Ataque russo com bombas guiadas atinge edifícios residenciais em Zaporizhzhia e mata pelo menos 17 pessoas
Na manhã de 10 de outubro, as forças russas atingiram Zaporizhzhia com bombas aéreas guiadas (KABs), destruindo um edifício residencial de cinco andares e causando várias vítimas. O balanço mais recente aponta para pelo menos 17 mortos, incluindo três crianças, e dezenas de feridos. As buscas prosseguem entre os escombros, e foi declarado um dia de luto em Zaporizhzhia para 11 de outubro.
Pontos principais
- Na manhã de 10 de outubro, as forças russas atingiram Zaporizhzhia com bombas aéreas guiadas (KABs); o presidente Volodymyr Zelensky indicou que foram utilizadas cinco KABs
- Um edifício residencial de cinco andares foi atingido, com um dos acessos parcialmente destruído e colapso estrutural ao nível do segundo piso
- O balanço mais recente refere pelo menos 17 mortos, incluindo três crianças, com 17–18 feridos (duas crianças entre os feridos)
- Uma mulher foi resgatada com vida dos escombros do prédio de cinco andares após mais de oito horas
- 11 de outubro foi declarado dia de luto em Zaporizhzhia pelas vítimas do ataque aéreo russo
Porque é importante
O ataque é um dos mais mortíferos de um único bombardeamento russo sobre uma zona residencial ucraniana no recente período de escalada, com várias crianças entre as vítimas, incluindo uma aluna do primeiro ano e outra do oitavo ano, e três gerações de uma família — uma mulher de 73 anos, a filha de 48 e a neta de 16 — que anteriormente tinham fugido de território ocupado pela Rússia. A cidade de Zaporizhzhia, um grande centro regional com mais de 700 mil habitantes e a menos de 16 km da linha da frente, sofreu danos em dezenas de edifícios residenciais. Zelensky enquadrou publicamente o ataque como uma «resposta» da Rússia ao levantamento das sanções norte-americanas às exportações de gasóleo russo.
O que aconteceu
Na manhã de 10 de outubro, as forças russas atingiram Zaporizhzhia com bombas aéreas guiadas (KABs), começando por volta das 04:48, de acordo com a administração regional. Zelensky indicou que foram utilizadas cinco KABs. Um edifício residencial de cinco andares foi atingido, com um dos acessos parcialmente destruído e colapso estrutural ao nível do segundo piso. Uma mulher foi retirada com vida dos escombros após mais de oito horas. Os números subiram ao longo do dia à medida que as operações de busca e salvamento prosseguiam: das primeiras quatro vítimas mortais referidas pela OVA regional e pelo Conselho de Defesa, o balanço evoluiu para cinco, depois sete (incluindo duas ou três crianças, consoante a atualização), depois oito, e por fim para 11, 12, 15 e 17 mortos, incluindo três crianças, segundo a atualização do Serviço Estatal de Emergências. O número de feridos variou entre 4 e 18 nas diferentes atualizações, com o Serviço Estatal de Emergências a indicar 18 e o Ministério do Interior 17. Uma vintena e seis edifícios residenciais nos distritos de Shevchenkivskyi e Voznesenivskyi ficaram danificados, incluindo 23 prédios e três moradias. Foi declarado dia de luto em Zaporizhzhia para 11 de outubro.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A cobertura ucraniana enquadra o ataque no contexto das relações entre os Estados Unidos e a Rússia, citando em destaque as declarações do presidente Volodymyr Zelensky de que o bombardeamento foi o «obrigado» da Rússia pelo levantamento das sanções norte-americanas às exportações de gasóleo. As peças sublinham a dimensão humana e comunitária do ataque, identificando vítimas individuais — uma aluna do primeiro ano (Yelyzaveta Sorochyshyna, do ginásio n.º 63) e uma aluna do oitavo ano (Anna Mur-Zak, do ginásio n.º 4), bem como as três gerações da mesma família. Os principais porta-vozes no terreno foram o chefe em exercício da administração militar regional de Zaporizhzhia, Mykhailo Semikin, o copresidente do Conselho de Defesa de Zaporizhzhia, Ivan Fedorov, o ministro do Interior Ihor Vyhivskyi e o Serviço Estatal de Emergências. Zelensky assinalou igualmente que 13 regiões da Ucrânia foram atingidas por ataques russos durante a noite.
Como o descrevem as fontes internacionais
A cobertura internacional apresenta o ataque como tendo ocorrido «horas depois» ou «no dia seguinte» ao anúncio, feito por Donald Trump a 9 de outubro, de um acordo com Vladimir Putin para a compra de gasóleo russo (mais de 300 mil toneladas de imediato, 500 mil em novembro, um milhão «logo a seguir» e mais três milhões «num curto espaço de tempo»). As peças em inglês dão destaque ao tipo de armamento (bombas planadoras/KABs) e à escala do ataque, conduzindo frequentemente com números na ordem dos 15 mortos e 16 feridos, e citam Zelensky a classificar o acordo como «uma decisão fraca» por parte de «parceiros fortes» e como «um investimento numa guerra que deve ser terminada, e não prolongada». As agências salientam que o acordo foi anunciado enquanto o enviado norte-americano Steve Witkoff e o genro de Trump Jared Kushner se reuniam em Miami com responsáveis ucranianos, e que Zelensky acusou os Estados Unidos de usarem essa reunião como «cortina de fumo». A BBC e a ABC News inserem o ataque num padrão mais amplo de ataques russos a zonas residenciais, referindo os 33 mortos em Kramatorsk e os 22 mortos em Pryluky nos dias anteriores, e as estimativas da ONU sobre o aumento das vítimas civis na Ucrânia.
Contexto
Zaporizhzhia é um importante centro regional com mais de 700 mil habitantes, situado a menos de 16 km da linha da frente, e é frequentemente alvo de drones, mísseis e bombas planadoras russas. O ataque de 10 de outubro insere-se numa série de bombardeamentos russos intensos, com a imprensa ucraniana e internacional a referirem mais de 55 mortos em ataques russos por toda a Ucrânia nos quatro dias anteriores. A 9 de outubro, os Estados Unidos e a Rússia anunciaram um acordo para o fornecimento de gasóleo russo, anunciado no dia seguinte à assinatura, por Trump, de uma vasta lei de sanções contra a Rússia. Ataques russos anteriores em Zaporizhzhia, nos dias 8 e 9 de outubro, tinham visado o edifício do Conselho Regional e uma infraestrutura de transportes, tendo o ataque de 9 de outubro provocado um morto e 23 feridos.