Ucrânia revela a aliados europeus plano capturado para destruir infraestruturas de energia e água este inverno
A Ucrânia apresentou aos aliados europeus, em Paris, um documento russo capturado que descreve um plano para lançar até mil mísseis, drones e bombas contra infraestruturas energéticas, hídricas e nucleares da Ucrânia este inverno. O objetivo é cortar eletricidade, aquecimento e água em Kiev, Kharkiv e Odessa e forçar uma crise humanitária. O documento, datado de agosto e escrito em russo, não pôde ser verificado de forma independente pelo The New York Times.
Pontos principais
- Ucrânia apresentou o documento a aliados europeus em Paris cerca de duas semanas antes da reportagem.
- Plano prevê até mil mísseis, drones e bombas contra alvos energéticos e hídricos.
- Alvos incluem subestações elétricas, centrais hidroelétricas e térmicas, e estações de bombagem e tratamento de água.
- Pretende forçar a paragem das três centrais nucleares em operação na Ucrânia através de subestações de distribuição.
- Objetivo é cortar eletricidade e aquecimento em até 90% em Kiev, Kharkiv e Odessa.
- The New York Times não conseguiu verificar de forma independente a autenticidade do documento.
- Reportagem foi publicada na sexta-feira, 2 de outubro de 2026.
Porque é importante
O plano capturado descreve um eventual ataque em larga escala a infraestruturas civis de energia, água e nuclear durante o inverno, período em que essas perdas seriam mais devastadoras. A execução poderia cortar eletricidade e aquecimento em até 90% em Kiev, Kharkiv e Odessa e desencadear uma crise humanitária. Ao visar a paragem das três centrais nucleares operacionais através de subestações de distribuição, o plano levanta preocupações adicionais de segurança nuclear. A divulgação tem como objetivo mobilizar os parceiros europeus para preparar apoio defensivo e humanitário antes dos ataques.
O que aconteceu
A Ucrânia apresentou aos aliados europeus, em Paris, um documento russo capturado que detalha um plano para lançar até mil mísseis, drones e bombas contra infraestruturas energéticas e hídricas da Ucrânia este inverno. O documento, datado de agosto e escrito em russo, descreve ataques a subestações elétricas, centrais hidroelétricas e térmicas, e a sistemas de abastecimento de água, incluindo estações de bombagem e tratamento, com recurso a dezenas de mísseis balísticos e bombas planantes. As três centrais nucleares operacionais deveriam ser forçadas a parar indiretamente, através de subestações de distribuição que as ligam à rede. Os principais alvos são Kiev, Kharkiv e Odessa, onde o fornecimento de eletricidade e aquecimento poderia ser cortado em até 90%, com cortes graves também nos sistemas de esgotos. O objetivo declarado é provocar uma crise humanitária. O The New York Times publicou a informação em 2 de outubro, indicando não ter conseguido verificar de forma independente a autenticidade do documento.
Como o descrevem as fontes ucranianas
Ambos os artigos colocam as autoridades ucranianas no centro da revelação, destacando que o primeiro-ministro Denys Shmyhal apresentou o plano capturado aos aliados europeus em Paris. A cobertura sublinha a escala dos ataques previstos e a amplitude dos alvos, incluindo infraestruturas de energia, água e nuclear, e enfatiza a importância de coordenar uma resposta europeia antes da campanha de inverno.
Onde as versões divergem
As duas fontes divergem na estrutura atribuída ao plano: uma descreve explicitamente uma sequência em três etapas — primeiro subestações perto da fronteira ocidental, depois centrais hidroelétricas e, por fim, a paragem forçada das três centrais nucleares operacionais —, ao passo que a outra apresenta os conceitos sem detalhar essa divisão em fases.
Contexto
O The New York Times indicou não ter conseguido verificar de forma independente a autenticidade do documento capturado, datado de agosto e escrito em russo. A Rússia não realizara anteriormente ataques em larga escala contra infraestruturas hídricas como estações de bombagem e tratamento. As três centrais nucleares operacionais na Ucrânia seriam visadas indiretamente, através das subestações de distribuição que as ligam à rede, e não por ataques diretos às centrais. Putin enquadrou publicamente uma escalada de inverno contra o setor energético ucraniano como uma "resposta" aos ataques ucranianos a refinarias russas.