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Emissário de Trump propõe libertar presos políticos russos em troca de alívio de sanções; Kremlin rejeita

O enviado especial do Presidente dos EUA Donald Trump, John Coale, propôs uma nova estratégia em relação à Rússia: Moscovo libertaria presos políticos em troca do alívio das sanções norte-americanas e da retoma de laços económicos. Trump apoiou a iniciativa, segundo a The Atlantic, mas o Kremlin, através do porta-voz Dmitry Peskov, rejeitou a proposta, negando a existência de presos políticos na Rússia. A estratégia replica o modelo aplicado por Coale na Bielorrússia, onde a libertação de prisioneiros foi seguida por alívio de sanções e um acordo sobre fertilizantes de potássio.

Pontos principais

  • Coale propôs que a Rússia libertasse presos políticos em troca do alívio de sanções dos EUA e da retoma de laços económicos; Trump concordou com a iniciativa
  • A estratégia baseia-se no modelo bielorrusso, após a libertação de cerca de 500 presos políticos e a concretização de um acordo sobre potássio
  • O Kremlin rejeitou a proposta: Peskov afirmou que a Rússia nega a existência de presos políticos e que a questão não está em discussão
  • Em 29 de setembro, Trump indicou ao Senado a nomeação de Coale como Enviado Especial Presidencial para Assuntos de Reféns, cargo que exige confirmação parlamentar
  • Coale coordenará os esforços com Steve Witkoff, o principal contacto de Trump com Moscovo, que se reuniu com Putin pelo menos sete vezes desde o início da guerra em grande escala
  • Zelensky afirmou que tentará bloquear o levantamento das sanções contra a Rússia enquanto a guerra durar, alertando que mais receitas russas significam mais recursos para a guerra
  • A ONU Memorial estima que pelo menos 5.729 pessoas estejam detidas por motivos políticos na Rússia e nos territórios ocupados na Ucrânia

Porque é importante

A iniciativa revela uma estratégia formal dos EUA que associa o alívio de sanções à libertação de presos políticos, seguindo o modelo bielorrusso. Sinaliza abertura da Casa Branca a grandes negócios com Moscovo nos domínios do petróleo, combustíveis e terras raras, ao mesmo tempo que ilustra uma contradição interna da política norte-americana entre o endurecimento legislativo das sanções e a procura discreta de formas de as flexibilizar. O Kremlin já rejeitou a abordagem, enfraquecendo um pilar central do envolvimento dos EUA, e a Ucrânia opõe-se a qualquer alívio de sanções enquanto a guerra continuar.

O que aconteceu

O enviado especial do Presidente norte-americano Donald Trump, John Coale, propôs uma nova estratégia em relação à Rússia: Moscovo deveria libertar presos políticos em troca do alívio das sanções dos EUA e da retoma de relações económicas. Segundo a The Atlantic, Trump concordou com a iniciativa. O objetivo é reintegrar a Rússia na economia mundial e abrir caminho a acordos norte-americanos sobre petróleo russo, gasóleo, terras raras e outros bens. A abordagem reproduz o modelo que Coale aplicou na Bielorrússia, onde a libertação de cerca de 500 presos políticos foi seguida por alívio de sanções e um acordo sobre fertilizantes de potássio. A ideia surgiu após um encontro na primavera entre Coale e o dissidente russo e Nobel da Paz Dmitry Muratov, cofundador da Novaya Gazeta, que entregou ao enviado uma medalha comemorativa outrora oferecida por Reagan a Gorbachev e fotografias de ativistas russos presos por se oporem à guerra. Na segunda-feira anterior, a Casa Branca nomeou Coale para o cargo de Enviado Especial Presidencial para Assuntos de Reféns, ao nível de embaixador, sujeito a confirmação do Senado. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou a formulação da proposta, afirmando que a Rússia nega a existência de presos políticos e que o tema não está em discussão, embora tenha confirmado a manutenção de contactos regulares entre os serviços especiais dos dois países sobre trocas de prisioneiros.

Como o descrevem as fontes ucranianas

A comunicação social ucraniana destaca a proposta como uma questão de segurança diretamente relevante para o país, sublinhando a intenção declarada pelo Presidente Volodymyr Zelensky de bloquear qualquer alívio enquanto a guerra durar. A maioria das fontes sublinha que os negociadores ucranianos consideram a estratégia arriscada, argumentando que o comércio ocidental com a Rússia reforçaria a capacidade militar de Moscovo e que os chamados «acordos de prosperidade» não constituem qualquer garantia de segurança para a Ucrânia. Várias manchetes salientam a rejeição da proposta pelo Kremlin como sinal de desalinhamento com a posição russa, e a maioria sublinha que não se esperam negociações de paz sérias num futuro próximo, com a Rússia a continuar os ataques durante as discussões diplomáticas.

Onde as versões divergem

As fontes divergem em três pontos principais. Em primeiro lugar, o Kremlin rejeita o enquadramento da proposta: Peskov afirma que a Rússia nega a existência de presos políticos e que o alívio de sanções em troca da libertação de prisioneiros não está em discussão, contradizendo a premissa central da estratégia de Coale. Em segundo lugar, as fontes divergem quanto ao número de presos políticos bielorrussos libertados no âmbito da abordagem de Coale, oscilando entre «centenas», «cerca de 500» e «dezenas». Por fim, embora a maioria das fontes indique que a Ucrânia não espera negociações de paz sérias num futuro próximo, algumas acrescentam que os responsáveis ucranianos antecipam essa expectativa apenas para a primavera e avaliam os esforços diplomáticos de Trump como ineficazes, dada a ausência de cedências por parte de Putin.

Contexto

Os EUA e a Europa impuseram sanções contra elites, bancos, indústrias e setor energético russos desde 2014. No início de 2025, Trump suspendeu temporariamente algumas restrições, permitindo à Rússia aumentar as vendas de combustível no mercado mundial, decisão que a Ucrânia condenou. Mais recentemente, Trump promulgou uma lei (o projeto Lindsey Graham) que lhe permite impor sanções mais severas contra a Rússia e os seus parceiros comerciais. Antes da estratégia agora revelada, Coale e outros diplomatas norte-americanos tinham obtido a libertação de aproximadamente 500 presos políticos bielorrussos, seguida de alívio de sanções e de um acordo sobre potássio. A 16 de setembro, a Bielorrússia acordou libertar 25 presos políticos em troca do levantamento das sanções dos EUA sobre duas empresas bielorrussas, a Lakokraska e a Bellesbumprom. Na semana anterior, Trump afirmou que os EUA discutem um «grande» acordo sobre potássio com a Bielorrússia, no qual, segundo Coale, a Rússia também está envolvida. Steve Witkoff, o principal ponto de contacto de Trump com Moscovo, encontrou-se com Putin pelo menos sete vezes desde o início da guerra em grande escala, mas visitou Kiev apenas uma vez. Segundo a base de dados do movimento Memorial, a 30 de setembro pelo menos 5.729 pessoas estavam detidas por motivos políticos na Rússia e nos territórios ocupados na Ucrânia, número que a própria organização considera uma estimativa mínima.