Rússia recruta mais estrangeiros nos primeiros nove meses de 2026 do que em todo o ano de 2025
O Estado-Maior de Coordenação para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra da Ucrânia revelou que pelo menos 45.959 cidadãos estrangeiros de 151 países assinaram contratos com as Forças Armadas russas desde o início da guerra. O recrutamento acelera em África e na América Latina, com a Colômbia a liderar entre os novos países de origem, e a Rússia no caminho para ultrapassar a sua meta anual já em novembro.
Pontos principais
- Pelo menos 45.959 cidadãos estrangeiros de 151 países assinaram contratos com as Forças Armadas russas, segundo o projeto "Quero Viver".
- Nos primeiros nove meses de 2026, 16.168 estrangeiros assinaram contratos, ultrapassando o total de 2025 (16.085).
- O recrutamento anual subiu de 94 pessoas em 2022 para 16.085 em 2025.
- Plano russo para 2026 é de 18.500 estrangeiros; ao ritmo atual será superado em novembro, com até 21.500 até ao final do ano.
- Ritmo atual de recrutamento é de cerca de 1.800 estrangeiros por mês.
- Maiores números absolutos vêm do Uzbequistão, Tajiquistão e Bielorrússia; crescimento mais rápido em África e América Latina.
- Só nos primeiros nove meses de 2026 assinaram contrato 1.449 colombianos, 699 burundeses, 530 zimbabwanos e 503 peruanos.
Porque é importante
O recrutamento de estrangeiros pelas Forças Armadas russas está a acelerar ano após ano e a diversificar-se geograficamente para além do espaço pós-soviético, com África e América Latina identificadas como regiões de crescimento mais rápido. Quase metade dos mercenários estrangeiros capturados assinaram contrato apenas para obter cidadania russa, e a maioria não sabia que iria combater contra a Ucrânia — indícios de práticas de recrutamento coercivas ou enganosas. Mais de quatro em cada dez foram recrutados através de comissariados militares e pontos de seleção russos, o que aponta para o envolvimento direto de estruturas estatais.
O que aconteceu
Em outubro de 2026, durante a conferência internacional Crimea Global. Understanding Ukraine through the South, o secretário do Estado-Maior de Coordenação para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra, brigadeiro-general Dmytro Usov, apresentou dados do projeto "Quero Viver" segundo os quais 45.959 cidadãos estrangeiros oriundos de 151 países e territórios não reconhecidos assinaram contratos com as Forças Armadas russas desde 2022. O recrutamento anual passou de 94 pessoas em 2022 para 4.067 em 2023, 8.877 em 2024 e 16.085 em 2025. Nos primeiros nove meses de 2026, 16.168 estrangeiros assinaram contrato, ultrapassando já o total de todo o ano anterior. O plano russo para 2026 é de 18.500 pessoas; ao ritmo mensal de cerca de 1.800, será superado em novembro e poderá chegar às 21.500 até ao final do ano. O Uzbequistão, o Tajiquistão e a Bielorrússia fornecem os maiores números absolutos, mas o crescimento mais rápido verifica-se em países africanos e latino-americanos — entre os quais Colômbia (1.449), Burundi (699), Zimbabué (530) e Peru (503) só nos primeiros nove meses de 2026. Um inquérito a mercenários estrangeiros capturados revelou que 46,7% assinaram contrato para obter cidadania russa, dos quais apenas 28% sabiam que iriam combater contra a Ucrânia. 41,4% foram recrutados via comissariados militares e pontos de seleção, e 79% querem regressar à Rússia em trocas de prisioneiros. Desde 2022, cidadãos de 59 países foram feitos prisioneiros pela Ucrânia.
Como o descrevem as fontes ucranianas
Os números foram divulgados por um organismo estatal ucraniano — o Estado-Maior de Coordenação para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra — em conjunto com o projeto "Quero Viver", enquadrando o recrutamento como uma campanha organizada pelo Estado russo para preencher fileiras com estrangeiros. A apresentação na conferência internacional Crimea Global, realizada na Ucrânia, enfatiza o caráter enganador do recrutamento, sublinhando que muitos estrangeiros assinaram contrato para obter cidadania sem saberem que iriam combater contra a Ucrânia e foram abandonados após captura. A cobertura ucraniana centra-se na narrativa de exploração de cidadãos estrangeiros pela Rússia e sublinha a dimensão global da guerra através do recrutamento em África e na América Latina.
Contexto
O recrutamento anual de estrangeiros pela Rússia cresceu de forma acentuada desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia: 94 pessoas em 2022, 4.067 em 2023, 8.877 em 2024, 16.085 em 2025 e 16.168 só nos primeiros nove meses de 2026. O Uzbequistão, o Tajiquistão e a Bielorrússia continuam a fornecer os maiores contingentes em termos absolutos.