Ataque russo com mísseis atinge prédio residencial em Pryluky e mata pelo menos 22 pessoas, incluindo cinco crianças
Na manhã de 7 de outubro, mísseis de cruzeiro russos atingiram um prédio residencial de cinco andares na cidade de Pryluky, na região de Chernihiv, matando pelo menos 22 pessoas, entre as quais cinco crianças, e ferindo dezenas. O ataque fez parte de uma ofensiva combinada russa com mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones que atingiu várias regiões da Ucrânia durante a noite.
Pontos principais
- Na manhã de 7 de outubro, mísseis de cruzeiro russos atingiram um prédio residencial de cinco andares em Pryluky, região de Chernihiv.
- O ataque destruiu duas entradas do edifício e danificou 15 prédios de apartamentos e 16 casas, além do Centro de Criatividade Infantil e Juvenil e de uma empresa.
- Até a manhã de 8 de outubro, o Serviço Estatal de Emergências confirmava 22 mortos, incluindo cinco crianças, e 54 feridos, incluindo sete crianças.
- Entre as vítimas mortas estavam três crianças com cerca de um ano (Oleksandr, Kyrylo e Serhii) e um menino de oito anos chamado Maksym.
- Uma família inteira — a motorista de locomotiva da Ukrzaliznytsia, o marido, o filho de 8 anos e a filha de 13 anos — morreu no edifício atingido.
- O ataque danificou uma gasoduto de média pressão, deixando mais de 18.000 habitantes de Pryluky sem fornecimento de gás.
- A Ucrânia abriu uma investigação por crime de guerra ao abrigo do artigo 438.º, n.º 2, do Código Penal, e refutou a alegação russa de que o míssil seria de defesa aérea ucraniano.
Porque é importante
O ataque a Pryluky está entre os incidentes com maior número de vítimas civis isoladas na vaga combinada de ataques russos de 7 de outubro. A morte de várias crianças pequenas, a destruição de um prédio residencial durante a madrugada e os danos em infraestruturas civis — incluindo um gasoduto que deixou mais de 18.000 pessoas sem gás e um centro de criatividade infantil — ilustram o impacto humanitário do ataque. O sucedido insere-se numa campanha russa mais ampla com mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones que atingiu várias regiões da Ucrânia, reforçando o pedido ucraniano de maior pressão internacional e sanções mais duras.
O que aconteceu
Na manhã de 7 de outubro, por volta das 6:00, forças russas lançaram uma série de mísseis de cruzeiro contra Pryluky, na região de Chernihiv. Um míssil atingiu um prédio residencial de cinco andares num dos bairros da cidade, destruindo duas entradas e deixando o edifício quase totalmente destruído. O ataque fez parte de uma vaga combinada russa com mísseis balísticos, cerca de 50 mísseis de cruzeiro e cerca de 130 drones, que também atingiu Kyiv, Dnipro, Zaporizhzhia, Kremenchuk e Oleksandriia. As primeiras informações do Serviço Estatal de Emergências (ДСНС) davam conta de 4 mortos e 20 feridos, incluindo três crianças. Ao longo do dia, o número de vítimas foi sendo atualizado: às 11:30, a polícia da região de Chernihiv indicava 9 mortos (incluindo três crianças) e 38 feridos; às 15:00, o balanço era de 16 mortos (incluindo quatro crianças) e 55 feridos (incluindo sete crianças); à noite, Zelensky e o ДСНС referiam 19 a 20 mortos. Na manhã de 8 de outubro, o ДСНС confirmava 22 mortos, incluindo cinco crianças, e 54 feridos, incluindo sete crianças. Em termos nacionais, Zelensky indicou, no seu discurso noturno, 25 mortos e cerca de 100 feridos em toda a Ucrânia, enquanto o ministro do Interior Ivan Vyhivskyi apontou 28 mortos no conjunto dos ataques. Zelensky descreveu a morte das crianças pequenas Oleksandr, Kyrylo e Serhii (com cerca de um ano) e do menino de oito anos Maksym. Uma agente da polícia ficou ferida, tendo o marido — veterano da polícia que tinha combatido na frente — e a mãe morrido. Uma família inteira de uma motorista de locomotiva da Ukrzaliznytsia — a própria, o marido, o filho de 8 anos e a filha de 13 anos — morreu no prédio. Três gerações de outra família — Viktoriya Bondarenko (58 anos), a filha Kateryna Antypenko (37) e o neto Oleksandr/Sashko (um ano e nove meses) — também perderam a vida. Os ataques danificaram ainda o Centro de Criatividade Infantil e Juvenil, uma empresa, 15 prédios de apartamentos e 16 casas particulares, além de um gasoduto de média pressão que deixou mais de 18.000 habitantes sem fornecimento de gás. Policiais encontraram fragmentos de um míssil de cruzeiro russo e uma ogiva por explodir nos arredores de Pryluky. Foi aberta uma investigação por crime de guerra ao abrigo do artigo 438.