Tribunal de Pula autoriza extradição de ucraniano suspeito no caso Nord Stream
O Tribunal Distrital de Pula, na Croácia, autorizou a extradição do cidadão ucraniano Volodymyr Zhuravlov para a Alemanha, onde é suspeito de envolvimento no sabotagem dos gasodutos Nord Stream e Nord Stream 2 em 2022. A decisão foi adotada em 18 de setembro, com a notificação escrita emitida cinco dias depois. A defesa anunciou que vai recorrer e classificou a decisão como "enviesada" e "política". Zhuravlov declarou uma greve de fome em protesto.
Pontos principais
- O Tribunal Distrital de Pula autorizou a extradição de Volodymyr Zhuravlov para a Alemanha.
- A decisão foi adotada em 18 de setembro de 2026; a notificação escrita foi emitida cinco dias depois.
- Zhuravlov é suspeito de envolvimento na sabotagem dos gasodutos Nord Stream e Nord Stream 2, ocorrida em 26 de setembro de 2022 no mar Báltico.
- Após o trânsito em julgado, o Ministério do Interior croata entregará Zhuravlov às autoridades alemãs competentes.
- A defesa anunciou recurso e classificou a decisão como "enviesada" e "política"; Zhuravlov declarou greve de fome.
- O coletivo de juízes foi presidido pela juíza Edvina Sujević.
Porque é importante
A decisão aproxima um dos suspeitos de ser julgado na Alemanha num caso de sabotagem de grande repercussão, com implicações políticas entre Kiev, Berlim e Moscovo.
O que aconteceu
O Tribunal Distrital da cidade croata de Pula autorizou a extradição do cidadão ucraniano Volodymyr Zhuravlov para a Alemanha, onde é suspeito de envolvimento na sabotagem dos gasodutos Nord Stream e Nord Stream 2. A decisão foi adotada em 18 de setembro de 2026, com a notificação escrita emitida às partes cinco dias depois. O coletivo de juízes foi presidido pela juíza Edvina Sujević. Uma vez que a decisão transite em julgado, o Ministério do Interior da Croácia entregará Zhuravlov às autoridades alemãs competentes. A defesa, representada pelo advogado ucraniano Mykola Katerynchuk, qualificou a decisão como "enviesada" e "política" e anunciou que vai recorrer. Zhuravlov declarou uma greve de fome em protesto contra a extradição. As explosões que destruíram três dos quatro fios dos gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2 ocorreram na noite de 26 de setembro de 2022, no fundo do mar Báltico, em águas neutras junto à ilha dinamarquesa de Bornholm. À data, ambos os gasodutos estavam inativos, mas cheios com gás técnico. A Alemanha imputa a Zhuravlov a participação no planeamento conjunto de uma explosão, sabotagem anticonstitucional e destruição de infraestruturas, qualificando os factos também como crime de guerra. A defesa tinha já anunciado que Zhuravlov poderia iniciar uma greve de fome e apelou à Procuradoria-Geral da Ucrânia para pedir a sua extradição para a Ucrânia em vez da Alemanha.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre a data exata da detenção de Zhuravlov na Croácia: algumas indicam 19 de agosto, outras referem 19–20 de agosto, com a formalização da custódia no dia 20.
Contexto
Três dos quatro fios dos gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2 foram destruídos por explosões no mar Báltico em 26 de setembro de 2022. Polónia e Ucrânia atribuíram publicamente a responsabilidade à Rússia, que negou e apontou os "anglo-saxões". A Dinamarca encerrou a sua investigação em fevereiro de 2024 por falta de fundamentos para abrir processo-crime; a Suécia tomou decisão semelhante. Em agosto de 2025, órgãos de comunicação alemães noticiaram que os investigadores tinham identificado todos os suspeitos e que tinham sido emitidos mandados de detenção contra seis cidadãos ucranianos. Outro suspeito, Serhiy Kuznetsov, foi detido em Itália no verão de 2025 e extraditado para a Alemanha no outono desse ano; em 1 de julho de 2026 foi formalmente acusado de liderar um grupo de sete pessoas que sabotou os gasodutos, agindo como membros das Forças Armadas ucranianas. O Ministério Público alemão referiu uma "trilha estatal ucraniana" no caso, enquanto a Procuradoria-Geral da Ucrânia afirmou que a sua investigação não encontrou provas de envolvimento do Estado, das autoridades ou de funcionários ucranianos.