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Rússia inicia exportações de crude do megaprojeto Vostok Oil através da Rota do Mar do Norte

A Rússia iniciou as exportações comerciais de petróleo do projeto Vostok Oil, no Ártico, através da Rota do Mar do Norte com destino à Ásia, com os primeiros carregamentos a partir do terminal Bukhta Sever. O volume inicial será de 150 mil barris por dia, com a ambição de atingir 1 milhão de barris diários até 2030.

Pontos principais

  • A Rússia iniciou as exportações comerciais do projeto Vostok Oil, o maior projeto petrolífero russo desde o colapso da URSS, com reservas estimadas em 51 mil milhões de barris.
  • Os primeiros carregamentos partiram do terminal ártico Bukhta Sever, a mais de 3 000 km da fronteira com a Ucrânia, em quatro navios-tanque de classe de gelo, incluindo o Akademik Gubkin (Aframax) e o Valentin Pikul (Panamax).
  • O volume inicial será de 150 mil barris por dia, com meta de 600 mil barris/dia na segunda metade de 2027 e de 1 milhão de barris/dia até 2030.
  • Vladimir Putin anunciou oficialmente o lançamento do projeto em 5 de setembro.
  • O chefe da Rosneft, Igor Sechin, negociou benefícios fiscais de 2,6 biliões de rublos junto de Putin para viabilizar o projeto.
  • Após a invasão em grande escala da Ucrânia em 2022, parceiros ocidentais, incluindo a BP, venderam as suas participações e abandonaram o projeto; em janeiro de 2025, o Tesouro dos EUA impôs sanções diretas de bloqueio à Vostok Oil e à sua operadora RN-Vankor.

Porque é importante

O Vostok Oil é descrito como o maior projeto petrolífero da Rússia desde a dissolução da URSS, com reservas equivalentes a cerca de um quinto das reservas russas totais de 220 mil milhões de barris. A abertura da Rota do Mar do Norte como corredor de exportação cria uma via alternativa ao petróleo russo com destino à Ásia, potencialmente alterando os fluxos globais. O projeto continuou a avançar apesar das sanções ocidentais e da saída de parceiros como a BP após 2022, o que sublinha a capacidade da Rússia de mobilizar capital estatal, benefícios fiscais massivos e parcerias asiáticas para substituir a tecnologia ocidental.

O que aconteceu

A Rússia iniciou as exportações comerciais de petróleo a partir do projeto Vostok Oil, no Ártico, enviando os primeiros carregamentos através da Rota do Mar do Norte com destino à Ásia. O terminal Bukhta Sever, situado a mais de 3 000 km da fronteira com a Ucrânia, começou a carregar quatro navios-tanque de classe de gelo: os primeiros a receber crude foram o Aframax Akademik Gubkin e o navio de classe Panamax Valentin Pikul, em 5 de setembro, seguindo-se o Aframax Vladimir Monomakh e o Vladimir Vinogradov nos dias seguintes, segundo dados de追踪 LSEG. Vladimir Putin anunciou oficialmente o lançamento do projeto em 5 de setembro. O volume inicial será de 150 mil barris por dia, com a Rosneft a planejar atingir 600 mil barris/dia na segunda metade de 2027, após a entrada em produção do grupo Payakhaya, e 1 milhão de barris/dia até 2030.

Como o descrevem as fontes ucranianas

Os meios ucranianos enquadram o lançamento como uma história geopolítica, salientando a capacidade da Rússia de levar por diante um megaprojeto petrolífero à escala soviética apesar das sanções e da saída dos parceiros ocidentais após 2022, e sublinhando que o terminal ártico está a mais de 3 000 km da fronteira com a Ucrânia. Destacam o papel de Igor Sechin e a concessão fiscal de 2,6 biliões de rublos como elementos do capitalismo de Estado apoiado pelo Kremlin que sustenta o projeto.

Contexto

O cluster Vostok Oil reúne mais de 13 campos na península de Taymyr e na Sibéria Oriental, com reservas estimadas em cerca de 51 mil milhões de barris. Os campos polares foram descobertos na era soviética e permaneceram praticamente congelados desde os anos 1990, até a Rosneft relançar o projeto em 2019, contando com investimentos estrangeiros. Parceiros anteriores incluíram a Trafigura (2020) e um consórcio com a Vitol (2021); após a invasão em grande escala da Ucrânia em 2022, parceiros ocidentais, incluindo a BP, venderam as suas participações e abandonaram o projeto. Igor Sechin, chefe da Rosneft, negociou benefícios fiscais de 2,6 biliões de rublos junto de Putin para viabilizar o projeto. Em janeiro de 2025, o Tesouro dos EUA impôs sanções diretas de bloqueio contra a Vostok Oil e a sua operadora RN-Vankor, o que obrigou a Rosneft a adiar os calendários iniciais em vários anos.