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Operação "Vivaldi": Exército ucraniano anuncia segundo estágio e libertação de aldeias em Donetsk

O 3.º Corpo de Exército da Ucrânia confirmou a conclusão do segundo estágio da ofensiva "Vivaldi", em curso no norte da região de Donetsk, com a libertação de Shandryholove e Derylove e o controlo total de Drobysheve. Ao longo dos dois estágios foram recuperadas 125 quilómetros quadrados, dos quais 50 foram de facto desocupados. O comando aponta mais de 3.000 baixas russas e afirma que o avanço desestrou planos de Moscovo para 2026 e, possivelmente, para o início de 2027.

Pontos principais

  • Ofensiva "Vivaldi" decorre no norte da região de Donetsk, conduzida pelo 3.º Corpo de Exército da Ucrânia.
  • No segundo estágio foram libertadas Shandryholove e Derylove (Lyman) e foi assegurado o controlo total de Drobysheve (20 de setembro).
  • Ao todo, os dois estágios devolveram 125 km² ao controlo ucraniano, dos quais 50 km² foram efetivamente desocupados.
  • As perdas russas ascende a mais de 3.000 efetivos nos dois estágios, com cerca de 800 no segundo, segundo o comando.
  • No primeiro estágio foram libertados Serednie, Koroviy Yar, Novoselivka, Yarova, Oleksandrivka e ainda Rai-Oleksandrivka e outras localidades cujos nomes não foram divulgados.
  • O 3.º Corpo afirma ter realizado, pela primeira vez no mundo, a entrega de robots terrestres kamikaze (NRK) por drones pesados a mais de 10 km das linhas russas.
  • O ISW avalia que a operação desfez os planos russos para cercar o "cinturão de cidades-fortaleza" ucranianas no Donbass.
  • A operação conta com pelo menos quatro estágios planeados, estando o primeiro ainda a ser concluído, segundo o adjunto do comando, Petro Horbatenko.

Porque é importante

A operação "Vivaldi" é a ofensiva ucraniana confirmada e em curso numa zona — o norte de Donetsk — onde Moscovo tentava cercar a aglomeração Sloviansk-Kramatorsk. Ao devolver 125 km² ao controlo ucraniano e alegar mais de 3.000 baixas russas, o 3.º Corpo reivindica ter desfeito os planos de Moscovo não só para 2026, mas possivelmente para o início de 2027. A operação inclui ainda uma inovação tecnológica reclamada como inédita: a entrega, por drones pesados, de sistemas robóticos terrestres kamikaze a mais de 10 km das linhas russas. A avaliação do ISW de que a ofensiva desfez os planos de cerco ao "cinturão de cidades-fortaleza" sublinha o alcance estratégico de "Vivaldi".

O que aconteceu

Em 15 de setembro, o comandante do 3.º Corpo de Exército da Ucrânia, Andriy Biletsky, confirmou publicamente pela primeira vez a ofensiva "Vivaldi", em curso no norte da região de Donetsk. No dia 19, o chefe do estado-maior e adjunto de comando Petro Horbatenko anunciou novos avanços, incluindo a libertação de Rai-Oleksandrivka e de outras localidades cujos nomes são mantidos em sigilo por razões táticas. Em 20 de setembro, Biletsky anunciou a conclusão do segundo estágio da operação, com a libertação de Shandryholove e Derylove, na comunidade territorial de Lyman, e o controlo total de Drobysheve.

No primeiro estágio, foram oficialmente confirmados a libertação de Serednie e a limpeza de Koroviy Yar, Novoselivka, Yarova e Oleksandrivka, com 75 km² de território limpo e mais 10 km² efetivamente desocupados. As perdas russas nesse estágio foram indicadas em cerca de 1.500 soldados, mais de 12.000 drones e centenas de veículos blindados, sistemas de artilharia e equipamento automóvel. O segundo estágio devolveu mais 40 km² ao controlo ucraniano e custou à Rússia cerca de 800 efetivos, elevando o total dos dois estágios para mais de 3.000 baixas russas.

De acordo com o comando, a operação cortou rotas logísticas russas e forçou o deslocamento do abastecimento de combustível para fora da Ucrânia; segundo o ISW, a "Vivaldi" desfez os planos russos para cercar o "cinturão de cidades-fortaleza" no Donbass. Horbatenko afirmou ainda que a eliminação da cabeça de ponte russa na margem ocidental do rio Chornyi Zherebets desfez um plano de Moscovo para cercar Sloviansk-Kramatorsk pela via do sul, a partir de Izium, abrindo caminho para ofensivas rumo às regiões de Kharkiv, Dnipropetrovsk e Poltava — um objetivo que, nas palavras do responsável, está agora comprometido para 2026 e possivelmente para o início de 2027.

O 3.º Corpo reivindica ainda ter sido a primeira força no mundo a lançar sistemas robóticos terrestres kamikaze (NRK) por drones pesados a mais de 10 km de profundidade nas linhas russas, com recurso a uma cúpula de defesa antiaérea e guerra eletrónica que teria cegado os drones russos. O projeto de monitorização DeepState confirmou a libertação de Shandryholove e Derylove e relatou avanços na zona.

Onde as versões divergem

Há dois pontos em que as fontes divergem. Primeiro, a dimensão territorial da operação: o analista OSINT francês Clément Molin afirma que as ações de contraofensiva resultaram na libertação de mais de 200 km² ao longo de quatro meses, enquanto o 3.º Corpo de Exército reporta oficialmente 125 km² devolvidos (50 km² efetivamente desocupados) ao longo dos dois estágios da "Vivaldi". Em segundo lugar, as perdas russas em drones durante o primeiro estágio: a maioria das fontes refere "mais de 12.000 drones" como valor confirmado, mas algumas formulações mencionam apenas "centenas de unidades de equipamento russo" sem especificação separada dos drones, e há fontes que tratam o número como confirmado e outras como estimativa.

Contexto

A ofensiva "Vivaldi" é uma operação de múltiplos estágios do 3.º Corpo de Exército da Ucrânia, comandado por Andriy Biletsky, com Petro Horbatenko como chefe do estado-maior e adjunto de comando, no norte da região de Donetsk. Foi anunciada publicamente em 15 de setembro, com atualizações em 19 e 20 de setembro. Segundo o comando, a destruição de uma cabeça de ponte russa na margem ocidental do rio Chornyi Zherebets desfez um plano russo para cercar a aglomeração Sloviansk-Kramatorsk a partir do sul, via Izium, que tinha por objetivo abrir caminho para uma ofensiva mais profunda nas regiões de Kharkiv, Dnipropetrovsk e Poltava. O 3.º Corpo assinala ainda que, na sequência da "Vivaldi", a unidade de elite russa de drones "Rubikon" foi retirada do eixo Lyman-Borova, em 18 de setembro, devido a baixas pesadas.