Ministro estónio diz que Rússia já ameaça toda a Europa após ataque a comboio na fronteira com a Polónia
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia, Margus Tsahkna, esteve três dias na Ucrânia e reuniu-se em 13 de setembro com o seu homólogo ucraniano, Andrii Sybiha, em Kiev. No mesmo dia, um drone russo atingiu a locomotiva de um comboio de passageiros na estação de Yahodyn, a cerca de dois quilómetros da fronteira polaca. Tsahkna afirmou publicamente que a Rússia já constitui uma ameaça para toda a Europa.
Pontos principais
- A 13 de setembro, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano Andrii Sybiha recebeu em Kiev o seu homólogo estónio Margus Tsahkna, que passava três dias na Ucrânia com alertas de raids aéreos dia e noite.
- A reunião abordou a situação no campo de batalha, o reforço da defesa aérea, a cooperação no setor da defesa, a utilização de ativos russos congelados, novas sanções, o apoio à adesão da Ucrânia à UE, a coordenação no formato NB8 e a resiliência do setor energético.
- Tsahkna afirmou na rede social X que a Rússia já é uma ameaça para toda a Europa, citando sabotagens, ciberataques, tentativas de colocação de explosivos em cadeias logísticas europeias, provocações, ingerências e desinformação.
- O ministro enquadrou o apoio à defesa da Ucrânia como um investimento na segurança de toda a Europa e não como caridade nem como uma guerra 'estrangeira'.
- No mesmo dia 13 de setembro, o exército russo atingiu com um drone a locomotiva de um comboio de passageiros na estação de Yahodyn, no Oblast de Volínia, a cerca de dois quilómetros da fronteira com a Polónia.
- As fontes divergem sobre qual o comboio diplomático e que passageiros estavam na estação no momento do ataque — uma versão refere um comboio com assessores de segurança de Estados-membros da UE e antigos líderes europeus, incluindo Boris Johnson; outra, da Ukrzaliznytsia, indica que esse comboio já tinha entrado na Polónia e que na estação estava um comboio diferente, com o antigo diretor da CIA David Petraeus.
- Tsahkna declarou que o ataque junto a Yahodyn levou o terror até à porta da UE e da NATO e que a travessia da fronteira não faz terminar o risco russo.
Porque é importante
Um ministro dos Negócios Estrangeiros de um Estado-membro da União Europeia declarou, em termos inequívocos, que a Rússia já constitui uma ameaça para toda a Europa e não apenas para a Ucrânia. Ao reformular o apoio à defesa ucraniana como um investimento direto na segurança da UE e da NATO, a visita abre caminho a um debate europeu mais firme sobre sanções, utilização de ativos russos congelados e ajuda militar. O ataque russo ao comboio de Yahodyn, a apenas dois quilómetros da fronteira polaca, ocorreu no mesmo dia e deu uma ressonância imediata a essa mensagem.
O que aconteceu
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia, Margus Tsahkna, passou três dias na Ucrânia, durante os quais soaram alertas de raids aéreos de dia e de noite. Em 13 de setembro, encontrou-se em Kiev com o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha. A reunião percorreu a situação no campo de batalha, o reforço da defesa aérea, o alargamento da cooperação no setor da defesa — combinando a experiência de combate e as tecnologias de defesa da Ucrânia com as capacidades da Estónia —, a utilização de ativos russos congelados, o reforço das sanções ao complexo militar-industrial russo, o apoio estónio à adesão da Ucrânia à União Europeia, a cooperação no âmbito da presidência estónia do formato NB8, a resiliência do sistema energético ucraniano contra ataques russos e os preparativos para a Conferência de Recuperação da Ucrânia a realizar em Tallinn em 2027. Após a reunião, Tsahkna publicou na rede social X que a Rússia já é uma ameaça para toda a Europa, enumerando sabotagens, ciberataques, tentativas de colocar explosivos em cadeias logísticas europeias, provocações, ingerência e desinformação. Defendeu que ajudar a Ucrânia não é caridade nem «a guerra de outrem», mas um investimento na segurança de toda a Europa, e apelou a apoio militar urgente, ao reforço da defesa aérea, à possibilidade de ataques profundos em território inimigo, ao reforço das sanções e ao corte das receitas que financiam a máquina de guerra russa. No mesmo dia 13 de setembro, o exército russo atingiu com um drone a locomotiva de um comboio de passageiros na estação de Yahodyn, no Oblast de Volínia, a cerca de dois quilómetros da fronteira com a Polónia; o comboio fazia o percurso Kiev–Varsóvia. Tsahkna salientou que a sua equipa tinha atravessado a fronteira em Yahodyn pouco antes do ataque e que o sucedido levou o terror até à porta da UE e da NATO.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre qual o comboio diplomático e que passageiros estavam na estação de Yahodyn no momento do ataque russo de 13 de setembro. Uma versão — difundida por Ukrinform e citada por LIGA.net e NV — refere que um comboio diplomático com assessores de segurança de vários Estados-membros da UE e antigos líderes europeus, incluindo o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson, se encontrava na estação pouco antes do ataque. O semanário alemão Der Spiegel acrescentou que também seguia nesse comboio o conselheiro do chanceler alemão Friedrich Merz, Günter Sautter. Em contraponto, a Ukrzaliznytsia esclareceu que o comboio com representantes europeus entrou na Polónia uma hora e meia antes do impacto do drone e que, no momento do ataque, estava na estação um comboio diferente, no qual seguia o antigo diretor da CIA David Petraeus.
Contexto
O ataque de Yahodyn ocorreu no mesmo dia em que o chefe da diplomacia estónia se encontrou com o seu homólogo ucraniano, sublinhando a proximidade geográfica do conflito ao território da UE e da NATO. Antes da visita, no início de setembro, a comunicação social noticiou que a Estónia tinha pago cerca de 70 milhões de euros como adiantamento por munições de artilharia para a Ucrânia que não foram entregues por defeitos de qualidade; o ministro da Defesa estónio, Hanno Pevkur, acabou por demitir-se assumindo responsabilidade política pelo processo de aquisição. A Estónia detém atualmente a presidência do formato NB8, que reúne os Estados nórdicos e bálticos. Estão também em curso preparativos para uma Conferência de Recuperação da Ucrânia em Tallinn, agendada para 2027.