Publicado: · Atualizado:

Tsikhanouskaya alerta na ONU que a Bielorrússia está pronta a fornecer território e infraestruturas à Rússia para atacar a Ucrânia

A líder da oposição bielorrussa Sviatlana Tsikhanouskaya afirmou, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, que Lukashenka está disposto a disponibilizar a Putin território, logística e infraestruturas bielorrussas para ataques à Ucrânia a partir do norte, e que uma vitória ucraniana seria uma catástrofe para o regime de Lukashenka. Alertou ainda que retransmissores estão a ser instalados também na fronteira com países da UE.

Pontos principais

  • Tsikhanouskaya declarou na ONU, em Nova Iorque, que Lukashenka está pronto a fornecer a Putin território e infraestruturas bielorrussas para ataques à Ucrânia a partir da fronteira norte.
  • Afirmou que as esperanças de separar Lukashenka de Putin são vãs, dada a «amizade simbiótica» entre os dois.
  • Disse que infraestruturas bielorrussas — incluindo logística e antenas para direcionar drones — já estão a ser usadas pela Rússia.
  • Alertou que retransmissores estão a ser instalados não só na fronteira com a Ucrânia, mas também na fronteira da Bielorrússia com países da UE.
  • Segundo a líder da oposição, 500 a 600 empresas bielorrussas produzem ótica e microchips, adquirem componentes em contorno de sanções e abastecem a Rússia com produtos petrolíferos.
  • Tsikhanouskaya participou, a 21 de setembro, no evento ministerial «Bielorrússia: cúmplice da guerra da Rússia contra a Ucrânia e ameaça à segurança internacional», organizado pela Letónia e pela UE.

Porque é importante

O testemunho de Tsikhanouskaya oferece um relato da oposição sobre o grau de envolvimento bielorrusso no esforço de guerra russo, incluindo o uso de infraestruturas para drones e o contorno de sanções por parte de centenas de empresas. O aviso de que retransmissores estão a ser instalados junto à fronteira com países da UE alarga a preocupação para lá do teatro ucraniano, e a descrição da relação Lukashenka–Putin como «simbiótica» contesta a hipótese de uma rutura diplomática entre Minsk e Moscovo. As declarações foram feitas num contexto — a Semana de Alto Nível da ONU — em que a cumplicidade da Bielorrússia na guerra está a ser formalmente debatida.

O que aconteceu

Sviatlana Tsikhanouskaya falou com a Ukrinform à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque e afirmou que Lukashenka está disposto a continuar a disponibilizar a Putin território, logística e infraestruturas bielorrussas para ataques à Ucrânia a partir da fronteira norte. Disse que as esperanças de separar Lukashenka de Putin são vãs e descreveu a amizade entre os dois como «simbiótica». Segundo a líder da oposição, infraestruturas bielorrussas — incluindo logística e antenas usadas para direcionar drones — já estão ao serviço da Rússia, e retransmissores estão a ser instalados não só na fronteira com a Ucrânia, mas também na fronteira com países da UE, abrindo a porta a ações contra Estados europeus. Acrescentou que 500 a 600 empresas bielorrussas produzem ótica e microchips, adquirem componentes em contorno de sanções e fornecem produtos petrolíferos à Rússia, e que o regime bielorrusso está a construir armazéns da plataforma russa Wildberries. Tsikhanouskaya afirmou ainda que Lukashenka não está interessado numa vitória da Ucrânia — uma vitória que, segundo ela, seria uma catástrofe para o seu regime — e que, embora Lukashenka atue por medo de Putin, a Rússia não conseguiu convencer os bielorrussos a defender a Rússia nem a Bielorrússia, pelo que duvida que o exército bielorrusso participe em ações ofensivas contra a Ucrânia. Indicou também que, no círculo próximo de Lukashenka, já se discute uma era pós-Lukashenka.

Contexto

As declarações foram feitas durante a Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, que reúne mais de 130 chefes de Estado e de governo, entre os quais o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. A 21 de setembro, realizou-se no âmbito dessa semana o evento ministerial «Bielorrússia: cúmplice da guerra da Rússia contra a Ucrânia e ameaça à segurança internacional», organizado pela Letónia e pela UE com a participação da Ucrânia e de outros países, no qual Tsikhanouskaya esteve presente. No início de setembro, a líder da oposição já tinha afirmado que a Rússia poderia usar território e infraestruturas militares bielorrussas para provocações contra países da NATO.