Drone russo atinge sede da Academia de Ciências da Ucrânia em Kiev
No dia 28 de setembro, um drone russo atingiu a sede da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia, no centro histórico de Kiev, durante o horário de trabalho. Pelo menos duas pessoas morreram, incluindo a assistente de um vice-presidente da Academia, e várias ficaram feridas. O ataque provocou condenações de líderes europeus e da ONU e levou o chefe da diplomacia ucraniana a pedir à UNESCO que retire a Rússia do direito de voto.
Pontos principais
- Drone russo atingiu o prédio do Presidium da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia na rua Volodymyrska, 54, no distrito de Shevchenkivskyi, centro de Kiev, por volta das 13:30 do dia 28 de setembro.
- Incêndio de grandes proporções destruiu parcialmente o segundo e terceiro andares do edifício de três pisos; pessoas presas no interior tentaram escapar pelas janelas.
- Pelo menos duas pessoas morreram, entre elas Nataliia Bukalo, assistente pessoal do vice-presidente da Academia, Volodymyr Horbulin, que sofreu ferimentos ligeiros.
- Número de feridos variou ao longo do dia: 1 morto e 3 feridos nos primeiros relatórios; o Presidente Zelensky indicou depois 1 morto e 6 feridos, incluindo 3 crianças; o Serviço de Emergência do Estado reportou 1 morto e 7 feridos.
- Presidente Zelensky prometeu resposta da Ucrânia; ministro dos Negócios Estrangeiros Andriy Sybiha pediu à UNESCO que retirasse à Rússia o direito de voto e a elegibilidade para órgãos da organização.
- Presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, Presidente francês Emmanuel Macron, secretário-geral do Conselho da Europa Alain Berset, Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, Presidente da Moldávia Maia Sandu e ministro estónio Margus Tsahkna condenaram o ataque.
- Edifício diplomático da UE fica a cerca de 200 metros do local atingido; a embaixada da Alemanha está nas imediações; ministro da Defesa polaco confirmou que um drone a jato caiu a cerca de 2 km da passagem fronteiriça Dorohusk-Yahodyn sem violar o espaço aéreo polaco.
Porque é importante
O ataque atingiu uma das principais instituições científicas da Ucrânia no centro histórico de Kiev, em plena luz do dia e a curta distância das embaixadas da Alemanha e da Delegação da UE, levantando questões sobre a proteção de instalações diplomáticas. Provocou condenações formais de vários governos europeus e de instituições da UE, e levou Kiev a pedir o isolamento da Rússia na UNESCO. Insere-se num padrão mais amplo de ataques massivos com drones russos: só no dia 28 de setembro, as forças russas lançaram mais de 120 drones contra a Ucrânia, a maioria contra a região de Kiev, num único dia.
O que aconteceu
Na segunda-feira, 28 de setembro de 2026, por volta das 13:30, um drone russo a jato atingiu o prédio do Presidium da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia, na rua Volodymyrska, 54, no distrito de Shevchenkivskyi, no centro histórico de Kiev. O impacto provocou um incêndio de grandes proporções que destruiu parcialmente o segundo e o terceiro andares do edifício de três pisos. Pessoas presas no interior tentaram escapar pelas janelas; os bombeiros resgataram duas com escadas. Os primeiros relatórios do Presidente da Câmara de Kiev, Vitaliy Klitschko, e da Administração Militar da Cidade indicaram uma mulher morta e três feridos. Ao longo do dia, o número de feridos foi sendo revisto em alta: o Presidente Zelensky apontou depois para um morto e seis feridos, incluindo três crianças, enquanto o Serviço de Emergência do Estado (DSNS) reportou um morto e sete feridos. A segunda vítima mortal foi encontrada durante os trabalhos de remoção dos escombros. Entre os mortos estava Nataliia Bukalo, assistente pessoal do antigo secretário do Conselho de Segurança Nacional e atual vice-presidente da Academia, Volodymyr Horbulin, que sofreu ferimentos ligeiros provocados por vidros partidos. O Presidente Zelensky prometeu uma resposta ucraniana e apelou aos parceiros internacionais para aumentarem a pressão sobre a Rússia e reforçarem o apoio em defesa aérea. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Andriy Sybiha, apelou à UNESCO para retirar à Rússia o direito de voto e a elegibilidade para órgãos da organização. Vários líderes estrangeiros, entre os quais a Presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, o Presidente francês Emmanuel Macron, o secretário-geral do Conselho da Europa Alain Berset, o Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, a Presidente da Moldávia Maia Sandu e o chefe da diplomacia estónia Margus Tsahkna, condenaram o ataque. A embaixadora da UE em Kiev, Katarina Maternova, referiu que o edifício atingido ficava a cerca de 200 metros da Delegação da UE. O ministro da Defesa polaco, Władysław Kosiniak-Kamysz, confirmou que um drone russo a jato caiu a cerca de 2 km da passagem fronteiriça de Dorohusk-Yahodyn, sem violar o espaço aéreo polaco. O ataque fez parte de uma vaga mais ampla que atingiu também, no mesmo dia, a clínica Dobrobut na mesma zona de Shevchenkivskyi, uma empresa farmacêutica e estações de serviço em Kiev, um centro de negócios em Dnipro, infraestruturas da Ukrtelecom e alvos nos distritos de Podilskyi, Holosiivskyi, Darnytskyi e Obolonskyi, em Kiev.
