Publicado: · Atualizado:

EUA planeiam reunião Ucrânia-Rússia em Abu Dhabi em outubro para discutir cessar-fogo parcial

Os Estados Unidos pretendem organizar em outubro, em Abu Dhabi, uma reunião trilateral com representantes da Ucrânia e da Rússia para discutir um cessar-fogo limitado. A informação foi avançada pela The Atlantic, citando negociadores ucranianos. Entre os temas possíveis estão a renúncia mútua a ataques contra infraestruturas energéticas e, separadamente, um acordo mediado pelo Egito sobre navios de carga no mar Negro. Os EUA procuram também uma cimeira Trump-Zelensky-Putin e ponderam um esquema de troca de presos políticos russos por alívio de sanções, ao qual a Ucrânia se opõe.

Pontos principais

  • EUA planeiam para outubro uma reunião Ucrânia-Rússia em Abu Dhabi sobre cessar-fogo limitado.
  • Possível acordo inclui renúncia mútua a ataques a centrais elétricas e refinarias.
  • Egito poderá mediar acordo separado sobre navios de carga no mar Negro, incluindo transporte de trigo.
  • EUA querem organizar uma cimeira Trump-Zelensky-Putin e convidaram Putin para a cimeira do G20 em Miami, em dezembro; Putin ainda não aceitou.
  • Enviado especial John Cole propôs troca de presos políticos russos por alívio de sanções; Ucrânia opõe-se a qualquer alívio antes do fim da guerra.
  • Fontes governamentais ucranianas não esperam que Putin entre em negociações sérias antes da primavera.
  • A 14 de setembro, Trump disse que ambos os países aceitaram não atacar infraestruturas energéticas; Zelensky descreveu a posição ucraniana como proposta condicional.

Porque é importante

A reunião de Abu Dhabi, caso se concretize, será o primeiro encontro trilateral EUA-Ucrânia-Rússia dedicado a um cessar-fogo parcial. Um eventual acordo de contenção mútua sobre infraestruturas energéticas teria impacto humanitário direto na Ucrânia, onde os ataques a centrais e refinities têm sido uma das principais fontes de sofrimento civil. Simultaneamente, a ponderação norte-americana de aliviar sanções em troca da libertação de presos políticos russos contraria a posição de Kiev e pode dar a Moscovo recursos adicionais para prolongar a guerra. Um acordo separado, mediado pelo Egito, sobre navios de carga no mar Negro afetaria o abastecimento de trigo aos mercados do Médio Oriente e de África.

O que aconteceu

Os Estados Unidos estão a planear uma reunião em outubro entre representantes da Ucrânia e da Rússia, muito provavelmente em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, para discutir um cessar-fogo limitado. A informação foi publicada pela The Atlantic com base em fontes próximas dos negociadores ucranianos. Entre as matérias em análise está a renúncia mútua a ataques contra infraestruturas energéticas, incluindo centrais elétricas e refinarias de petróleo, e um acordo separado, mediado pelo Egito, sobre a cessação de ataques a navios de carga no mar Negro que transportam trigo para os mercados do Médio Oriente e de África.

Paralelamente, a administração norte-americana procura organizar uma cimeira entre Donald Trump, Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin, e convidou Putin para a cimeira do G20 prevista para dezembro em Miami. Putin ainda não aceitou o convite. Os EUA defendem uma redução faseada das hostilidades, começando por acordos limitados sobre categorias específicas de ataques que possam depois servir de base a um cessar-fogo mais amplo.

O enviado especial John Cole propôs um esquema em que a Rússia libertaria presos políticos e os EUA aliviariam sanções à economia russa em troca. Cole já aplicou uma lógica semelhante com a Bielorrússia, obtendos cerca de 500 presos políticos libertados em troca de algum alívio de sanções e do início de um negócio de compra de potássio bielorrusso. A Ucrânia opõe-se a qualquer alívio de sanções antes do fim da guerra, e Zelensky tenciona tentar bloquear esse tipo de medida. Fontes do governo ucraniano não esperam que Putin entre em negociações de paz sérias antes, pelo menos, da primavera, e o Financial Times noticiou, citando fontes, que Putin não pretende um trégua energética antes do inverno para pressionar Kiev.

Como o descrevem as fontes ucranianas

A comunicação social em língua ucraniana destaca que a reunião de Abu Dhabi é uma iniciativa norte-americana e dá grande relevo à posição de Kiev contra qualquer alívio de sanções antes do fim da guerra, bem como à intenção de Zelensky de bloquear essas medidas. As fontes ucranianas sublinham igualmente a acumulação de mísseis pela Rússia para ataques durante o inverno e a expectativa, em Kiev, de que Putin só entrará em negociações sérias na primavera, no mínimo. A 24 de setembro, a ZN.UA noticiou que estava planeada para esse dia uma reunião Ucrânia-EUA-Rússia sobre o cessar-fogo energético; o Gabinete do Presidente da Ucrânia não confirmou a informação.

Como o descrevem as fontes internacionais

A única peça em inglês disponível, de uma agência do Azerbaijão que reproduz a história, segue de perto a abordagem da The Atlantic, centrada na diplomacia norte-americana — Witkoff, Kushner, Cole e Trump como motores do processo — e na eventual troca de presos por sanções, incluindo o precedente do acordo com a Bielorrússia sobre o potássio. O enquadramento internacional dá menos peso às preocupações ucranianas sobre o alívio de sanções.

Onde as versões divergem

Há um desacordo claro entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky sobre o que foi acordado em matéria de ataques a infraestruturas energéticas. A 14 de setembro, Trump afirmou que Ucrânia e Rússia já tinham aceitado não atacar instalações energéticas uma da outra; Zelensky apresentou a posição ucraniana como uma proposta condicional, dependente de os parceiros garantirem que a Rússia também pararia, e o Gabinete do Presidente não confirmou a reunião trilateral planeada para 24 de setembro sobre esse tema.

A The Atlantic descreve uma estratégia norte-americana que inclui alívio de sanções em troca da libertação de presos políticos russos e possíveis negócios comerciais EUA-Rússia; os negociadores ucranianos citados na mesma reportagem opõem-se a qualquer alívio de sanções antes do fim da guerra e alertam que a retoma do comércio ocidental com a Rússia daria a Moscovo recursos adicionais para continuar a combater.

Contexto

A abordagem norte-americana prevê uma redução faseada das hostilidades, começando por acordos limitados sobre categorias específicas de ataques antes de qualquer cessar-fogo mais amplo. O enviado especial John Cole já aplicou um modelo semelhante de troca de presos por alívio de sanções com a Bielorrússia, obtendos cerca de 500 presos políticos libertados em troca de algum alívio de sanções e do início de um negócio de compra de potássio bielorrusso. A 14 de setembro, Trump afirmou publicamente que Ucrânia e Rússia tinham concordado em não atacar infraestruturas energéticas uma da outra; Zelensky enquadrou isso como uma proposta condicional de Kiev, e não como um acordo consolidado. A 24 de setembro, a ZN.UA noticiou que uma reunião Ucrânia-EUA-Rússia sobre o cessar-fogo energético estaria supostamente planeada para esse dia, mas o Gabinete do Presidente da Ucrânia não confirmou. Fontes governamentais ucranianas não esperam que Putin entre em negociações sérias antes da primavera, e há relatos de que a Rússia tem acumulado mísseis para ataques durante o inverno.