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Zelensky critica Klitschko por atrasos nos preparativos de inverno de Kiev

O Presidente Volodymyr Zelensky acusou a administração da cidade de Kiev de estar atrasada em relação a outras regiões da Ucrânia, incluindo zonas da frente, na execução dos planos de resiliência para o inverno. O Presidente anunciou consultas e decisões iminentes sobre a situação na capital, incluindo possíveis alterações nos algoritmos de gestão. O Presidente da Câmara de Kiev, Vitaliy Klitschko, rejeitou as acusações como infundadas, afirmou que a cidade está totalmente preparada para o aquecimento central e acusou o Gabinete do Presidente de tentar destruir o poder autárquico local. A Verkhovna Rada votou a convocação de Klitschko ao parlamento, e está marcada uma manifestação para 17 de outubro a exigir a sua demissão.

Pontos principais

  • Zelensky afirmou que, a meio de outubro, a execução dos planos de resiliência em Kiev está atrasada face a outras regiões, incluindo oblastos da frente e da fronteira.
  • Zelensky anunciou consultas sobre medidas urgentes de segurança e gestão e que está a preparar decisões relativas a Kiev.
  • Klitschko rejeitou as críticas como infundadas e afirmou que Kiev está totalmente preparada para o aquecimento centralizado.
  • A Verkhovna Rada aprovou a convocação de Klitschko ao parlamento, a 14 de outubro às 12:00, com 151 votos a favor, por proposta da deputada Maryana Bezuhla (Servo do Povo).
  • Está marcada para 17 de outubro uma manifestação a exigir a demissão de Klitschko por insatisfação com os preparativos para o frio.
  • Klitschko acusou o Gabinete do Presidente de tentar destruir o poder autárquico e indicou que cerca de 300 autarcas já foram substituídos por chefes de administrações militares.
  • A Rússia retomou ataques massivos contra a infraestrutura energética ucraniana, incluindo a região de Kiev, a partir de 30 de setembro.

Porque é importante

A disputa expõe um conflito aberto entre o Presidente Zelensky e o Presidente da Câmara de Kiev, Vitaliy Klitschko, no momento em que a capital enfrenta a terceira época de Inverno sob ataques russos intensificados à rede energética desde 30 de setembro. Zelensky anunciou estar a preparar decisões que podem incluir alterações nos algoritmos de gestão de Kiev, sinalizando uma possível reorganização da governação da capital. A Verkhovna Rada votou a convocação de Klitschko ao parlamento e foi marcada uma manifestação para exigir a sua demissão, aumentando a pressão política sobre o autarca. Klitschko enquadrou as críticas como parte de um padrão mais amplo de remoção de autarcas eleitos, levantando questões estruturais sobre o poder local na Ucrânia em tempo de guerra.

O que aconteceu

Na noite de 13 de outubro de 2026, o Presidente Volodymyr Zelensky publicou nas redes sociais que, a meio de outubro, a execução dos 'planos de resiliência' em Kiev está atrasada face a outras regiões da Ucrânia, incluindo oblastos da frente e da fronteira. Zelensky referiu que, mesmo após impactos isolados de drones Shahed, há falhas de eletricidade e água numa parte significativa da capital, e anunciou o início de consultas sobre medidas urgentes de segurança e gestão para corrigir a situação. Entre os consultados estiveram o ex-chefe do SBU Vasyl Malyuk, o chefe da Agência Estatal de Restauração Ivan Fedorov, o Presidente da Câmara de Kharkiv Ihor Terekhov, o empresário Kostiantyn Yefymenko e o ex-deputado Maksym Yefymov. Zelensky disse ter recebido propostas substanciais e estar a preparar decisões, incluindo possíveis alterações nos algoritmos de gestão de Kiev. O Presidente da Câmara de Kiev, Vitaliy Klitschko, respondeu rejeitando as acusações como infundadas, afirmando que Kiev está totalmente preparada para a época de aquecimento no que toca ao aquecimento centralizado, apesar dos danos causados pelos ataques russos. Klitschko argumentou que a autarquia não é responsável pela defesa aérea, que os chefes das administrações distritais são nomeados pelo Gabinete do Presidente e que as críticas visam destruir o poder autárquico. No mesmo dia, a Verkhovna Rada aprovou, com 151 votos a favor, uma proposta da deputada Maryana Bezuhla (Servo do Povo) para convocar Klitschko ao parlamento. O primeiro vice-presidente da Verkhovna Rada, Oleksandr Kornienko, indicou que a comparência estava marcada para 14 de outubro às 12:00. Foi também anunciada uma manifestação de ativistas para 17 de outubro a exigir a demissão do autarca.

