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Meloni recusa abandonar apoio à Ucrânia por cálculos eleitorais

A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni afirmou numa entrevista ao jornal Il Foglio que não está disposta a abdicar do apoio à Ucrânia por razões de cálculo político ou eleitoral antes das próximas eleições. A declaração, vista como dirigida ao político de extrema-direita Roberto Vannacci, reforça a continuidade do apoio italiano à Ucrânia e a defesa do aumento da despesa em defesa, apesar da impopularidade interna.

Pontos principais

  • Meloni disse ao Il Foglio que não abdica do apoio à Ucrânia por cálculos eleitorais ou políticos antes das próximas eleições.
  • Afirmou que não fará coligação com forças políticas que votem contra o apoio à Ucrânia, num aviso visto como dirigido a Roberto Vannacci.
  • Declarou: «Apoiei a Ucrânia não por Kyiv. Apoiei a Ucrânia por Roma.»
  • Defendeu o aumento da despesa em defesa, reconhecendo que a decisão é impopular entre os italianos.
  • O inquérito Eurispes indica que mais de 44% dos italianos veem a despesa em defesa como um encargo e 32,1% como investimento estratégico.
  • A despesa em defesa já provocou tensões na coligação governamental, nomeadamente com a Liga do vice-primeiro-ministro Matteo Salvini.
  • O governo de Meloni tornou-se a 4 de setembro no mais duradouro da história da República Italiana.

Porque é importante

Ao reafirmar publicamente o apoio italiano à Ucrânia num momento de crescente polarização interna, Meloni procura traçar uma linha vermelha contra parceiros de coligação ou aliados potenciais que se opõem à ajuda militar. O aviso, interpretado como dirigido a Vannacci, sinaliza que a continuidade do apoio a Kyiv é, para Meloni, uma questão de interesse nacional italiano e não apenas de solidariedade, e que não será trocada por vantagens eleitorais.

O que aconteceu

Numa entrevista ao jornal italiano Il Foglio, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que não está disposta a abandonar o apoio à Ucrânia por cálculos eleitorais ou políticos, nem a formar coligações com forças que votem contra esse apoio. A declaração, vista como uma resposta a Roberto Vannacci — ex-general e político de extrema-direita crítico da UE e da ajuda militar à Ucrânia —, surge num contexto de tensões internas na coligação governamental italiana em torno da despesa em defesa, em particular com a Liga do vice-primeiro-ministro Matteo Salvini. Meloni defendeu o aumento desta despesa, reconhecendo que a medida é impopular entre os italianos, e enquadrou o apoio à Ucrânia como estando no interesse estratégico de Itália e da Europa. Reiterou ainda que a resistência ucraniana e a tentativa russa de capturar Kyiv despertaram a Europa para riscos que muitos consideravam superados.

Como o descrevem as fontes ucranianas

A cobertura em língua ucraniana destaca as palavras de Meloni como uma reafirmação do apoio italiano à Ucrânia, sublinhando o enquadramento que a primeira-ministra faz desse apoio como estando no interesse estratégico de Roma, e não apenas como ato de solidariedade com Kyiv. Os órgãos de comunicação ucranianos dão também relevo aos custos políticos internos que Meloni admite — a impopularidade do aumento da despesa em defesa e a resistência dentro da própria coligação —, sublinhando que o apoio à Ucrânia tem sido uma posição politicamente difícil de manter em Itália.

Contexto

O governo de Meloni tornou-se a 4 de setembro no mais duradouro da história contínua da República Italiana, superando o anterior recorde. A coligação governamental enfrenta tensões internas em torno da despesa em defesa, sobretudo nas relações com a Liga de Matteo Salvini. De acordo com o relatório anual do instituto de investigação privado Eurispes, mais de 44% dos italianos encaram a despesa em defesa como um encargo para o país, 32,1% como um investimento estratégico e quase um quarto dos inquiridos estão indecisos. O ex-general e político de extrema-direita Roberto Vannacci tem criticado abertamente a UE e a ajuda militar à Ucrânia, procurando capitalizar o descontentamento com a orientação europeia e externa de Meloni.