Chefe da inteligência checa alerta para possível escalada russa contra países da NATO que apoiam a Ucrânia
O diretor do Serviço de Segurança e Informação da Chéquia (BIS), Michal Koudelka, advertiu numa conferência parlamentar de segurança que a Rússia pode levar a cabo, nos próximos meses, operações mais perigosas contra Estados da NATO que apoiam a Ucrânia, incluindo sabotagem, ataques com drones ou mísseis e, no limite, uma operação militar limitada. O alerta surge numa semana em que o comandante-chefe aliado da NATO na Europa apresentou uma estratégia de resposta e em que um alto responsável da Aliança divulgou estimativas de perdas russas na Ucrânia em setembro.
Pontos principais
- Mihal Koudelka, diretor-geral do Serviço de Segurança e Informação da Chéquia (BIS), afirmou em 12 de outubro, numa conferência de segurança no parlamento checo, que a Rússia pode recorrer a operações mais arriscadas contra países da NATO que apoiam Kiev nos próximos meses.
- Entre os cenários enumerados estão sabotagens a infraestruturas ligadas à ajuda à Ucrânia, ataques com drones ou mísseis a depósitos de armamento destinados a Kiev e, em caso extremo, uma operação militar limitada contra um país vizinho membro da Aliança.
- Koudelka sublinhou que esta ameaça «não é atual», mas não pode ser excluída nos próximos meses, por exemplo após o anúncio de alguma forma de mobilização.
- O chefe da contrainteligência checa afirmou que a Rússia tem neste momento concentradas as suas forças na Ucrânia e que a sua agência não dispõe de informações concretas sobre uma ameaça direta à Chéquia.
- O primeiro-ministro checo, Andrej Babiš, respondeu ao aviso aconselhando Koudelka a reler o lema do BIS — Audi, vide, tace («Ouve, vê e cala-te») — e recordou que a informação de intelligence se destina primariamente ao Governo.
- O ex-chefe da diplomacia checa Jan Lipavský discordou de Babiš, considerando que o primeiro-ministro deveria defender o país da influência russa em vez de «meter a cabeça na areia».
- O comandante supremo aliado da NATO na Europa, Alexus Grinkevich, apresentou em Варшава a chamada «Teoria da Vitória», baseada em três pilares: travar o avanço, enfraquecer as forças inimigas e destruir a sua capacidade de continuar a combater.
- Um alto responsável da NATO estimou as perdas russas na Ucrânia em setembro em mais de 50 mil mortos e feridos, dos quais cerca de 28 mil mortos.
Porque é importante
O aviso de Koudelka alarga o leque de riscos discutidos publicamente por um serviço de intelligence de um país da NATO: da sabotagem híbrida a uma possível operação militar limitada contra um vizinho da Aliança. Ao mesmo tempo, o responsável da NATO na Europa apresentou publicamente a arquitetura de resposta, incluindo ataques a alvos profundos, e divulgou estimativas de perdas russas em setembro que dão uma ideia do grau de desgaste que Moscovo enfrenta na Ucrânia.
O que aconteceu
A 12 de outubro, numa conferência internacional de segurança realizada no parlamento checo, o diretor-geral do Serviço de Segurança e Informação da Chéquia (BIS), Michal Koudelka, advertiu que a Rússia pode passar, nos próximos meses, a operações mais perigosas contra Estados da NATO que apoiam a Ucrânia. Entre os cenários possíveis apontou sabotagens a infraestruturas ligadas à ajuda a Kiev, ataques com drones ou mísseis contra depósitos de armamento destinados à Ucrânia e, em última instância, uma operação militar limitada contra um país vizinho membro da Aliança. Koudelka precisou que a ameaça «não é atual», que a Rússia tem neste momento as suas forças concentradas na Ucrânia e que a sua agência não dispõe de informações concretas sobre uma ameaça direta à Chéquia, pedindo preparação sem pânico. O primeiro-ministro Andrej Babiş respondeu aconselhando-o a reler o lema do serviço — Audi, vide, tace —, enquanto o ex-chefe da diplomacia Jan Lipavsky acusou o executivo de branquear o risco. Paralelamente, o comandante supremo aliado da NATO na Europa, Alexus Grinkevich, apresentou em Varsóvia a chamada «Teoria da Vitória», organizada em três pilares — travar o avanço, enfraquecer as forças inimigas e destruir a sua capacidade de combate —, prevendo ataques a alvos logísticos e de comando bem atrás da frente. Um alto responsável da NATO estimou ainda as perdas russas em setembro em mais de 50 mil efetivos entre mortos e feridos, dos quais cerca de 28 mil mortos.
Onde as versões divergem
Koudelka descreveu a Rússia como estando a preparar-se para operações mais arriscadas contra países da NATO que apoiam a Ucrânia, enquanto Moscovo, citada nos factos, afirmou publicamente não ter planos de atacar qualquer país europeu e negou repetidamente o seu envolvimento em sabotagens e operações híbridas. Por outro lado, o próprio Koudelka qualificou a hipótese de uma operação militar limitada contra um vizinho da Aliança como um cenário extremo e não como uma ameaça iminente, e afirmou não ter informação concreta sobre uma ameaça direta à Chéquia, contrastando com o tom mais alarmista de algumas formulações do mesmo alerta.
Contexto
Em 2014, duas pessoas morreram em explosões em depósitos de munições em Vrbětice, na Chéquia; em 2024, a polícia checa declarou considerar provada a participação de oficiais da inteligência militar russa (GRU) nessas explosões. A 1 de outubro, o Presidente Vladimir Putin, numa sessão plenária do Clube de Valdai, ameaçou recorrer a armas nucleares em caso de conflito militar com a NATO, e no mesmo dia o Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou o destacamento de cerca de 40 fuzileiros para a região do mar Báltico no âmbito da missão Baltic Sentry. A 5 de outubro, a Bloomberg noticiou que o comandante supremo aliado na Europa iria apresentar a estratégia agora designada «Teoria da Vitória».