Como o descrevem as fontes ucranianas

A maior parte da imprensa ucraniana destaca as críticas de Zelensky ao atraso de Kiev na execução dos planos de resiliência e o anúncio de decisões iminentes, apresentando a capital como um caso problemático em comparação com regiões da frente. Os meios ucranianos dão grande relevo à votação da Verkhovna Rada que convocou Klitschko e à manifestação marcada para 17 de outubro, tratando-os como consequências políticas concretas da troca de críticas. Vários órgãos de comunicação atribuem espaço significativo à resposta de Klitschko, incluindo a sua rejeição das acusações, as alegações sobre infraestruturas de aquecimento restauradas e o enquadramento da disputa como um ataque ao poder autárquico. Algumas vozes, como o jornalista Serhiy Sydorenko da 'Yevropeiska Pravda', criticaram o facto de a consulta de Zelensky sobre Kiev ter sido realizada sem a participação do Presidente da Câmara. Uma das peças inclui ainda uma terceira voz que atribui o problema de fundo a 'trabalhos de casa' por fazer em infraestruturas, mais do que a Klitschko ou Zelensky pessoalmente.

Como o descrevem as fontes internacionais

O único meio internacional no conjunto de fontes (Der Spiegel, em alemão) enquadra a história como uma disputa aberta entre Zelensky e Klitschko sobre os preparativos de Inverno na capital, fornecendo contexto de rivalidade política: Klitschko como ex-campeão mundial de boxe, autarca desde 2014, e anteriores confrontos com o governo de Zelensky. A peça internacional sublinha o pano de fundo mais amplo dos ataques russos intensificados à rede energética de Kiev e os alertas de Klitschko sobre a capital estar em 'modo de sobrevivência', dando prioridade à dimensão de segurança energética em tempo de guerra em vez dos detalhes procedimentais domésticos que dominam a cobertura ucraniana. A mesma peça destaca a frase de Klitschko de que 'procurar bodes expiatórios não dá mais calor às pessoas', salientando a reação do autarca como parte central da narrativa.

Onde as versões divergem

As fontes divergem sobre se Kiev está devidamente preparada para a época de aquecimento: Zelensky afirma que a execução do plano de resiliência da capital está atrasada em relação a outras regiões e que mesmo impactos isolados de drones Shahed causam falhas generalizadas; Klitschko assegura que a cidade está totalmente pronta para o aquecimento centralizado e classifica as críticas como infundadas, argumentando que a época de aquecimento nem sequer começou. Há também disputa sobre quem é responsável pelas vulnerabilidades da cidade: Zelensky sugere falhas da administração municipal; Klitschko contrapõe que o autarca não controla a defesa aérea e que os chefes das administrações distritais são nomeados pelo Gabinete do Presidente, descrevendo as críticas como parte de uma tentativa de destruir o poder autárquico. Por fim, uma fonte ucraniana (NV) refere, num título, uma alegação do ex-chefe da Agência de Restauração Sukhomlyn de que Kiev estaria apenas cerca de 40% pronta para o Inverno, um valor muito diferente da prontidão total que Klitschko defende; essa alegação é transmitida apenas através de um título e não aparece corroborada nos factos fornecidos.

Contexto

A Rússia tem atacado Kiev com intensidade crescente, usando mísseis e drones Shahed de fabrico iraniano, provocando repetidamente cortes de eletricidade e água e, por vezes, a paragem do metro. Klitschko é Presidente da Câmara de Kiev desde 2014 e ex-campeão mundial de boxe. Zelensky e Klitschko são rivais políticos de longa data: pouco depois de Zelensky ter assumido funções em 2019, Klitschko acusou o seu governo de procurar limitar ilegalmente os seus poderes. Zelensky já tinha criticado publicamente os preparativos de Inverno de Kiev no ano anterior. Klitschko explicou que, durante ataques anteriores, Kiev perdeu toda a sua geração própria de eletricidade e depende agora inteiramente do sistema energético do país.