Polónia e Roménia recusam aumentar exportação de grãos ucranianos por via terrestre
A Polónia e a Roménia recusaram o pedido da Ucrânia para aumentar o trânsito de cereais através dos seus territórios, alegando a defesa dos interesses dos seus próprios agricultores. O ministro da Política Agrária da Ucrânia, Taras Vysotsky, deslocou-se a Bruxelas para pedir ajuda aos homólogos da UE e alertou para uma crise que poderá deixar até 35 milhões de toneladas de cereais retidos no país.
Pontos principais
- Polónia e Roménia recusaram o pedido de Kiev para aumentar o trânsito de cereais ucranianos.
- O ministro Taras Vysotsky viajou a Bruxelas para solicitar aos homólogos europeus mais capacidade de trânsito e 1,1 mil milhões de euros para custos de transporte.
- Menos de metade das exportações ucranianas escoa atualmente por ferrovia, estrada e rio através da Europa.
- Se o bloqueio persistir, até 35 milhões de toneladas de cereais podem ficar retidos na Ucrânia este ano e a área semeada em 2027 poderá cair 35–40%.
- A Roménia e a Polónia invocam os interesses dos agricultores locais; a Roménia aponta baixa do Danúbio e sobrecarga dos portos.
- O comissário europeu da Agricultura, Christoph Hansen, reconheceu o problema por razões de segurança alimentar global, sem compromissos concretos.
Porque é importante
Dois vizinhos da Ucrânia na linha da frente da UE recusaram publicamente reforçar as rotas terrestres que se tornaram essenciais para escoar os cereais ucranianos desde o colapso do corredor do Mar Negro. O alerta de Vysotsky aponta para uma crise com efeitos na próxima campanha agrícola e expõe a tensão entre as necessidades de exportação de um país em guerra e o peso político dos agricultores nos Estados-membros vizinhos.
O que aconteceu
A Polónia e a Roménia rejeitaram o pedido de Kiev para aumentar o trânsito de cereais ucranianos por ferrovia, estrada e rio, invocando os interesses dos seus próprios produtores. A Roménia, através do ministro da Agricultura Barna Tanczos, sublinhou que o trigo já em trânsito, combinado com a baixa do caudal do Danúbio, sobrecarregou os portos do país e dificulta a venda da produção romena. A Polónia, pela voz da porta-voz do Ministério das Infraestruturas, Anna Szumanska, afirmou que não planeia alterações para incrementar o trânsito. O ministro da Política Agrária da Ucrânia, Taras Vysotsky, esteve em Bruxelas a pedir aos homólogos da UE autorização para maiores volumes de exportação por terra e 1,1 mil milhões de euros para cobrir custos de transporte adicionais. Alertou que menos de metade das exportações escoa atualmente pelas rotas europeias, que até 35 milhões de toneladas podem ficar retidas este ano e que a área semeada em 2027 poderá cair 35–40% se a situação se mantiver até à primavera. O comissário europeu da Agricultura, Christoph Hansen, reconheceu o problema por razões de segurança alimentar global, mas sem compromissos concretos.
Como o descrevem as fontes internacionais
A cobertura internacional, sobretudo a Politico, que falou com Tanczos e Szumanska, destaca o contraste entre a urgência expressa por Kiev e a relutância dos governos vizinhos em sobrecarregar os seus setores agrícolas. Bruxelas reconhece a dimensão global do problema através de Hansen, mas não avança com medidas concretas, deixando a resposta política por definir.
Contexto
A Rússia abandonou o acordo dos cereais do Mar Negro em julho de 2023, após o que as exportações ucranianas passaram a depender sobretudo do trânsito terrestre e fluvial por países vizinhos. Polónia, Eslováquia e Hungria já tinham proibido a importação de cereais ucranianos; Roménia e Ucrânia assinaram no mês passado um memorando para simplificar a passagem fronteiriça e reforçar as ligações ferroviárias. A 1 de outubro, a Bloomberg noticiou que a Turquia e a ONU promoveram novas conversações Ucrânia-Rússia sobre um cessar-fogo no Mar Negro. A Estónia proibiu a passagem de cereais russos e bielorrussos e a Letónia introduziu controlos fronteiriços. A Ucrânia tinha já pedido à UE 220 milhões de euros adicionais para compensar agricultores afetados por ataques russos aos portos de Odessa.