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Deputado europeu polaco de extrema-direita destrói monumento a soldados da UPA perto da fronteira com a Ucrânia

Grzegorz Braun, eurodeputado e líder do partido de extrema-direita Confederação da Coroa Polaca, publicou um vídeo em que, com um correligionário, danificou com marretas um obelisco dedicado a 41 combatentes da UPA mortos em fevereiro de 1946, na aldeia de Białystok, comuna de Dołhobyczów, voivodia de Lublin. A polícia polaca abriu um inquérito em 6 de setembro por profanação de monumento e local de sepultamento, danos materiais e eventual crime de ódio por motivos nacionais.

Pontos principais

  • Braun e o correligionário Marcin Miksza usaram marretas/martelos para partir as inscrições no obelisco de granito e publicaram o vídeo na plataforma X
  • O monumento marca a sepultura de 41 soldados da UPA mortos em combate com o NKVD soviético em fevereiro de 1946 e existe no local desde os anos 1990, na forma atual desde 2019
  • Braun justificou o ato dizendo que o obelisco 'insulta a memória das vítimas do genocídio ucraniano contra os polacos' e alegou que foi instalado ilegalmente
  • A polícia polaca abriu o inquérito em 6 de setembro, incluindo eventuais crimes de ódio por motivos nacionais; nenhum suspeito havia sido detido no início das investigações
  • O porta-voz do Ministério do Interior e Administração, Karolina Gałecka, afirmou que os responsáveis não ficarão impunes
  • Braun tem um historial documentado de posições anti-ucranianas e pró-russas, incluindo ter apagado velas de uma menorá de Hanukah no Sejm em dezembro de 2024 e ter sido o único deputado a votar contra uma resolução de apoio à Ucrânia antes da invasão russa
  • OKO.press noticiou que locais de sepultamento na Polónia têm proteção legal independentemente de procedimentos administrativos relativos ao monumento, contestando a alegação de Braun

Porque é importante

Um membro do Parlamento Europeu em funções destruiu pessoalmente um monumento num local de sepultamento e publicou o vídeo do ato, levantando questões sobre a responsabilização de eleitos. O episódio toca uma área sensível e de longa data da memória histórica polaco-ucraniana — UPA, Volínia e a homenagem a figuras controversas da era da Segunda Guerra Mundial — num momento em que a integração da Ucrânia na UE está já politicamente ligada a esta questão, segundo o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Marcin Bosacki. As autoridades polacas estão a tratar o caso não só como danos materiais e profanação, mas também como eventual crime de ódio por motivos nacionais.

O que aconteceu

Grzegorz Braun, eurodeputado polaco e líder do partido de extrema-direita Confederação da Coroa Polaca, publicou ele próprio um vídeo na plataforma X em que, acompanhado pelo correligionário Marcin Miksza, atinge com marretas um obelisco de granito na aldeia de Białystok, comuna de Dołhobyczów, voivodia de Lublin, perto da fronteira polaco-ucraniana. O monumento marca a sepultura de 41 combatentes da UPA mortos em fevereiro de 1946 em combate com o NKVD soviético e existe no local desde os anos 1990, na sua forma atual com nomes gravados desde 2019. Na legenda do vídeo, Braun apelou à desmontagem imediata do obelisco, afirmando que insulta a memória das vítimas do 'genocídio ucraniano contra os polacos' e alegando que o monumento foi instalado ilegalmente. A polícia polaca abriu um inquérito em 6 de setembro por profanação de monumento e local de sepultamento, danos materiais e eventual crime de ódio por motivos nacionais; nenhum suspeito havia sido detido no início das investigações, estando a polícia a recolher provas e a interrogar testemunhas. O porta-voz do Ministério do Interior e Administração, Karolina Gałecka, afirmou que os responsáveis não ficarão impunes. O monumento já tinha sido vandalizado pelo menos duas vezes antes — no verão de 2026, com tinta spray e corte de uma arco decorativo, o que levou a uma condenação oficial da embaixada ucraniana — e pouco antes do vídeo de Braun, desconhecidos danificaram de novo as inscrições.

Como o descrevem as fontes ucranianas

Todas as fontes fornecidas são meios ucranianos, que enquadram Braun de forma uniforme como um político 'escandaloso' e 'ucraniofóbico', um 'ultranacionalista' de extrema-direita, e dão destaque à indignação. As manchetes sublinham a identidade de extrema-direita de Braun, a imagem dos machados/marretas e a destruição do monumento da UPA, mais do que quaisquer aspetos legais ou processuais. A cobertura enfatiza a vandalização anterior de 2026, a condenação da embaixada ucraniana e, através do historiador e militar Volodymyr Birchak, a suspensão de longa data das autorizações polacas de exumação, apresentando o ato como parte de um padrão recorrente e não como um incidente isolado. Birchak, autor da 'Istorychna Pravda', é destacado como comentador, dando à página uma fonte ucraniana em vez de vozes oficiais polacas ou da imprensa independente polaca.

Onde as versões divergem

As fontes divergem nos instrumentos usados: algumas descrevem-nos como machados/machadinhas ('sokyry-moloty'), outras como martelos/marretas. Os níveis de confiança sobre os mesmos factos subjacentes variam substancialmente — por exemplo, o número de 41 soldados sepultados e o estatuto de suspeito oscilam entre 0,65 e 0,98 — e vários factos provenientes de fontes ucranianas têm confiança mais baixa (0,65–0,7), em particular as afirmações de Volodymyr Birchak sobre as autorizações de exumação e a ausência de restauros. A maioria das fontes refere martelos/marretas, mas algumas mencionam especificamente machados/machadinhas.

Contexto

O obelisco destruído marcava o local de sepultamento de 41 soldados da UPA mortos em combate com o NKVD soviético em fevereiro de 1946; o memorial existe desde os anos 1990 e, na sua forma atual de granito com nomes gravados, desde 2019. O monumento tinha sido vandalizado pelo menos duas vezes antes: no verão de 2026, com tinta e danificação de um arco, tendo a embaixada da Ucrânia condenado oficialmente o ato; e pouco antes do vídeo de Braun, quando desconhecidos voltaram a danificar as inscrições. Braun lidera o partido de extrema-direita Confederação da Coroa Polaca e tem um historial documentado de posições anti-ucranianas e pró-russas e de incidentes, incluindo ter apagado com um extintor velas de uma menorá de Hanukah no Sejm em dezembro de 2024 e ter sido o único deputado a votar contra uma resolução de apoio à Ucrânia na véspera da invasão russa. OKO.press noticiou que locais de sepultamento na Polónia têm proteção legal independentemente de os procedimentos administrativos terem sido cumpridos quando qualquer monumento neles instalado foi erguido, contestando a alegação de Braun de que o obelisco tinha sido instalado ilegalmente.