Operação "Vivaldi": Ukraine recupera 125 km² em dois meses de ofensiva silenciosa no norte de Donetsk
O 3.º Corpo de Exército da Ucrânia completou publicamente, em 15 e 20 de setembro de 2026, as duas fases da Operação Vivaldi — uma ofensiva encoberta conduzida desde maio no setor de Lyman, norte da região de Donetsk. A operação devolveu 125 km² de território, dos quais 50 km² foram totalmente desocupados, e libertou várias localidades, incluindo Novoselivka, Oleksandrivka, Iarova, Serednie, Drobysheve, Derylove e Shandryholove. Em paralelo, o ISW refutou a alegação do Ministério da Defesa russo de um cerco a Dobropillia, não sustentada por provas.
Pontos principais
- Operação Vivaldi: ofensiva do 3.º Corpo de Exército no norte da região de Donetsk, conduzida em silêncio informativo desde maio de 2025
- 15 de setembro: confirmação pública do comandante Andrii Biletsky; dados oficiais — 75 km² de limpeza e 10 km² de desocupação
- 20 de setembro: libertação de Shandryholove, Derylove e controlo total de Drobysheve, adicionando 40 km²
- Balanço total: 125 km² recuperados, dos quais 50 km² totalmente desocupados; localidades libertadas incluem Novoselivka, Oleksandrivka, Iarova e Serednie
- Perdas russas no setor: cerca de 3.000 efetivos; unidade de drones de elite Rubikon retirada do eixo Lyman-Borova após perdas elevadas
- 22 de setembro: Ministério da Defesa russo alegou cerco de Dobropillia sem apresentar provas — refutado pelo ISW e contraditado por analistas da DeepState
- Setor de Kupiansk: tropas ucranianas reconquistaram área próxima de Zapadne, na região de Kharkiv
Porque é importante
A Operação Vivaldi é apresentada pela comunicação social ucraniana como uma das maiores ofensivas bem-sucedidas das Forças de Defesa em 2025-2026, devolvendo 125 km² de território e travando a «garra norte» russa no setor de Lyman. A operação correu sob sigilo operacional completo — o Estado-Maior russo e Vladimir Putin só souberam dela a meio de setembro, apesar de a ofensiva estar em curso desde maio. Segundo o ISW, Vivaldi comprometeu os planos russos de cercar o «cinturão de cidades-fortaleza» da Ucrânia no Donbas. O 3.º Corpo de Exército destaca ainda a primeira utilização conhecida de sistemas robóticos terrestres (NRK) para desminagem e apoio ao assalto.
O que aconteceu
Em 15 de setembro de 2026, o comandante do 3.º Corpo de Exército, Andrii Biletsky, confirmou publicamente pela primeira vez a Operação Vivaldi, uma ofensiva no norte da região de Donetsk, no setor de Lyman, em curso desde maio de 2025 sob sigilo informativo. Nesse dia foram anunciados números oficiais: 75 km² de território limpo e 10 km² desocupado, e perdas russas estimadas em cerca de 1.500 soldados, mais de 12.000 drones e centenas de blindados, peças de artilharia e veículos. Em 18 de setembro, o 3.º Corpo de Exército anunciou que a unidade russa de elite de drones Rubikon tinha sido retirada do eixo Lyman-Borova devido às perdas. Em 20 de setembro, Biletsky confirmou a libertação de Shandryholove e Derylove e o controlo total sobre Drobysheve, acrescentando 40 km². No total, pelas duas fases, foram devolvidos 125 km², dos quais 50 km² totalmente desocupados. Durante a operação, foram ainda libertadas as localidades de Novoselivka, Oleksandrivka, Iarova, arredores de Korovii Yar e Serednie. Em 24 de setembro, o serviço de imprensa do 3.º Corpo de Exército anunciou que foi a primeira unidade militar do mundo a utilizar sistemas robóticos terrestres (NRK) para desminagem e apoio ao assalto. Analistas da DeepState também referem avanços ucranianos no setor de Kupiansk (zona de Zapadne, região de Kharkiv) e limpeza de território perto de Toretske, no eixo de Dobropillia.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A comunicação social ucraniana centra a cobertura no 3.º Corpo de Exército e no comandante Andrii Biletsky, apresentando Vivaldi como uma ofensiva bem preparada que superou as forças russas e como um marco na guerra de drones e robótica. A ênfase recai sobre o sigilo informativo e a OPSEC — incluindo o pedido aos analistas ocidentais de OSINT para não publicarem geolocalizações — e sobre o facto de o comando e os milbloggers russos terem sido apanhados de surpresa. O analista da DeepState Roman Pohorily fornece contexto adicional, classificando os esforços russos em Lyman como «multiplicados por zero» e alertando para a pressão continuada sobre Mikolaivka, a sul de Lyman.
Onde as versões divergem
A 22 de setembro de 2026, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que unidades do agrupamento «Centro» tinham supostamente cercado Dobropillia e avançavam em direção a Oleksandrivka, sem apresentar mapas ou provas. O Institute for the Study of War (ISW) refutou a alegação, sublinhando que a parte russa não apresentou quaisquer evidências. Analistas da DeepState, por seu lado, relataram que as forças ucranianas tinham limpado território perto de Toretske no eixo de Dobropillia.
Contexto
A ofensiva avançada no setor de Lyman decorria desde maio de 2025, mas foi mantida fora do domínio público até 15 de setembro de 2025, quando o comandante do 3.º Corpo de Exército, Andrii Biletsky, confirmou a operação e a baptizou de Vivaldi. Nos mais de seis meses anteriores, o 3.º Corpo de Exército tinha estabilizado a frente de Borova a Lyman e reestruturado comando, pessoal, reconhecimento, drones e logística. No arranque de Vivaldi, o 3.º Corpo pediu aos analistas ocidentais de OSINT — incluindo @moklasen e Clément Molin — que deixassem de publicar geolocalizações das progressões ucranianas; os analistas concordaram, e o cartógrafo francês Clément Molin já tinha detetado sinais de combate no saliente de Lyman via imagens de satélite no final de maio. Milbloggers russos como Rybar e Anatoliy Radov, segundo fontes ucranianas, reproduzem conteúdo de OSINT ocidental e são lidos pelo Ministério da Defesa russo, o que terá contribuído para o comando russo não ter reparado no progresso da operação. A 1 de setembro de 2025, a Rússia afirmou publicamente ter «tomado» Sviatohirsk, enquanto o Estado-Maior e Vladimir Putin supostamente desconheciam a operação em curso perto de Lyman.