Jornalista de Melitopol condenada a 15 anos de prisão por tribunal de ocupação na região de Zaporíjia
Um tribunal de ocupação da região russa de Zaporíjia condenou a jornalista reformada de Melitopol Iryna Levchenko a 15 anos de colónia penal por espionagem, após mais de três anos em cativeiro russo. Levchenko foi detida com o marido em maio de 2023 na Melitopol ocupada; ele foi libertado em agosto de 2024. Organismos ucranianos de liberdade de imprensa e deputados acompanharam o caso, e Kyiv conduz uma negociação separada pela libertação de 28 jornalistas ucranianos cativos.
Pontos principais
- Tribunal de ocupação de Zaporíjia condenou Iryna Levchenko a 15 anos de colónia penal a 4 de setembro de 2026
- Condenada ao abrigo do artigo 276.º do Código Penal da Rússia (espionagem)
- Detida em 6 de maio de 2023 em Melitopol ocupada com o marido Oleksandr, libertado em agosto de 2024
- Jornalista reformada com mais de 40 anos de carreira, incluindo no jornal local Novyi Den
- Segundo o Instituto de Informação de Massas, integra a lista de jornalistas civis em cativeiro russo
- Ucrânia negoceia separadamente com a Rússia a libertação de 28 jornalistas cativos, incluindo Levchenko
Porque é importante
Uma jornalista reformada com mais de quatro décadas de carreira foi condenada a 15 anos de pena máxima pelo artigo de espionagem do Código Penal russo por um tribunal sediado em território ocupado. Levchenko permaneceu mais de três anos em cativeiro, o marido detido em simultâneo só foi libertado após mais de um ano, e a Ucrânia conduz uma via negocial separada para 28 jornalistas cativos, entre os quais ela se inclui — um caso emblemático da repressão russa contra profissionais dos media em território ocupado.
O que aconteceu
A 4 de setembro de 2026, o Tribunal Regional de Zaporíjia sob ocupação russa condenou a jornalista reformada de Melitopol Iryna Levchenko a 15 anos de colónia penal, considerando-a culpada ao abrigo do artigo 276.º do Código Penal da Federação Russa (espionagem). Segundo a acusação do tribunal, Levchenko terá contactado via Telegram uma residente em território controlado pela Ucrânia e concordado em transmitir a serviços especiais ucranianos informação sobre a localização de edifícios administrativos e funcionários da ocupação, bem como sobre itinerários de movimento de militares, equipamento e armamento russos na região de Zaporíjia; o tribunal afirma ainda que em fevereiro de 2023 transmitiu dados sobre ministérios e organismos estatais russos com endereços e listas de funcionários. Levchenko não terá apagado essa informação do telemóvel, tendo sido detida por elementos do FSB na região de Zaporíjia. Tinha sido detida com o marido Oleksandr em 6 de maio de 2023 em Melitopol temporariamente ocupada; Oleksandr foi libertado em agosto de 2024. Após a detenção, foi mantida em Melitopol, depois num centro de detenção preventiva em Donetsk, em Simferopol (Crimeia ocupada) e em Krasnodar (Rússia), tendo sido novamente transferida para Donetsk. O Instituto de Informação de Massas incluiu-a na lista de jornalistas civis em cativeiro russo, e o deputado Yaroslav Yurchyshyn afirmou publicamente que a saúde dela está debilitada e que quase não tem acesso a medicamentos nem contacto com familiares. A Ucrânia mantém, segundo a Ukrinform, uma negociação em pista separada com a Rússia para a libertação de 28 jornalistas cativos, dos quais Levchenko é um dos casos.
Como o descrevem as fontes ucranianas
Toda a cobertura disponível é ucraniana ou baseada na Ucrânia e utiliza uniformemente a linguagem de «tribunal de ocupação», «sequestro» e «refém» para descrever o processo e a detenção. As peças centram a identidade de Levchenko como jornalista local com décadas de carreira e como cidadã ucraniana que não renunciou à cidadania, apresentando a acusação de espionagem como fabricada. A cobertura dá também destaque à via negocial em separado para 28 jornalistas e às respostas institucionais — a lista do Instituto de Informação de Massas e uma comissão parlamentar de inquérito sobre crimes russos contra os media.
Onde as versões divergem
As fontes divergem na data exata do rapto: vários relatos indicam 6 de maio de 2023, enquanto reportes anteriores o situam de forma mais vaga como «início de maio de 2023». Diferem também na duração da carreira de Levchenko no jornal local Novyi Den, descrita como «mais de 40 anos» por uns e como 41 anos especificamente por outros.
Contexto
Iryna Levchenko trabalhava em jornalismo desde 1981, boa parte desse tempo no jornal distrital de Melitopol Novyi Den, e estava reformada quando foi detida. Foi presa com o marido Oleksandr por militares russos em 6 de maio de 2023 em Melitopol temporariamente ocupada; ele foi libertado em agosto de 2024. Durante o cativeiro passou por centros de detenção em Melitopol, Donetsk, Simferopol (Crimeia) e Krasnodar antes de ser devolvida a Donetsk, onde, segundo a irmã Olena Rudenko, se encontra numa cela de cerca de 3 por 4 metros com outras três mulheres. Organismos ucranianos de defesa da liberdade de imprensa acompanham o caso: o Instituto de Informação de Massas inclui-a na lista de jornalistas civis em cativeiro russo e o deputado Yaroslav Yurchyshyn descreveu publicamente o estado de saúde e as condições da detenção.