Chefe do Estado-Maior russo reporta a Putin início de ataques massivos contra infraestruturas energéticas ucranianas
O chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas russas, Valéri Gerasimov, informou Vladimir Putin do início, em 16 de outubro, de uma campanha de ataques massivos contra instalações energéticas da Ucrânia. Os ataques, realizados em ondas com drones desde a manhã desse dia, atingiram infraestruturas em Kiev, na região de Kiev, Kharkiv, Rivne, Volínia e Odessa, provocando cortes de emergência no fornecimento de energia. O anúncio surge dias depois de Donald Trump ter declarado um cessar-fogo energético entre Moscovo e Kiev, que não impediu novos ataques russos.
Pontos principais
- Gerasimov reportou a Putin o início de ataques massivos contra infraestruturas energéticas da Ucrânia em 16 de outubro.
- Segundo a TASS, a Rússia identificou a lista de alvos energéticos e os meios que pretende usar nos ataques.
- Desde a manhã de 16 de outubro, forças russas atacaram em ondas com drones alvos em Kiev, regiões de Kiev, Kharkiv, Rivne, Volínia e Odessa.
- Os ataques provocaram cortes de emergência no fornecimento de energia.
- Em 11 de outubro, Donald Trump anunciou que Rússia e Ucrânia tinham concordado com um cessar-fogo energético; em 14 de outubro, o Kremlin continuou a atacar alvos energéticos ucranianos, incluindo as três centrais termoelétricas de Kiev.
- Em 15 de outubro, Volodymyr Zelensky afirmou que a Ucrânia 'já chega' e levantou a proibição de ataques contra refinarias russas; Putin ameaçou responder no dia seguinte.
- Durante o dia 16 de outubro, os técnicos do setor energético restabeleceram o fornecimento a mais de um milhão de consumidores.
Porque é importante
A campanha de ataques massivos foi reportada poucos dias depois de ter sido anunciado um cessar-fogo energético entre a Rússia e a Ucrânia, levantando dúvidas sobre o estado efetivo desse entendimento. A combinação de ataques russos a centrais termoelétricas, da ameaça de Moscovo de retaliar e do levantamento das restrições ucranianas a ataques a refinarias mostra que as infraestruturas energéticas estão a ser usadas como instrumento de pressão bilateral. O facto de as três centrais termoelétricas de Kiev terem sido atingidas afeta diretamente o aquecimento e o fornecimento de eletricidade à população da capital.
O que aconteceu
A 16 de outubro, o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas russas, Valéri Gerasimov, informou o Presidente Vladimir Putin, num briefing realizado num posto de comando auxiliar do Agrupamento Conjunto de Forças, do início de uma campanha de ataques massivos contra infraestruturas energéticas da Ucrânia. Segundo a TASS, Gerasimov afirmou que o exército russo tinha determinado a lista de alvos energéticos ucranianos e os meios que pretendia empregar. Desde a manhã desse dia, as forças russas atacaram em ondas com drones instalações energéticas em Kiev, na região de Kiev, em Kharkiv, Rivne, Volínia e Odessa, provocando cortes de emergência no fornecimento elétrico. O Ministério da Energia da Ucrânia indicou que estavam em vigor escalas horárias de corte de eletricidade em algumas regiões, além de restrições de potência aplicadas à indústria e ao comércio para estabilizar o sistema. Ao longo do dia, técnicos do setor energético restabeleceram o fornecimento a mais de um milhão de consumidores.
Estes ataques ocorrem dias depois de, a 11 de outubro, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado que Moscovo e Kiev tinham concordado com um cessar-fogo energético — entendimento que o Kremlin afirmou depois que Trump não tinha especificado. A 14 de outubro, Volodymyr Zelensky reportou ataques russos com mísseis balísticos contra infraestruturas em Kiev, na região de Kiev e em Kharkiv, incluindo as três centrais termoelétricas de Kiev, e anunciou o levantamento das restrições a ataques contra refinarias russas. A 15 de outubro, Putin ameaçou responder a esses ataques, e Trump criticou a retoma dos ataques ucranianos a refinarias russas por considerar que contribui para a subida dos preços mundiais do petróleo.
Como o descrevem as fontes ucranianas
A fonte ucraniana consultada destaca o briefing do principal comandante militar russo a Putin para assinalar o início dos ataques massivos a infraestruturas energéticas, enquadrando-os como uma escalada deliberada ao mais alto nível da cadeia de comando. A cobertura sublinha ainda o impacto sobre infraestruturas civis em Kiev e o levantamento das restrições a ataques contra refinarias russas, apresentando um quadro de pressão energética mútua.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre o estado do cessar-fogo energético: Donald Trump afirmou a 11 de outubro que a Rússia e a Ucrânia tinham concordado com ele, enquanto o Kremlin disse depois que Trump não o tinha especificado em detalhe, e a Rússia prosseguiu com ataques em grande escala a infraestruturas energéticas a 16 de outubro.
Contexto
A 11 de outubro, o Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a Rússia e a Ucrânia tinham concordado com um cessar-fogo energético, que o Kremlin indicou depois que não tinha sido detalhado. A 14 de outubro, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, reportou ataques russos com mísseis balísticos contra infraestruturas energéticas e críticas em Kiev, na região de Kiev e em Kharkiv, e anunciou o levantamento das restrições a ataques contra refinarias russas. A 15 de outubro, Putin ameaçou responder aos ataques ucranianos contra refinarias, instalações logísticas e energéticas russas. Donald Trump também criticou a retoma dos ataques ucranianos a refinarias russas por considerar que contribui para a subida dos preços mundiais do petróleo.