º, n.º 2, do Código Penal da Ucrânia. A defesa aérea ucraniana afirma ter abatido 161 alvos aéreos — 117 drones, 5 mísseis balísticos e 39 mísseis de cruzeiro — durante a noite do ataque.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A cobertura ucraniana é dominada por meios nacionais e regionais em língua ucraniana, agências e declarações oficiais do ДСНС, do Ministério do Interior, da Administração Militar da região de Chernihiv e da câmara municipal de Pryluky. As peças centram-se no balanço humano em Pryluky, com atualizações regulares ao longo do dia, vítimas identificadas (as crianças de cerca de um ano Oleksandr, Kyrylo e Serhii e o menino de oito anos Maksym), histórias pessoais como a da menina Zlata, de três anos, resgatada dos escombros, a da agente da polícia cujo marido e mãe morreram, e a da família da ferroviária da Ukrzaliznytsia. As fontes sublinham a responsabilidade russa, a utilização de mísseis de cruzeiro Kh-101 e a integração do ataque numa vaga combinada mais ampla que atingiu várias regiões, citando Zelensky quando apela a mais sanções e descreve os ataques como um 'ensaio' das intenções russas. É destacada a abertura de uma investigação por crime de guerra ao abrigo do artigo 438.º do Código Penal, os danos em infraestruturas civis e a falha de gás que afetou mais de 18.000 residentes. Várias peças incluem declarações do Centro de Contradocumentação e da Força Aérea ucraniana a rejeitar a alegação russa de que o míssil seria de defesa aérea ucraniano.
Como o descrevem as fontes internacionais
A única fonte não ucraniana disponível é um despacho em inglês de uma agência do Azerbaijão, que refere de forma breve a subida do número de mortos em Pryluky, sem acrescentar enquadramento internacional adicional. Não há outras vozes internacionais na amostra fornecida, pelo que não é possível caracterizar mais do que este limitado contributo externo.
Onde as versões divergem
Os números de mortos no ataque a Pryluky variaram consoante a fonte e o momento: a polícia indicou inicialmente 2 mortos e 7 feridos às 8:20; o ДСНС avançou com 4 mortos e 20 feridos; Zelensky falou em 5 mortos e 26 feridos; o Ministério do Interior reportou 6 mortos e 34 feridos; ao longo do dia surgiram sucessivamente 9, 13, 14, 16, 18, 19 e 20 mortos, com o ДСНС a indicar 22 mortos (incluindo cinco crianças) e 54 feridos na manhã de 8 de outubro. As fontes divergem também sobre o número de crianças mortas: a maioria aponta para quatro crianças (três com cerca de um ano e um menino de oito anos), mas uma atualização posterior da Administração Militar refere 20 mortos incluindo cinco crianças, e Zelensky e outras peças noticiosas posteriores indicam 19 mortos incluindo cinco crianças. As contagens de feridos variaram entre 7 (polícia, início da manhã), 20 (ДСНС), 25-26 (Zelensky), 34 (ministro do Interior), 38 (polícia às 11:30), 40 (ДСНС às 11:30), 50 (polícia às 12:45), 54 (ДСНС na manhã de 8 de outubro) e 55 (polícia às 15:00 e em várias peças posteriores). O balanço nacional total da vaga combinada russa de 7 de outubro também diverge: Zelensky apontou 25 mortos e cerca de 100 feridos no discurso noturno, enquanto o ministro do Interior Ivan Vyhivskyi referiu 28 mortos nas cidades atingidas (Pryluky, Kremenchuk, Oleksandriia e Kyiv). As datas dos dias de luto em Pryluky são indicadas pela maioria das fontes como 7-9 de outubro, embora uma fonte refira 8-10 de outubro. Por fim, a propaganda russa afirmou que um míssil de defesa aérea ucraniano tinha atingido o prédio de Pryluky, alegação rejeitada pelo Centro de Contradocumentação e pela Força Aérea da Ucrânia, que confirmaram que o impacto foi de um míssil russo.