Como o descrevem as fontes ucranianas
Os meios ucranianos centraram-se nos detalhes operacionais do ataque: hora do impacto (cerca das 13:30), localização exata na rua Volodymyrska, 54, mobilização de cerca de 25 veículos e 100 socorristas, destruição parcial do segundo e terceiro andares, e resgate de pessoas pelas janelas com escadas. Deram grande destaque a fontes oficiais ucranianas — o Presidente Zelensky a prometer uma resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros Sybiha a pedir o isolamento da Rússia na UNESCO, os ministros da Educação Andriy Butenko e Denys Kurbatov a apelarem à comunidade científica internacional para bloquear instituições russas — bem como a vozes pessoais, como o ferimento de Horbulin e a morte da sua assistente Nataliia Bukalo, e os depoimentos de trabalhadores da Academia, incluindo Olha Atamanenko e Leonid Fedorenko, sobre o momento do impacto e colegas que não conseguiam ser contactados. A cobertura sublinhou igualmente a dimensão histórica do edifício (originário dos anos 1850, antigo Pensionato da Condessa Levashova, sede da Academia desde 1918-1919) e a comparação com o bombardeamento do mesmo prédio pelas forças bolcheviques sob Muravyov em janeiro de 1918. Zelensky sublinhou que, só no dia 28, a Rússia lançou cerca de 120 drones, 90 deles a jato, e que nesse dia, em toda a Ucrânia, nove pessoas morreram e mais de 80 ficaram feridas.
Como o descrevem as fontes internacionais
A cobertura internacional disponível, em particular meios alemães, britânicos e uma agência azeri de língua inglesa, enquadrou o ataque sobretudo pelo seu impacto numa instituição académica histórica e pela proximidade de missões diplomáticas. O Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão sublinhou que o ataque ocorreu nas imediações imediatas da embaixada da Alemanha em Kiev, e a embaixadora da UE Katarina Maternova referiu que o edifício atingido fica a cerca de 200 metros da Delegação da UE. As declarações de condenação de líderes europeus e de instituições da UE — von der Leyen, Macron, Berset, Sandu, Tsahkna, a nota do Auswärtiges Amt — convergiram na ideia de que «a ciência se tornou um alvo para a Rússia» e apelaram a uma maior pressão internacional. Uma nota da agência azeri salientou a morte de dois académicos. Vários órgãos de comunicação internacionais, incluindo a BBC, destacaram a dimensão humana e patrimonial, com imagens de pessoas a fugir do edifício histórico. O ministro da Defesa polaco, Kosiniak-Kamysz, acrescentou a dimensão de risco de spillover ao confirmar que um drone russo caiu a cerca de 2 km da fronteira polaca, sem contudo violar o espaço aéreo da Polónia.
Onde as versões divergem
Houve divergências significativas nos números de vítimas ao longo do dia. No ataque à Academia, Klitschko e a KMDA indicaram inicialmente uma mulher morta e três feridos, número que subiu depois para quatro, cinco e seis feridos (incluindo três crianças) segundo Zelensky e algumas fontes, e para sete feridos de acordo com o Serviço de Emergência do Estado. Klitschko reportou também totais diários diferentes para Kiev: 14, depois 19 e por fim 24 feridos, incluindo três crianças, com seis hospitalizados. A nível nacional, Zelensky indicou nove mortos e mais de 80 feridos no dia 28. O Comissário para a Proteção da Língua Ucraniana e o Presidente da Academia, Anatoliy Zagorodniy, afirmaram que dois académicos da Academia tinham morrido, mas a assessoria de imprensa da Academia não confirmou duas mortes de académicos, indicando apenas a morte de Nataliia Bukalo, assistente de Horbulin. Houve igualmente discrepância no número de feridos na clínica Dobrobut (entre sete e oito, seis dos quais funcionários da clínica) e nas contagens de drones russos usados nesse dia: a Força Aérea reportou 124 drones de ataque (86 a jato) entre as 06:30 e as 18:30, enquanto Zelensky falou em «cerca de 120 drones, 90 deles a jato».
Contexto
A Academia Nacional de Ciências da Ucrânia foi fundada em Kiev a 27 de novembro de 1918, tendo o cientista Volodymyr Vernadsky como seu primeiro presidente. O seu edifício do Presidium na rua Volodymyrska, 54, data dos anos 1850 — foi originalmente construído como Pensionato da Condessa Levashova — e acolhe a Academia desde 1918-1919, há mais de 107 anos. Esse mesmo edifício já tinha sido alvo de bombardeamento em janeiro de 1918 por forças bolcheviques russas sob o comando de Muravyov. A Academia reúne, no início de 2026, cerca de 24 000 pessoas, incluindo mais de 13 000 investigadores, distribuídos por 14 departamentos científicos e mais de 150 instituições científicas. O ataque de 28 de setembro insere-se numa vaga mais ampla de ataques russos com drones à Ucrânia: segundo a Força Aérea, só nesse dia foram lançados 124 drones de ataque (86 deles a jato) entre as 06:30 e as 18:30, com a região de Kiev como direção principal.