Publicado: · Atualizado:

Ataque massivo russo atinge Kiev com mísseis balísticos e drones durante a noite

Na noite de 21 para 22 de outubro, as forças russas lançaram uma vasta combinação de mísseis e drones contra a Ucrânia, com Kiev como alvo principal. Três vagas de mísseis balísticos atingiram a capital, matando uma pessoa e ferindo 22, incluindo quatro crianças. Os ataques danificaram bairros residenciais, infraestruturas de energia e transportes, um centro comercial, um mosteiro e a Ponte Sul, interrompendo a circulação rodoviária e ferroviária.

Pontos principais

  • A Rússia lançou três vagas de mísseis balísticos contra Kiev, num total de 21 mísseis Iskander-M, S-400, Zircon e Onyx.
  • O ataque combinado incluiu 210 drones de ataque, incluindo 110 Shahed a jato; a defesa aérea neutralizou 181 até às 09:00.
  • Em Kiev morreu uma pessoa e 22 ficaram feridas, entre elas quatro crianças; seis distritos da capital foram atingidos.
  • A Ponte Sul e a infraestrutura do metro foram danificadas; o trânsito sobre o rio foi cortado em ambos os sentidos.
  • Vladimir Zelensky descreveu o ataque como "demonstrativo", afirmando que ocorreu logo após mais uma ronda de negociações, e pediu reforço da defesa aérea, mísseis e sanções.
  • No total, segundo Zelensky, 12 regiões da Ucrânia foram atingidas, com 34 feridos e duas mortes em todo o país.

Porque é importante

O ataque provocou mortos e feridos entre civis, incluindo crianças, e danificou infraestruturas críticas em Kiev. A destruição parcial da Ponte Sul e da infraestrutura do metro perturbou a mobilidade entre as duas margens do Dnipro. Ao ocorrer em plena sequência de contactos diplomáticos, o episódio foi usado por Kiev para reforçar o apelo a mais defesa aérea, mísseis e sanções contra Moscovo.

O que aconteceu

Na noite de 21 para 22 de outubro de 2026, a Rússia desencadeou uma vasta operação combinada contra a Ucrânia, com mísseis Iskander-M, S-400, Zircon e Onyx e 210 drones de ataque, incluindo 110 Shahed a jato. Kiev foi o alvo principal e sofreu três vagas de mísseis balísticos num total de 21, com impactos registados em seis distritos da cidade. De acordo com o Serviço Estatal de Emergências, uma pessoa morreu e 22 ficaram feridas na capital, quatro delas crianças. Em todo o país, segundo o Presidente Volodymyr Zelenskyy, 12 regiões foram atingidas, com 34 feridos e duas vítimas mortais. Os ataques danificaram edifícios residenciais, infraestruturas energéticas, uma estação de comboios, o metro, centros comerciais, empresas, o mosteiro Vvedensky no bairro de Pechersk e a Ponte Sul, onde parte da infraestrutura do metro ficou afetada. O trânsito na Ponte Sul foi primeiro limitado no sentido da margem direita para a esquerda e depois totalmente cortado em ambos os sentidos, e a linha verde do metro passou a circular apenas entre Syrets–Vydubychi e Osokorky–Chervonyi Khutir. A defesa aérea afirmou ter abatido ou suprimido 181 drones até às 09:00, deixando 10 ainda no ar, sem divulgar informação sobre mísseis balísticos intercetados. Em Kharkiv, uma mulher de 42 anos morreu na aldeia de Lymanivka e várias pessoas ficaram feridas, incluindo duas crianças. Mais de 400 socorristas e polícias trabalhavam em Kiev na mitigação dos danos.

Como o descrevem as fontes ucranianas

A comunicação ucraniana coloca Kiev no centro da narrativa, sublinhando as vítimas civis, os incêndios e a destruição deinfraestruturas residenciais, médicas, comerciais e de transporte. As declarações oficiais destacam a dimensão do ataque, a utilização de uma ogiva de fragmentação K5 contra o centro histórico e a leitura de que o objetivo era maximizar vítimas civis. O Presidente Zelenskyy classificou o ataque como "demonstrativo" e realizado logo após mais uma ronda de negociações, exigindo reforço da defesa aérea, mísseis, capacidade para destruir lançadores balísticos e mais sanções. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Andrii Sybiha, contrapôs a descrição do enviado norte-americano Steve Witkoff, que chamou "humanista" a Vladimir Putin, sublinhando que a apaziguamento não travará a guerra. As autoridades sublinharam igualmente a coordenação de mais de 400 socorristas e polícias e a abertura de um centro de apoio aos residentes afetados em Pechersk.

Como o descrevem as fontes internacionais

A cobertura internacional apresenta o ataque como uma vasta operação combinada de mísseis e drones que ocorreu poucas horas depois de Moscovo ter aceite, em princípio, retomar negociações trilateral sob mediação dos EUA após 10 de novembro. As reportagens salientam o impacto em civis e infraestruturas, a falha em intercetar os mísseis balísticos e a tensão diplomática criada pela descrição de Putin como "humanista" feita pelo enviado norte-americano Steve Witkoff na véspera, em São Petersburgo, no contexto da libertação do norte-americano Stephen Hubbard. Presidentes e responsáveis ocidentais dividem-se entre sublinhar a libertação de Hubbard e recusar a caracterização de Putin, enquanto a administração ucraniana insiste na necessidade de pressão real, defesa aérea reforçada e sanções.

Onde as versões divergem

Os números de feridos em Kiev variaram ao longo do dia entre 15, 22 e 24, com algumas fontes a divergir também sobre o número de crianças e de hospitalizados. Outra divergência diz respeito ao número de distritos atingidos na capital: relatos iniciais apontam quatro distritos, enquanto atualizações posteriores indicam seis. Há também diferença de ênfase entre fontes ucranianas e internacionais sobre a leitura política do ataque, nomeadamente no enquadramento do contexto diplomático e na caracterização das ações da Rússia.

Contexto

Os ataques começaram na noite de 21 de outubro e prolongaram-se pela madrugada de 22 de outubro, com Kiev a ser atingida em três vagas de mísseis balísticos. A Rússia utilizou 210 drones em todo o país, dos quais a defesa aérea afirma ter neutralizado 181, e recorreu a mísseis Iskander-M, S-400, Zircon e Onyx. O ataque ocorreu num momento em que se anunciava a retoma, em princípio, de conversações trilaterais entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, e depois de o enviado norte-americano Steve Witkoff ter visitado Moscovo e se ter reunido com Vladimir Putin em São Petersburgo.