Negociações entre círculo de Nawrocki e associados de Grzegorz Braun para lista comum ao Senado polaco
O círculo do Presidente da Polónia, Karol Nawrocki, está a negociar com associados do controverso deputado Grzegorz Braun a inclusão do seu partido num pacto eleitoral de direita que reúne o Lei e Justiça, o Desenvolvimento Mais e a Confederação. A decisão marca uma potencial ruptura com o cordão sanitário em torno de Braun, figura marcada por posições antissemitas, pró-russas e anti-ucranianas.
Pontos principais
- Negociações entre o círculo de Nawrocki e associados de Braun para uma lista comum ao Senado polaco
- Líderes de PiS, Desenvolvimento Mais e Confederação confiaram a Nawrocki a missão de formar a coligação
- Braun foi mantido à margem da política polaca devido a posições antissemitas, pró-russas e anti-ucranianas
- A 15 de dezembro, o Parlamento Europeu autorizou a levantamento da imunidade de Braun por negação do Holocausto
- Braun publicou nas redes sociais imagens da destruição com martelo de um monumento à UPA em Lublin
- Nawrocki defendeu Braun invocando o antigo abraço do primeiro-ministro Donald Tusk a Vladimir Putin
- Procuradoria polaca abriu investigação à destruição do monumento da UPA
Porque é importante
A eventual inclusão de Braun num pacto de direita quebra o cordão sanitário que o manteve à margem da política polaca. A defesa pessoal de Nawrocki e a abertura de negociações enviam um sinal politicamente sensível, num momento em que Braun enfrenta o levantamento da imunidade europeia por negação do Holocausto e é investigado pela destruição de um monumento à UPA. A decisão ocorre em vésperas de eleições para o Senado e num contexto em que a Ucrânia acompanha de perto movimentos da direita polaca em relação a figuras de perfil anti-ucraniano.
O que aconteceu
O círculo de Karol Nawrocki iniciou negociações com associados de Grzegorz Braun para integrar o partido deste — a Confederação da Coroa Polaca — num pacto eleitoral de direita para o Senado. A missão de formar a coligação foi atribuída ao Presidente pelos líderes do Lei e Justiça (Jarosław Kaczyński), do Desenvolvimento Mais (Mateusz Morawiecki) e da Confederação (Sławomir Mentzen e Krzysztof Bosak). Segundo uma fonte próxima de Braun, este está interessado em participar no pacto e vê as negociações como o fim do cordão sanitário em torno da sua figura, sem grande ambição de enviar deputados para o Senado. Em entrevista à Rzeczpospolita, Nawrocki justificou o envolvimento afirmando que a formação de Braun tem representação parlamentar e apoio nas sondagens. Em paralelo, Nawrocki tem defendido Braun das acusações de proximidade com Moscovo, invocando o antigo abraço de Donald Tusk a Vladimir Putin. O processo surge depois de, em dezembro, o Parlamento Europeu ter autorizado o levantamento da imunidade de Braun para permitir a sua prosecuted em Poland por negação do Holocausto — não sendo a primeira vez que tal acontece. Em setembro, Braun publicou nas redes sociais imagens da destruição com martelo de um monumento e local de sepultura de combatentes da UPA mortos em combate com o NKVD, na região de Hrubieszów, voivodia de Lublin. A Procuradoria polaca abriu investigação ao caso.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A imprensa ucraniana destaca Braun como figura «anti-ucraniana» e apresenta a eventual coligação como uma aliança com um ator de passado hostil a Kiev. As peças sublinham o papel pessoal de Nawrocki na abertura das negociações e na defesa de Braun, apesar da destruição do memorial UPA e das posições pró-russas e antissemitas registadas. O enquadramento aponta para o risco político, para a Ucrânia, de ver normalizada a presença de uma força anti-ucraniana num bloco institucional de direita em vésperas de eleições.
Contexto
Grzegorz Braun foi mantido até agora na periferia da política polaca devido a excessos antissemitas e a posições pró-russas e anti-ucranianas. Em setembro, publicou vídeos da destruição de um monumento e local de sepultura de combatentes da UPA mortos em combate com o NKVD em Hrubieszów, voivodia de Lublin, defendendo a desmontagem oficial do obelisco. A 15 de dezembro, o Parlamento Europeu deu consentimento para o levantamento da sua imunidade, de modo a permitir a sua prosecuted em Poland por negação do Holocausto. O Presidente Nawrocki defendeu-o invocando o antigo abraço do primeiro-ministro Donald Tusk a Vladimir Putin como exemplo de uma associação política com Moscovo. Os líderes dos partidos de direita polacos — Jarosław Kaczyński (Lei e Justiça), Mateusz Morawiecki (Desenvolvimento Mais), Sławomir Mentzen e Krzysztof Bosak (Confederação) — confiaram a Nawrocki a missão de formar a coligação para o Senado.