pacote de ajuda da UE à Ucrânia de 70 mil milhões de euros
O primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, anunciou que a Bulgária não participará no novo programa de ajuda financeira da União Europeia à Ucrânia no valor de 70 mil milhões de euros para 2027. A posição alinha Sófia com Budapeste, Praga e Bratislava, que também já tinham recusado a iniciativa, e marca uma mudança face à participação búlgara no empréstimo anterior de 90 mil milhões aprovado em 2025.
Pontos principais
- O primeiro-ministro Rumen Radev afirmou que a Bulgária «não pode, de forma alguma» participar na concessão dos 70 mil milhões de euros.
- A Bulgária junta-se à Hungria, República Checa e Eslováquia, que já tinham anunciado que não aderem ao pacote de 70 mil milhões para 2027.
- Em 2025, a UE aprovou um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia para 2026-2027, do qual a Hungria, Chéquia e Eslováquia se excluíram, mas no qual a Bulgária participou.
- No dia 16 de outubro, Volodymyr Zelensky pediu ao Conselho Europeu pelo menos 70 mil milhões de euros de ajuda adicional à Ucrânia para 2027, para defesa e armamento.
- A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que existe um défice de 70 mil milhões de euros que terá de ser parcialmente coberto por parceiros.
- Radev justificou a recusa dizendo que a guerra na Ucrânia está a esgotar as economias europeias e a causar tensão social e instabilidade política, apelando ao recurso à diplomacia.
- A 14 de julho, Radev já tinha anunciado que a Bulgária deixaria de participar no formato «coligação dos dispostos».
Porque é importante
A decisão búlgara alarga para quatro o número de Estados-membros da UE a recusar o novo pacote de 70 mil milhões de euros para 2027, complicando o financiamento europeu à Ucrânia num momento em que Kiev pediu apoio adicional para defesa e armamento. Representa também uma mudança na posição de Sófia, que tinha participado no empréstimo anterior de 90 mil milhões aprovado em 2025, e surge acompanhada de um apelo de Radev para que a UE encerre a guerra por via diplomática e negoceie com Moscovo.
O que aconteceu
O primeiro-ministro da Bulgária, Rumen Radev, anunciou que o seu país não participará no novo programa de ajuda financeira da União Europeia à Ucrânia, no valor de 70 mil milhões de euros, solicitado por Volodymyr Zelensky na cimeira do Conselho Europeu de 16 de outubro para cobrir necessidades de defesa e armamento em 2027. Radev justificou a recusa com o argumento de que a guerra está a esgotar as economias europeias e a gerar instabilidade social e política, defendendo que o conflito só pode terminar por meios diplomáticos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reconheceu que existe um défice de 70 mil milhões de euros que terá de ser parcialmente coberto por parceiros. Antes de Radev, o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, já tinha declarado a 17 de outubro que a Eslováquia e a Hungria também não aderem à iniciativa.
Como o descrevem as fontes internacionais
O único meio germânico consultado, a Der Spiegel, enquadrou a recusa búlgara no contexto mais amplo da guerra de agressão russa, destacando a dimensão geopolítica do anúncio. Ao contrário da cobertura ucraniana, esta fonte manteve o foco na declaração de Radev e não salientou o alinhamento crescente entre a Bulgária, a Hungria, a Chéquia e a Eslováquia no bloqueio ao pacote europeu.
Contexto
Em 2025, a União Europeia aprovou um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, garantido pelo orçamento comunitário, para fazer face às necessidades de financiamento em 2026 e 2027. Nesse pacote, a Hungria, a Chéquia e a Eslováquia acordaram não participar, enquanto a Bulgária contribuiu. A 14 de julho de 2026, Radev anunciou que a Bulgária deixaria de integrar o formato «coligação dos dispostos». A 16 de outubro, Volodymyr Zelensky pediu ao Conselho Europeu um mínimo de 70 mil milhões de euros adicionais para 2027, destinados a defesa e armamento, e no dia seguinte Robert Fico confirmou que Eslováquia e Hungria também não aderem a essa nova iniciativa.