Trump diz que Putin quer acordo para acabar com a guerra na Ucrânia
Numa conferência de imprensa na quarta-feira, Donald Trump afirmou que Vladimir Putin quer chegar a um acordo para terminar a guerra na Ucrânia e descreveu a sua conversa telefónica com Moscovo como «excelente». As declarações surgem apesar de funcionários dos serviços de informação dos EUA, da Ucrânia e da Europa duvidarem da sinceridade de Putin. No mesmo dia, a Ucrânia atingiu uma instalação industrial na região russa de Iamália, a cerca de 2 800 quilómetros da fronteira, enquanto ataques russos mataram pelo menos seis pessoas e feriram dezenas em várias regiões ucranianas.
Pontos principais
- Trump afirmou na quarta-feira que Putin quer um acordo para terminar a guerra e qualificou a conversa telefónica como «excelente».
- O Kremlin disse que Putin transmitiu a Trump que Moscovo não tem «planos agressivos» contra a Europa.
- Trump mencionou a possibilidade de uma reunião trilateral entre ele, Putin e Zelensky, apontando como principal obstáculo «duas pessoas que se odeiam».
- Enviados especiais dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, regressaram após uma digressão que incluiu Moscovo e Kiev.
- O diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se com serviços de informação russos no fim de agosto para os encorajar a terminar a guerra.
- A imprensa norte-americana, citando funcionários europeus, noticiou que a Ucrânia enfrenta um défice orçamental de 27 mil milhões de dólares para concluir o ano.
- Uma drones ucranianos atingiram uma instalação industrial na região de Iamália, a cerca de 2 800 km da fronteira; os ataques russos a várias regiões da Ucrânia mataram pelo menos seis pessoas e feriram dezenas.
Porque é importante
A perspetiva de Trump de que Putin quer um acordo levanta a possibilidade de reuniões bilaterais ou trilaterais ao mais alto nível, apesar do cepticismo dos serviços de informação norte-americanos, ucranianos e europeus. Simultaneamente, um défite orçamental ucraniano estimado em 27 mil milhões de dólares ameaça fragilizar a relação de Kiev com os aliados num momento diplomático decisivo. A coincidência de um ataque ucraniano profundo em território russo — a cerca de 2 800 km da fronteira, o mais longínquo desde 2022 — com múltiplos ataques russos em regiões ucranianas evidencia que as hostilidades continuam a escalar a par das negociações.
O que aconteceu
Na quarta-feira, o Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o seu homólogo russo, Vladimir Putin, quer chegar a um acordo para terminar a guerra na Ucrânia e descreveu a sua conversa telefónica como «excelente». Trump disse que Putin «quer fazer um acordo» e que, «se Zelensky também quiser, seria muito bom», manifestando abertura a reuniões bilaterais e considerando possível um encontro trilateral entre os três líderes, embora tenha apontado como principal obstáculo «duas pessoas que se odeiam». O Kremlin descreceu a conversa de uma hora como «muito construtiva e franca» e disse que Putin afirmou não ter «planos agressivos» contra a Europa. O conselheiro presidencial russo para a política externa, Iuri Uchakov, afirmou que Putin transmitiu a Trump uma análise «objetiva e detalhada» do campo de batalha. Os enviados especiais norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner regressaram de uma digressão que incluiu Moscovo e Kiev, onde se reuniram com Putin e Zelensky, respetivamente. O diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se no fim de agosto com serviços de informação russos em Moscovo para os encorajar a terminar a guerra. Ao mesmo tempo, o New York Times noticiou, citando funcionários europeus, que Zelensky comunicou aos aliados um défice orçamental de 27 mil milhões de dólares para concluir o ano, recebendo reservas por parte de europeus que questionam a eficiência da despesa ou se as necessidades foram exageradas. No plano militar, drones ucranianos atingiram uma instalação industrial na região de Iamália — descrita por Kiev como o ataque mais profundo em território russo desde 2022 e, segundo o enviado do Kremlin nos Urais, o primeiro a atingir a zona polar da região — enquanto ataques russos mataram pelo menos seis pessoas e feriram dezenas em várias regiões da Ucrânia.
Como o descrevem as fontes internacionais
A cobertura internacional apresenta três fios em paralelo: o alinhamento político declarado por Trump com Putin, um ataque ucraniano com drones no interior da Rússia e a continuidade dos ataques russos a cidades ucranianas. Incorpora o cepticismo dos serviços de informação europeus e norte-americanos quanto à vontade de Putin e sublinha o défice orçamental de 27 mil milhões de dólares comunicado por Zelensky aos aliados, sem privilegiar uma leitura editorial.
Onde as versões divergem
Vários pontos são objeto de leitura contraditória. O Presidente Trump afirma que Putin quer fechar um acordo para terminar a guerra, enquanto funcionários dos serviços de informação norte-americanos, ucranianos e europeus duvidam da sinceridade dessa intenção. Quanto ao ataque na região de Iamália, a empresa ucraniana Fire Point afirma que o seu drone percorreu mais de 3 300 quilómetros até ao alvo, ao passo que o governador de Iamalo-Nenets, Dmitry Artyukhov, indica que os danos se limitaram a um incêndio causado por destroços e que não houve vítimas; as Forças Especiais da Ucrânia afirmam que foram atingidas duas instalações de processamento de condensado de gás, enquanto o governador identifica a zona de Novy Urengoy; Moscovo não comentou oficialmente o incidente.
Contexto
Moscovo, Washington e Kiev já realizaram rondas anteriores de negociações trilaterais, a mais recente em Genebra, em fevereiro. O diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se com funcionários dos serviços de informação russos em Moscovo no fim de agosto para encorajar o fim da guerra. A Ucrânia tinha avisado no início do mês que intensificaria ataques de longo alcance para tornar o espaço aéreo russo inseguro. Novy Urengoy, local do ataque com drones em Iamália, fica logo a sul do Círculo Polar Ártico e tem cerca de 100 000 habitantes.